A conjuntura mundial coloca a redução do uso de antibióticos como um caminho sem volta. E apesar de ser um debate que vem ocorrendo há pelo menos duas décadas, ainda impõe grandes desafios para muitos países. Pesquisadores apontam que, precisamente, países com grandes problemas de superbactérias são os mesmos que têm altos índices de utilização de antimicrobianos na produção animal.
McDonald’s começa a banir uso de antibióticos em frango
A decisão da rede McDonald's complementa o movimento iniciado no mercado americano em 2016 e se aplica a drogas que também são usadas na medicina humana.
O Jornal Valor Econômico divulgou nesta quinta-feira (24/8), que a partir de 2018, a rede de fast food McDonald’s começará a limitar o uso de antibióticos em sua cadeia global de fornecedores de frango. A discussão sobre a redução do uso de antibióticos como promotores de crescimento ocupa cada vez mais espaço no mercado da produção de carne de aves no mundo todo.
Em abril desse ano, o Conselho Internacional de Avicultura (IPC, sigla em inglês), adotou uma posição global pelo uso responsável e eficaz de antibióticos na produção avícola mundial. A decisão pelo alinhamento entre os países associados à organização – que reúne 84% da produção avícola mundial – ocorreu durante encontro realizado no fim de abril, em Cartagena, na Colômbia.
A decisão da rede McDonald’s complementa o movimento iniciado no mercado americano em 2016 e se aplica a drogas que também são usadas na medicina humana, chamadas de Antimicrobianos da Mais Alta Prioridade Criticamente Importante (HPCIA, na sigla em inglês) pela Organização Mundial de Saúde (OMS).
Em 2018, os HPCIAs serão eliminados da criação de aves no Brasil, Canadá, Japão, Coreia do Sul, Estados Unidos e Europa. A exceção será para o antibiótico colistina na Europa. Essa política incluirá Austrália e Rússia até o final de 2019, quando a colistina na Europa for gradualmente eliminada.
A medida deve estar totalmente implementada pela rede McDonald’s até janeiro de 2027, embora afirme que o objetivo é ter essa política adotada antes dessa data. De acordo com os Centros para Controle e Prevenção de Doenças dos EUA, os CDCs, pelo menos dois milhões de pessoas são infectadas no país com bactérias resistentes a antibióticos todos os anos, levando a cerca de 23 mil óbitos. Estimativas apontam que, em algumas décadas, as superbactérias serão mais letais do que câncer.
Com informações do Jornal Valor Econômico e Isto É Dinheiro