Nutrição e Saúde Animal

Influência da ambiência na prevalência da Síndrome Ascítica

Para ler mais conteúdo de aviNews Brasil 2 TRI 2026

Influência da ambiência na prevalência da Síndrome Ascítica

A moderna avicultura industrial é caracterizada por linhagens genéticas de rápido crescimento e alta conversão alimentar. No entanto, esse progresso fisiológico aumentou a suscetibilidade dos frangos a distúrbios metabólicos, especialmente à síndrome ascítica (LARA; ROSTAGNO, 2022).

Essa síndrome, também conhecida como ascite, ocorre quando o fornecimento de oxigênio é insuficiente para suprir a elevada demanda metabólica das aves em crescimento acelerado, resultando em sobrecarga cardíaca (WIDEMAN, 2016).

Entre os fatores predisponentes, a ambiência desempenha papel central, influenciando diretamente a fisiologia respiratória e cardiovascular dos animais (ABREU; ABREU, 2013).

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Fisiopatologia da Síndrome Ascítica

A síndrome ascítica tem como base a hipertensão pulmonar progressiva, desencadeada principalmente pela hipóxia tecidual crônica

Esse processo fisiopatológico aumenta a resistência vascular pulmonar e à hipertrofia do ventrículo direito, culminando em insuficiência cardíaca com consequente a cúmulo de fluido na cavidade abdominal e apresenta custo fisiológico elevado (JULIAN, 2000; WIDEMAN, 2016).

O aumento da resistência vascular pulmonar causa elevação da pressão nas artérias pulmonares, o que pode resultar em ruptura de capilares e extravasamento do plasma. Alterações estruturais no sistema cardiopulmonar podem ter início ainda na fase embrionária, sendo agravadas por fatores ambientais adversos no período pós-eclosão (ABREU; ABREU, 2013).

Fases da Fisiopatologia da Síndrome Ascítica:

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Fatores Ambientais Determinantes

O ambiente no qual os frangos são incubados e criados exerce grande influência significativa na ocorrência da síndrome ascítica. 

Durante a incubação, especialmente entre o 18º e o 21º dia, quando o embrião passa a respirar ar atmosférico por meio do sistema pulmonar (JULIAN, 2000; ABREU, ABREU, 2013), a ventilação inadequada, principalmente por acúmulo de CO² e baixa taxa de oxigênio pode resultar em hipóxia embrionária, devido à dificuldade da troca de ar entre embrião e ambiente, comprometendo o desenvolvimento pulmonar e cardíaco (LARA; ROSTAGNO, 2022).

Além disso, temperaturas acima de 38,3°C no nascedouro elevam o metabolismo basal, exacerbando a demanda por oxigênio e predispondo à hipertensão pulmonar (ABREU; ABREU, 2013).

Resumo prático:

No aviário, a ventilação inadequada eleva as concentrações de CO² e amônia, agravando a hipóxia e promovendo inflamação crônica nas vias respiratórias (WIDEMAN, 2016). 

A superlotação intensifica esses efeitos ao dificultar a dissipação térmica, compromete a qualidade do ar e aumenta o estresse favorecendo a incidência da doença (JULIAN, 2000).

O fato em que na maioria das vezes só nos atentamos pela temperatura desejada no alojamento pode determinar a falta de sucesso na criação.

A não utilização de sensores para aferir estes gases, levam a erros cruciais na qualidade do ar fornecido as aves e consequentemente ocasionam danos ao sistema cardiovascular.

Aves adultas predispostas a fatores de alta temperatura e não controle da umidade também acabam por agravar o quadro já existente.

Estratégias de Prevenção Baseadas em Ambiência de Precisão

O uso de tecnologias digitais, como IoT (Internet das Coisas) e IA (inteligência artificial), permite o monitoramento e cruzamento de dados fornecidos por técnicos e adquiridos por sensores distribuídos pelo aviário, possibilitando o controle em tempo real dos parâmetros ambientais críticos, como temperatura, umidade, CO₂ e NH₃ (MOURA et al., 2023).

A ambiência de precisão atua de forma preventiva, antecipando distúrbios térmicos e realizando ajustes automáticos em sistemas de ventilação, aquecimento e nebulização (LIU et al., 2021). 

Essas tecnologias contribuem para:

através do correto tratamento da qualidade do ar no ambiente das aves.

A adoção de parametrizações personalizadas para cada tipo de aviário, traz junto a “IA”, uma melhor eficácia do sistema, possibilitando ajustes pontuais, monitoramento a distância e através de sua leitura proporcionar o máximo de conforto, tendo todos os fatores ambientais como parâmetros lógicos e em tempo real.

A integração dessas ferramentas com estratégias nutricionais e genéticas representa uma abordagem promissora para mitigar a síndrome ascítica na avicultura moderna.

Considerações Finais

A síndrome ascítica permanece como um desafio multifatorial na produção de frangos de corte, exigindo controle rigoroso da ambiência desde a incubação até o abate.

A parametrização correta do sistema leva ao controle tanto da temperatura como principalmente da qualidade do ar no ambiente das aves. A alta tacha de CO² em muitos casos se dá como principal fator a falta de sensores e de não emitir cheiro, tornando difícil sua detecção.

Já o gás amônia (NH3), pode ser detectado pelos humanos a partir de 20ppm e sentida pelas aves a partir de 10ppm, quando não feito o tratamento adequado do ar, eleva as chances de surgimento da ascite entre outros efeitos negativos.

O uso de tecnologias como sensores ambientais, automação e inteligência artificial amplia as possibilidades de prevenção, promovendo ganhos no bem-estar animal e na eficiência produtiva (MOURA et al., 2023). 

Assim, investir em ambiência de precisão não é apenas uma estratégia de manejo, mas um requisito essencial para garantir sustentabilidade e a competitividade da avicultura industrial moderna.

 

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