Desinfecção que falha no campo: o erro silencioso que compromete a biosseguridade na avicultura
Desinfecção que falha no campo: o erro silencioso que compromete a biosseguridade na avicultura
A biosseguridade é um dos pilares da avicultura moderna, mas ainda existe um descompasso entre protocolo e execução no campo. Em um sistema pressionado por sanidade e desempenho, falhas na higienização podem comprometer lotes inteiros sem sinais evidentes no início. Esse foi o foco da entrevista com Maurício Marchi, Gerente Técnico da Lanxess, durante o Simpósio Brasil Sul de Avicultura (SBSA).
A conversa aconteceu no estúdio agriPlay, o espaço oficial de entrevistas com palestrantes e líderes do setor, e foi conduzida por Priscila Beck, Diretora de Comunicação da agriNews Brasil.
Segundo Marchi, o principal erro do setor não está na escolha do desinfetante, mas na simplificação excessiva do processo. A limpeza e desinfecção ainda são tratadas como etapas isoladas, quando na prática são interdependentes.
“Não tem como eu falar só de desinfecção; eu tenho que falar de higienização de instalações, de limpeza e desinfecção. Até porque a gente vem da máxima de que não existe boa desinfecção sem boa limpeza.”
A presença de matéria orgânica é um dos principais fatores que comprometem a eficácia do processo. Mesmo com produtos de alta performance, a desinfecção perde eficiência quando não há remoção adequada da sujidade.
“De nada adianta eu aplicar um desinfetante por melhor atuação que ele tenha frente à matéria orgânica, a desinfecção ela tende a falhar porque a matéria orgânica ela esconde o agente que está ali embaixo.”
Além disso, variáveis muitas vezes negligenciadas, como pH e dureza da água, tipo de superfície e nível de porosidade, impactam diretamente a ação dos desinfetantes. Isso reforça a necessidade de validação em condições reais de campo, e não apenas em protocolos teóricos.
Outro ponto crítico é a abordagem reativa frente aos desafios sanitários. Em situações como desafios virais, a entrada tardia de estratégias de controle reduz drasticamente a eficiência da intervenção.
Marchi destaca que a lógica deve ser invertida: atuar preventivamente para manter baixo o nível de infecção ao longo do lote, e não apenas reagir quando o problema já está instalado.
“Então o que a gente recomenda são pulsos de aplicações durante o lote, justamente para manter o limiar de infecção baixo.”
Além da higienização, o controle de vetores também exige atenção. O cascudinho, muitas vezes subestimado, atua como reservatório e disseminador de patógenos entre lotes, especialmente salmonela, exigindo manejo integrado e não apenas uso de inseticidas.
O recado é técnico e direto: biosseguridade não falha por falta de produto. Ela falha por execução incompleta. E, nesse cenário, cada detalhe negligenciado se transforma em risco produtivo.
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