Granjas & Manejo

Condenações em abatedouros: Artrite, pododermatite e ascite em frangos de corte

Para ler mais conteúdo de aviNews Brasil 1 TRI 2026

Condenações em abatedouros: Artrite, pododermatite e ascite em frangos de corte

O setor avícola nacional se destaca pelo constante aprimoramento tecnológico e pelo investimento em inovação, fatores que sustentam o crescimento da produção e a busca por melhores resultados econômicos, zootécnicos, sanitários e de bem-estar animal.

Nesse contexto, o manejo exerce papel central para que as aves expressem seu potencial genético, enquanto falhas podem comprometer o desempenho, elevar a ocorrência de doenças, a mortalidade, a desuniformidade dos lotes e o número de condenações no abatedouro.

No frigorífico, as aves passam por inspeções rigorosas antes e após o abate, conforme o Decreto nº 9.013/2017 (RIISPOA), que estabelece a avaliação detalhada das carcaças na inspeção post mortem, visando identificar e destinar corretamente aquelas que devem ser condenadas.

Condenações em abatedouros: Artrite, pododermatite e ascite em frangos de corte

As causas de condenação são variadas e, em grande parte, provém de falhas ao longo da cadeia produtiva. De modo geral, essas causas podem ser classificadas em não patológicas (associadas a falhas de manejo) e patológicas (lesões provenientes de processos infecciosos ou de outras enfermidades que acometem as aves ainda no campo).

Dentre as causas patológicas mais frequentemente, destacam-se a artrite, a pododermatite e a ascite. Essas afecções apresentam origens multifatoriais e estão relacionadas tanto a aspectos sanitários quanto a falhas de manejo e condições ambientais inadequadas durante a criação.

As artrites constituem um dos principais distúrbios locomotores em frangos de corte, caracterizando-se por inflamação da articulação tibiotársica, que limita a locomoção e compromete o desempenho das aves. Essa condição pode ter origem infecciosa, causada principalmente por:

  • Staphylococcus spp.,
  • Escherichia coli,
  • Mycoplasma spp.,
  • Pasteurella spp.,
  • Salmonella spp. e,
  • o Reovírus,

assim como pode estar associada a fatores ambientais, como tipo e umidade da cama, densidade de alojamento e condições inadequadas de manejo.

As aves acometidas geralmente apresentam aumento de volume articular, dor e claudicação nas formas agudas, podendo evoluir para rigidez articular e imobilidade nos casos crônicos. As lesões são caracterizadas por inchaço articular e acúmulo de exsudato purulento, caseoso ou hemorrágico, que pode se estender a ligamentos e tendões.

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A transmissão do Reovírus ocorre predominantemente por via horizontal, direta ou indireta, e, em menor escala, por via vertical, a partir de reprodutoras infectadas. As aves afetadas apresentam dificuldade de locomoção, permanecendo deitadas, o que reduz o consumo de ração e água, podendo resultar em perda de desempenho e até mortalidade por inanição e desidratação.

No abatedouro, a artrite representa importante causa de condenação, já que as lesões não podem ser removidas manualmente antes do corte automático das patas, sob risco de contaminação dos equipamentos. Nos casos unilaterais, em que apenas uma pata apresenta lesão, realiza-se a retirada manual desse membro. Já nos casos bilaterais, quando ambas as patas estão acometidas, a carcaça é integralmente condenada.

Condenações em abatedouros: Artrite, pododermatite e ascite em frangos de corte

O diagnóstico é baseado nos sinais clínicos e nas lesões observadas nas articulações, podendo ser confirmado por exames laboratoriais. O controle envolve a adoção de boas práticas de manejo, uso de cama seca e de qualidade, controle da densidade de alojamento e medidas rigorosas de biosseguridade. Como o tratamento individual é inviável em sistemas intensivos, a prevenção é a principal estratégia para reduzir as condenações e melhorar o bem-estar e o desempenho dos lotes.

