Na entrevista, o presidente do Sindiavipar afirma esperar recuperação nos volumes exportados ao longo do segundo semestre. Ele também vê aumento na demanda doméstica por cortes de frango de maior valor agregado. Confira abaixo, a reprodução da entrevista dada por Domingos Martins ao CarneTec:
Demanda por cortes de frango mais valorizados cresce
Em entrevista, o presidente do Sindiavipar, Domingos Martins, declara que vê aumento na demanda doméstica por cortes de frango de maior valor agregado
A apreciação do dólar frente ao real e a elevação na demanda por cortes de frango mais valorizados colaboraram para a alta de 8,6% nas receitas com exportações de carne de frango da agroindústria do Paraná no primeiro semestre. A informação foi passada pelo presidente do Sindicato das Indústrias de Produtos Avícolas do Estado do Paraná (Sindiavipar), Domingos Martins, em entrevista à CarneTec.
O site aponta dados sobre o faturamento do setor avícola paranaense com exportações, que cresceu para US$ 1,25 bilhão nos primeiros seis meses do ano. O crescimento das receitas se deu mesmo diante da queda do volume total de carne de frango, num comparativo com o mesmo período de 2016, afetado pelos desdobramentos da Operação Carne Fraca, greve nos portos e feriados.
Como o sr. avalia o desempenho das exportações de carne de frango do Paraná no primeiro semestre?
Martins: O primeiro semestre foi tumultuado. Houve o caso da (Operação) Carne Fraca, greve no porto. Houve também muitos feriados e os portos nos feriados não trabalham a todo vapor como trabalham nos outros dias. Nos volumes, não alcançamos os nossos objetivos, mas graças a Deus, economicamente o resultado foi representativo. Isso se deve a dois fatores importantes. Primeiro, houve uma valorização cambial do dólar frente ao real e isto trouxe um valor por tonelada maior. E também houve a valorização do produto em si, dos itens vendidos. Houve uma priorização de itens de maior valor agregado. Quando se exporta muito griller, por exemplo, acaba caindo a base (do valor) por tonelada porque este é um dos itens mais baratos que existe por tonelada… Então, há uma diminuição na exportação de griller, o que talvez tenha dado essa diferença nas quantidades. Mas em compensação, outros cortes mais valorizados foram mais exportados.
O que levou ao aumento da demanda por cortes mais valorizados?
Martins: O frango está muito acessível. Até no mercado interno, estamos vendendo cada vez mais cortes elitizados. Por exemplo, hoje o mercado interno consome muito o meio da asa, que é um produto mais nobre… Também exportamos muitos cortes desossados, que têm um valor maior, para o Japão e para a Europa, por exemplo. Está havendo a valorização do preço em dólares por tonelada, consequentemente tem-se uma remuneração melhor para a indústria…
Acredito que em função de o preço do frango estar muito acessível, cada vez mais vai aumentar a quantidade de cortes disponíveis no mercado: não só os cortes elitizados mas também um porcionamento menor.
Como as famílias estão menores, é feito um porcionamento menor, embalagens de 500 gramas, 700 gramas, de 1 quilo, para atender a este mercado. Apesar de todo o trabalho que se faz de porcionamento e de elitização dos cortes, o frango ainda é a proteína animal mais barata no Brasil. Houve um crescimento no consumo e na média de peso do frango… O sassami, por exemplo, de um frango de 3 a 3,2 quilos, é um bifinho sensacional e passa a ganhar mercado quando ele é bem trabalhado na bandejinha, você é seduzido a comprá-lo exatamente pela exposição que ele tem. E é um produto que você tende a vendê-lo melhor que o filé. E ele é um filé.
Qual a expectativa para a exportação de carne de frango paranaense no ano?
Martins: Volto a insistir que vamos ter uma recuperação também nas quantidades exportadas. O mercado árabe começa a comprar mais daqui pra frente também. Talvez no preço por tonelada, a gente possa perder a partir de setembro: a quantidade tende a aumentar e o preço por tonelada ficar estável. Mas a quantidade irá aumentar e a exportação vai crescer com certeza, a menos que aconteça mais algum desses problemas (como as notícias da Operação Carne Fraca e outras negativas para o setor como ocorreram no primeiro semestre). Continuamos trabalhando com a possibilidade de atingir 6% de crescimento nos volumes de produção e exportações em 2017.
E qual a expectativa para o consumo de carne de frango no mercado interno?
Martins: No mercado interno, nós temos tudo pra crescer, embora a competição que a gente sofre hoje com a carne vermelha é bem séria porque ela também depreciou muito no que diz respeito ao preço. Mas mesmo assim, ainda vai crescer a quantificação de frango porque ele já ganhou o hábito do consumidor… Eu acredito que deva continuar essa briga de uma proteína com a outra até o final do ano, a menos que melhore muito a exportação da carne vermelha. Se melhorar bastante a exportação da carne vermelha, talvez ela sofra um aumento de preço sensível no mercado interno.
Informações retiradas do site CarneTec Brasil