No primeiro semestre de 2019 o Brasil exportou 2,045 milhões de toneladas de carne de frango, o que representa uma alta de11,4% ante as 1,836 milhão de toneladas exportadas no mesmo período do ano passado. As informações foram divulgadas nesta quarta-feira (10/7) pela ABPA (Associação Brasileira de Proteína Animal), que trata das exportações considerando todos os produtos, entre in natura e especializados.
Em receita, a alta chegou a 14,9%. Nos seis primeiros meses deste ano foram realizados US$ 3,406 bilhões em vendas, contra US$ 2,964 bilhões em 2018.
No mês de junho, as exportações brasileiras de carne de frangototalizaram 386,2 mil toneladas, número 64% superiorao registrado no mesmo mês do ano passado, quando foram embarcadas 235,4 mil toneladas. Em receita, houve elevação de 76,6%, com saldo total de US$ 639,6 milhões de toneladas no sexto mês deste ano, contra US$ 362,2 milhões realizados em junho de 2018.
“Houve elevação nas compras de quase todos os grandes importadores, o que gerou uma corrente positiva de exportações. O contexto internacional de alta demanda por proteína é sentido nos mais diversos mercados”, analisa Francisco Turra, presidente da ABPA.
A China, principal destinodas exportações brasileiras, incrementou suas compras em 22,6% entre janeiro e junho deste ano na comparação com o mesmo período do ano passado, totalizando 257,9 mil toneladas.
A União Europeiaelevou suas compras em 21%, chegando a 129,9 mil toneladas no primeiro semestre. Os Emirados Árabes Unidos elevaram suas compras em 35,7%, chegando a 192 mil toneladas no mesmo período.
Continue após a publicidade.
“Os mercados árabes vêm mantendo bom fluxo de importação de produtos, com sólido crescimento nas vendas para os Emirados Árabes Unidos”, analisa Ricardo Santin, diretor-executivo da ABPA.
Cotações Mercado Interno
No correr de 2019, o bom desempenho das exportaçõese, consequentemente, a menor disponibilidade da carne de frango no mercado doméstico elevaram as cotaçõesno atacado de todas as regiões acompanhadas pelo Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada). No entanto, agentes de indústrias que destinam a maior parte da produção para o abastecimento das redes brasileiras, como é o caso das plantas localizadas em São Paulo, relataram dificuldades em negociar a proteína nos valores elevadosque vinham sendo praticados anteriormente, o que explica a retração nos preços observada em junho na região paulista.
Desde janeiro, os preços da carne de frango vinham aumentando no mercado atacadista da Grande São Paulo. No entanto, esse movimento perdeu força em junho, mas, ainda assim, os valores praticados estiveram acima dos verificados no mesmo período de 2018.
Para o frango inteiro resfriado, o recuo nos preços de maio para junho foi de 2,2% e para o congelado, de 3,3%. No último mês, os produtos foram negociados no atacado paulista, em média, a R$ 4,69/kg e a R$ 4,65/kg, respectivamente. Porém, o comparativo anual(junho/19 frente a junho/18) indica que houve valorização para a proteína:
de 13,1% para a resfriada;
de 10,5% para a congelada, em termos nominais.
Vale lembrar que, em junho do ano passado, os preços da carne subiram com força, como reflexo da paralisação dos caminhoneiros.
A desvalorização também foi verificada para o frango vivo. Na Grande São Paulo, de maio para junho, o preço do animal caiu 2,5%, a R$ 3,46/kg na média do último mês.
Além dessa queda, a valorização dos insumosimpactou negativamente o poder de compra do avicultor paulista. Enquanto em maio era possível comprar até 6,22 quilos de milho com a venda de um quilo de frango vivo, em junho, essa quantidade caiu para 5,54 quilos. Para o farelo de soja, o poder de compra se reduziu de 3,03 quilospara 2,78 quilos, respectivamente.
Com informações da Assessoria de Imprensa da ABPA e do CEPEA