Mauricio Moraes – Sócio e líder da indústria de Agribusiness da PwC Brasil
Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 2021 houve uma queda de 7,8% no abate de bovinos ante 2020, principalmente devido à diminuição da demanda doméstica em tempos de redução do poder de compra dos consumidores. Contudo, a população encontrou nos mercados de suínos e frangos, alternativas para proteínas animais de menor custo, fazendo com que o indicador de abate desses animais apresentasse aumento de 7,3% e 2,8%, respectivamente.
A carne de frango é a principal proteína na mesa dos brasileiros. Esta apresenta uma diversidade de cortes e produtos no varejo, além de se beneficiar de um posicionamento na área médica, em relação aos efeitos da gordura animal e do colesterol, o que a configura como uma carne saudável, branca e magra. O Brasil é o terceiro maior produtor mundial, com 13,8 milhões de toneladas em 2020, atrás de EUA, União Europeia e China. Além disso, nosso país é o principal exportador mundial, direcionando mais de 30% ao mercado externo para países da Ásia e Oriente Médio. Os dados para ambas as proteínas foram retirados do relatório anual de 2021, referente a 2020 da ABPA, Associação brasileira de Proteína Animal.
Os dados históricos de produção do relatório demonstram um crescimento considerável dos dois setores nos últimos anos. Analisando o período de 2010 a 2020, a produção de suínos cresceu cerca em 27%, enquanto a de frangos 11,5%. Isso foi possível graças a um aumento da oferta de crédito para investimento rural e adoção constante de novas tecnologias em genética e nutrição, que tem proporcionado a criação de animais com maior rendimento. Aliado a uma gestão informatizada e infraestruturas mais modernas, produtivas e autônomas, que busquem diferenciais de sanidade e bem-estar animal, foi possível incrementar a produção.
Já do lado da demanda, os números foram puxados principalmente pelo mercado asiático, o qual espera-se que dobre seus gastos com alimentos de US$ 4 trilhões em 2019, para mais de US$ 8 trilhões até 2030, segundo o relatório “The Asia Food Challenge: Understandind the New Asian Consumer” de 2021. Isso comprova o foco em negócios no lado oriental do mundo para países exportadores de commodities, como o Brasil. Mas, como adequar as cadeias agroalimentares para atender a essa crescente demanda?
É preciso analisar o consumidor asiático. Esse, atualmente, possui mais discernimento em relação aos alimentos que ingere, influenciado principalmente pelas mudanças climáticas e aumento de renda. As prioridades dos consumidores asiáticos mudaram, ainda segundo este relatório, mais da metade dos entrevistados não escolhe seus alimentos somente por “preço” e “gosto”, mas buscam atributos adicionais que incrementem valor ao produto.
Os consumidores asiáticos estão optando por estilos de vida e hábitos de consumo mais saudáveis e sustentáveis, e com segurança alimentar, exigindo mais responsabilidade de suas fontes de alimentos. Além disso, opções de comida com maior comodidade, como refeições prontas e opções para compras online, diversificando seus canais, estão entre os novos hábitos de consumo.
As organizações precisam aplicar esforços para entenderem o dinamismo das relações de negócios no mercado atual e principais consumidores, e assim, conseguirem direcionar seus investimentos em inovações e tecnologias que capturem oportunidades na cadeia de valor e reforcem seu posicionamento.
Mauricio Moraes – Sócio e líder da indústria de Agribusiness da PwC Brasil
Fabio Pereira – Gerente sênior e especialista em Agribusiness da PwC
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