No encontro três importantes protagonistas da indústria avícola argentina – como Joaquín De Grazia, CEO da Granja Tres Arroyos; Franco Santangelo, presidente do Frigorífico de Aves Soychú; e Héctor Motta, titular do Grupo Motta – concordaram que, com um consumo interno de 45 quilogramas de carne de frango, atingiu-se o teto.
Líderes avícolas argentinos: Consumo interno de frango atinge teto
Três protagonistas da indústria avícola argentina concordaram que o consumo interno da carne de frango atingiu o teto e o apoio governamental é vital para a exportação de seus produtos.
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No último dia 10 de abril, na Bolsa de Cereais de Buenos Aires, Argentina, foi realizada a “Jornada Indústria Avícola 2018”. No evento estiveram presentes as principais referências da avicultura argentina.
Segundo os números do Ministério da Agroindústria, em 2017 o setor alcançou uma produção de 2,11 milhões de toneladas de carne de aves, das quais exportou-se aproximadamente 200 mil toneladas, menos de 10% do total da produção, pela falta de competitividade e os baixos preços do mercado internacional. – Diario La Jornada.
Os três líderes da indústria avícola argentina, em suas falas, reclamaram uma estratégia conjunta com o governo para elevar essa baixa participação das exportações de carne de frango, que até pouco tempo era de 20%, para poder retomar o ritmo ascendente da produção sem saturar o mercado local.
O CEO da Granja Tres Arroyos, Joaquín De Grazia, manifestou que “Chegamos a um teto de consumo de 45 quilos anuais de carne de frango por habitante, a partir do subsídio que a indústria deu ao consumidor através do prelo; o desafio que nos resta agora é colocar nossos produtos no exterior”.
Nesta linha, o Sr. Héctor Motta reclamou maior consideração dos servidores governamentais em relação ao setor avícola que, segundo diversos estudos, é capaz de gerar US$1.000 milhões ou mais em receitas.
Além disso, o Sr. Motta acrescentou que “A barriga dos argentinos está cheia; saber que há um teto nos obriga a observar permanentemente o mercado internacional; porém, ainda não encontramos diálogo permanente que nos permita explicitar este desafio”.
Por outro lado, pela primeira vez, o CEO da Granja Tres Arroyos, Joaquín De Grazia, confirmou publicamente a aquisição recente da empresa Cresta Roja.
“A Argentina, por suas condições especiais, deveria ser um grande ator do comércio internacional de aves”, avaliou o Sr. De Grazia, lamentando que, pelos altos custos internos atuais da Argentina, o país não pode competir em um mercado global dominado pelo Brasil.
“Nós não queremos falar de tipo de câmbio, então falemos de preços relativos; é caro fazer tudo na Argentina e é mais barato fazê-lo fora”, desabafou. Também comparou o custo salarial de um empregado da indústria avícola no Brasil, de cerca de US$1.000 mensais, com os U$S2.500 que se deve pagar na Argentina.
O empresário também negou que as retenções à soja (que barateiam consideravelmente o custo da alimentação dos frangos) possam ser consideradas um subsídio ao setor: “Por retenções à soja economizamos aproximadamente US$18 milhões, porém pagamos US$60 milhões por ano em maiores custos laborais”.
Em virtude disso, o Sr. Motta afirmou que “para investir não só é necessário ter a visão de um negócio, como também temos que ter respaldo creditício”.
O presidente do Frigorífico de Aves Soychú, segundo maior grupo processador de frangos da Argentina, Franco Santangelo, foi mais alentador. “Minha visão é que o governo quer fazer um monte de coisas, porém não pode; se está indo bem, vai acomodando os muitos para poder baixar o custo argentino”.
Para concluir, os empresários prognosticaram uma melhora das condições da indústria avícola para o segundo semestre do ano, devido ao fato de esperar maior poder aquisitivo da população e melhora dos preços internacionais da carne de aves.