Além das artrites, a pododermatite (conhecida popularmente como “calo de pé”) acomete o coxim plantar, podendo evoluir de um simples espessamento da epiderme até úlceras profundas e necrose dos tecidos subjacentes. Essa condição é multifatorial e está diretamente associada à qualidade da cama, umidade excessiva, tipo de material utilizado, densidade de alojamento e manejo inadequado da ventilação.

 

A presença de umidade elevada na cama favorece o amolecimento do coxim plantar e o contato prolongado das aves com as excretas, promovendo irritação cutânea e infecção secundária por bactérias oportunistas, como Staphylococcus aureus e Escherichia coli. A severidade das lesões é um importante indicador de bem-estar e pode ser utilizada para monitorar as condições de manejo e ambiência dos lotes.

No abatedouro, os casos severos podem resultar na condenação das patas e, em situações mais graves, das carcaças, especialmente quando há sinais de infecção sistêmica. Essa condenação representa uma perda significativa, uma vez que o pé de frango é considerado um subproduto de alto valor agregado, amplamente exportado e valorizado por mercados internacionais, como o asiático.

Assim, a manutenção da integridade e qualidade desse produto tem impacto direto na rentabilidade e competitividade da cadeia avícola brasileira.

O controle e a prevenção da pododermatite envolvem o manejo adequado da cama, ventilação eficiente para controle da umidade, densidade adequada de aves e formulação nutricional equilibrada.

Outro problema patológico é a ascite, ou síndrome do abdômen aquoso, condição metabólica caracterizada pelo acúmulo anormal de líquido na cavidade abdominal, resultante de desequilíbrio entre o fornecimento e o consumo de oxigênio pelos tecidos.

Essa síndrome está frequentemente associada a altas taxas de crescimento e ganho de peso típicas de frangos modernos, cujo rápido metabolismo exige maior demanda de oxigênio do que o sistema cardiovascular é capaz de suprir.

Fatores ambientais e de manejo exercem grande influência na ocorrência da ascite, especialmente a ventilação inadequada, temperaturas baixas, densidade elevada, dieta com alto teor energético e condições que provoquem estresse térmico. Essas situações aumentam a pressão pulmonar e sobrecarregam o ventrículo direito, levando à dilatação e, consequentemente, ao extravasamento de plasma para a cavidade abdominal.

No abatedouro, as aves acometidas por ascite apresentam abdômen distendido e conteúdo líquido seroso, de coloração amarelada, com odor característico. As carcaças afetadas são condenadas total ou parcialmente durante a inspeção post mortem, de acordo com o grau de comprometimento. Além das perdas diretas, a ascite também representa um problema de bem-estar, pois as aves afetadas apresentam dificuldade respiratória, letargia e menor consumo de alimento.

A prevenção depende de um manejo integrado que envolva o controle da ventilação e temperatura ambiental, densidade adequada, programas nutricionais equilibrados e monitoramento constante da taxa de crescimento, especialmente nas fases iniciais.

Impactos Econômicos

As condenações no abatedouro geram prejuízos econômicos expressivos. Estima-se que as perdas variem entre 0,5% e 2% da produção. Em um frigorífico que abate 200 mil aves/dia, uma taxa de 1% representa o descarte de 2.000 carcaças, com prejuízo diário de cerca de R$ 14 mil, ultrapassando R$ 350 mil/mês, sem considerar custos operacionais adicionais.

Outras condições também impactam os resultados: a condenação de 5% das patas em plantas que processam 400 mil aves/dia pode inutilizar cerca de 1 tonelada diária de um produto valorizado no mercado asiático. Já a ascite, além das condenações, eleva o custo de produção, podendo aumentar em até 5% o custo por quilo de frango.

Diante desse cenário, o monitoramento dos índices de condenação torna-se ferramenta estratégica para identificar falhas de manejo e avaliar medidas preventivas. A compreensão das causas ao longo da cadeia produtiva é essencial para assegurar qualidade de carcaça, melhor aproveitamento de subprodutos e maior rentabilidade, reforçando que o controle sanitário, ambiental e nutricional é decisivo para a sustentabilidade e a competitividade da avicultura brasileira.

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