Apesar do aumento nos custos de produção, influenciado pelo preço do milho, o plantel brasileiro de aves foi de 1,35 bilhões de cabeças em 2016, ou seja, um crescimento de 1,9% em relação ao ano anterior. O dado foi apresentado hoje (28/9), pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), dentro da Pesquisa da Pecuária Municipal – PPM.
Segundo o estudo, a perda do poder aquisitivo dos brasileiros levou a um incremento no consumo da carne de frango, considerada uma fonte de proteínas mais acessível do que a carne bovina ou suína. Em 2016, o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil caiu 3,6% e o valor adicionado da agropecuária teve retração de 6,6%, conforme indicaram as Contas Nacionais Trimestrais do IBGE.
O gráfico demonstra um crescimento constante do efetivo no plantel brasileiro de aves (galináceos) desde 2007, com uma única interrupção em 2012, ano em que a agropecuária passou por cenário desfavorável, principalmente em função das variações climáticas
O plantel brasileiro de aves apontado pelo Instituto abrange galos, galinhas, frangos, pintos e pintainhas. O número de galinhas poedeiras foi de 218,73 milhões de cabeças em 2016 (16,2% do efetivo de galináceos), representando uma redução de 1,5% em comparação a 2015.
O levantamento reafirma o que já é sabido por todo o setor, ou seja, a Região Sul destaca-se na produção e abate de frangos, tendo sido responsável por 45,3% do total do efetivo de 2016. O Sul do País foi também responsável por 60,3% do abate de frangos (Cartograma 4), e por 75,1% das exportações de frango in natura, segundo a Secretaria de Comércio Exterior (Secex).
A segunda região de maior destaque em número em relação ao plantel brasileiro de aves é a Sudeste, com 26,6% dos galináceos do país, seguida pela região Centro-Oeste, com 12,8%, Nordeste, com 11,6%, e Norte, com 3,8%.
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Os estados com os maiores contingentes de galináceos em 2016 foram o Paraná (24,8%), São Paulo (14,6%), Santa Catarina (10,4%) e Rio Grande do Sul (10,2%). Na comparação com 2015, dos quatro principais estados, apenas Santa Catarina apresentou redução desse efetivo (2,8%).
Enquanto isso, Brasília (DF) apresentou o maior efetivo, com 15,66 milhões de cabeças, seguido dos Municípios de Bastos (SP), com 14,29 milhões, Santa Maria do Jetibá (ES), com 13,39 milhões, Uberlândia (MG), com 13,34 milhões, e Nova Mutum (MT), com 12,81 milhões de cabeças. Em 2016, 5 464 municípios apresentaram criação de galináceos na data de referência da pesquisa (31/12/16).
O Cartograma ilustra a relação entre o efetivo e o abate de galináceos nas 27 Unidades da Federação.
Abates e Exportações
O volume de abates de animais também apresentou crescimento em 2016, comparativamente a 2015. Segundo a Pesquisa Trimestral do Abate de Animais, em 2016 foram abatidas 5,86 bilhões de unidades (+1,1%), gerando uma produção total de 13,23 milhões de toneladas de carcaças (+0,7%). Vale destacar que a PPM coleta os dados do efetivo alojado nas granjas no último dia do ano de referência (31/12/16), e, devido ao curto ciclo de produção do frango de corte, o total abatido durante o ano é muito maior que o efetivo divulgado na pesquisa.
De acordo com a SeCex, as exportações de carne de frango in natura totalizaram 3,96 milhões de toneladas, gerando uma receita de US$ 5,9 bilhões em 2016.
O Brasil manteve o status de maior exportador mundial do produto, de acordo com o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA – sigla em inglês). Os principais destinos da carne de frango brasileira foram Arábia Saudita, China e Japão.
A ausência da gripe aviária, em meio a surtos na Europa, Ásia e África, aliada à qualidade da carne e ao Real desvalorizado, contribuíram para esse cenário.
Codornas
Enquanto a crise levou os brasileiros a consumirem mais carne de frango, o mesmo não se deu em relação aos produtos de codornas. A perda do poder aquisitivo da população provocou a redução na demanda por ovos e pela carne de codorna.
Com isso, os produtores reduziram seus efetivos para conter os custos e o plantel de codornas, em 2016, sofreu uma redução de 20,4% em relação ao ano anterior, chegando a 15,1 milhões de aves.
Segundo o levantamento do IBGE, a redução foi observada em todas as regiões. Porém, com maior proporção no Sudeste, onde se concentra a maior parte do plantel, e que respondeu por 67,0% do efetivo brasileiro.
Mesmo mantendo a liderança, o efetivo de codornas no estado de São Paulo sofreu uma queda de 35,8%, comparado a 2015. Além da crise econômica, os produtores alegaram problemas sanitários, que levaram ao descarte de aves, e a migração da atividade para outros municípios por condições mais vantajosas à atividade.
O Espírito Santo foi o segundo maior produtor do País, mas também registrou queda de 4,2% na população dessas aves.
A Região Sul registrou uma queda de 2,9%, com uma retração de 10,1% em Santa Catarina e 17,0% no Paraná. O Rio Grande do Sul, por sua vez, aumentou seu plantel em 27,5%.
O Nordeste teve uma retração de 12,2%, com perdas no Ceará (33,1%) e Pernambuco (3,12%). Os dois Estados são responsáveis por mais da metade da população de codornas da região.
O Centro-Oeste apresentou uma redução de 19,4% em comparação ao ano precedente. Goiás, o estado onde se encontravam 63,1% do plantel regional, registrou uma queda de 24,0%, enquanto Mato Grosso do Sul teve um incremento de 0,8% do efetivo.
O Norte teve uma retração de 5,3%, sendo que em Rondônia, estado responsável por metade da população de codornas da região, foi registrada uma redução de 5,0% no plantel. O Amazonas (+29,7%) ultrapassou Pará (-31,3%) e ocupou a segunda colocação.
O município com o maior plantel de codornas foi Santa Maria do Jetibá (ES), seguido por Suzano (SP), Bastos (SP), Mogi das Cruzes (SP) e Perdões (MG).
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