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Diferenças entre os ovos de sistemas convencionais e alternativos

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Diferenças entre os ovos de sistemas convencionais e alternativos

A produção e o consumo de ovos vêm crescendo de forma constante ao longo dos anos. Isso se deve, em grande parte, ao valor nutricional do ovo, que contém uma cadeia completa de aminoácidos essenciais, nutrientes que o corpo humano não produz e precisa obter por meio da alimentação.

Antes considerado um vilão, o ovo hoje é considerado um alimento saudável. No entanto, é essencial que os consumidores conheçam os sistemas de criação das galinhas poedeiras, pois esses processos influenciam diretamente na qualidade do produto final, no bem-estar animal e na sustentabilidade da produção.

Um equívoco comum entre consumidores diz respeito à cor da casca do ovo, fenótipo que é determinado principalmente pela genética da ave, enquanto aspectos como o ambiente de criação, o manejo e a alimentação influenciam em características como a cor da gema, o sabor e o valor nutricional. Esses fatores também são determinantes para classificar os ovos como convencionais, caipiras ou orgânicos.

O sistema de criação utilizado também impacta o bem-estar das aves. Sistemas alternativos, como o caipira e o orgânico, oferecem condições que favorecem a expressão de comportamentos naturais das galinhas, como ciscar, empoleirar-se e botar ovos em ninhos. Nesses sistemas, as aves contam com mais espaço para se movimentar livremente e têm acesso a estruturas como cama, poleiros e áreas externas, o que contribui ainda para um melhor desempenho produtivo das aves. É preciso uma proteção especial para as aves, para que não sofram com predação e o atual confinamento devido à Influenza Aviária. Itens de enriquecimento ambiental podem ser úteis para diminuir o estresse das aves.

O sistema convencional é caracterizado pelo alojamento das galinhas em gaiolas, onde permanecem confinadas durante todo o ciclo produtivo, sem acesso a ninhos ou áreas para movimentação. As linhagens utilizadas nesse sistema, tanto brancas quanto vermelhas, são altamente produtivas. A alimentação é composta por rações balanceadas e o milho é o principal componente dessas rações, apresenta baixo teor de carotenóides, o que resulta em gemas com coloração mais clara.

Os ovos produzidos nos sistemas alternativos, como o Caipira, mantêm as aves dentro de galpões, mas livres de gaiolas e com acesso a ninhos e ainda podem ter acesso à área externa (piquetes) para pastejo, conforme norma ABNT 16.437/2016. As galinhas mantidas neste sistema devem ser alimentadas com dietas exclusivamente de origem vegetal, sem farinhas de origem animal e sem pigmentos artificiais na ração. Não é permitido receber medicamentos como antibióticos.

Seus ovos apresentam uma pigmentação da gema mais escura em função de receberem além das rações, outros produtos como pastagem, frutas e hortaliças. Esse pigmento também favorece que a casca seja mais resistente a trincas, fato que aumenta o tempo de prateleira. As galinhas vermelhas são maiores que as galinhas brancas, e, portanto, produzem ovos maiores. Os ovos vermelhos também são caracterizados comercialmente como mais caros, e isso é explicado que, por serem galinhas maiores, consomem mais ração, ocasionando um custo de produção mais elevado. Porém sobre a qualidade interna, não há diferença entre os ovos.

As aves recebem uma dieta composta exclusivamente por ingredientes orgânicos, livres de transgênicos e de origem vegetal, e não podem ser tratadas com antibióticos para fins profiláticos ou terapêuticos. Essas práticas visam garantir a integridade da produção e a segurança alimentar, respeitando os princípios da agropecuária orgânica.

Além dos cuidados com o bem-estar animal e a alimentação, a produção de ovos orgânicos também envolve rigorosos critérios nas etapas pós-produção, como o manuseio, a embalagem, o armazenamento e o transporte. Essas etapas devem seguir normas específicas para preservar a qualidade do produto e manter sua certificação como orgânico.

É importante destacar que a crescente preocupação da sociedade com a saúde e o bem-estar animal tem impulsionado a demanda por alimentos mais naturais e sustentáveis. Nesse contexto, os ovos orgânicos ganham espaço como uma escolha consciente, alinhada aos valores de responsabilidade social, ambiental e de cuidado com os animais.

Os fatores que influenciam a qualidade dos ovos ainda são alvo de divergências na literatura científica. Enquanto alguns autores apontam a nutrição e a idade das aves como os principais determinantes da qualidade interna e da resistência da casca, outros defendem que o sistema de criação também exerce influência significativa. Nestes últimos, argumenta-se que, em sistemas alternativos, onde as aves se movimentam mais livremente, há um maior direcionamento de nutrientes para a formação do ovo, o que poderia resultar em cascas mais resistentes.

Além desses aspectos, outros fatores como a linhagem genética das galinhas poedeiras, a densidade populacional nos galpões e as condições climáticas também são frequentemente mencionados como variáveis que afetam os parâmetros de qualidade dos ovos.

Essas variações demonstram que a qualidade do produto final está ligada não apenas ao sistema de criação, mas também a aspectos intrínsecos ao animal e ao ambiente em que ele é

mantido. Nesse contexto, o bem-estar animal torna-se um elemento-chave: quando as aves são criadas em condições que lhes permitem maior liberdade e a expressão de seus comportamentos naturais, isso não apenas favorece seu estado físico e mental, como pode repercutir positivamente na produtividade e qualidade dos ovos.

Além dos aspectos técnicos e produtivos, o valor ético associado ao bem-estar animal deve ser reconhecido como um critério legítimo de escolha por parte dos consumidores. Considerar o modo de criação das aves como um diferencial na compra de produtos de origem animal é uma forma de alinhar hábitos de consumo às preocupações com sustentabilidade, saúde e responsabilidade social.

Alimentação

O selênio e a vitamina E têm sido amplamente utilizados como enriquecedores na alimentação de galinhas poedeiras, com o objetivo de melhorar o valor nutricional dos ovos. Ambos os nutrientes atuam como antioxidantes naturais, contribuindo para a prevenção da formação de radicais livres no organismo e, consequentemente, auxiliando no retardamento do envelhecimento precoce.

Diversos estudos apontam resultados positivos quanto à suplementação de selênio na dieta das aves, com aumento significativo da concentração deste micromineral na gema dos ovos. É importante destacar que as fontes orgânicas de selênio demonstraram maior eficácia na incorporação do nutriente aos ovos, quando comparadas às fontes inorgânicas.

De forma semelhante, a suplementação com vitamina E também apresenta efeitos benéficos. Pesquisas indicam que essa vitamina contribui para a manutenção da produção de ovos em situações de estresse térmico, especialmente durante períodos de calor intenso. Além disso, foi observado um aumento linear nos níveis de vitamina E na gema, proporcional à quantidade suplementada na dieta.

De modo geral, a alimentação das aves é o principal fator determinante para características como o sabor, a cor da gema e o perfil nutricional dos ovos. Embora ainda não haja consenso científico sobre diferenças nutricionais significativas entre ovos oriundos de diferentes sistemas de criação, é sabido que aves mantidas em melhores condições de bem-estar — com menor nível de estresse e possibilidade de expressarem seus comportamentos naturais — tendem a apresentar melhor desempenho produtivo e maior resistência a doenças.

Além dos aspectos produtivos e nutricionais, o fator ético também deve ser considerado na escolha de produtos de origem animal. A preferência por alimentos provenientes de sistemas que respeitam as necessidades básicas dos animais reflete uma decisão de consumo mais consciente, alinhada aos princípios de saúde, bem-estar e responsabilidade socioambiental.

Referências sob consulta junto ao autor

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