
A coccidiose aviária, enfermidade provocada por protozoários do gênero Eimeria spp., é uma “velha conhecida” da avicultura de corte intensiva. Pode-se afirmar que, mesmo com estratégias consolidadas de controle, que é o caso dos anticoccidianos, que estão em uso pela avicultura há um bom tempo, ainda é uma doença que possui oportunidades para seu melhor controle.
VACINAS
Quando se avalia a totalidade do plantel brasileiro, as vacinas de coccidiose para frangos de corte ainda são pouco empregadas, normalmente apenas para atender alguns poucos nichos de mercado.
Os autores encontraram maior predominância de microrganismos dos filos Firmicutes e Proteobacteria no microbioma cecal do grupo vacinado para coccidiose, quando comparado ao grupo que recebeu salinomicina.
O filo Proteobacteria inclui uma ampla variedade de bactérias patogênicas, o que, segundo os autores, pode explicar o pior desempenho do grupo vacinado para coccidiose.
DIFICULDADES
Um exemplo claro desta falha de estratégia de rodízio que acontece aqui no Brasil é a sequência, programa após programa, do uso de salinomicina seguido pelo uso de monensina nas fases de crescimento, ambas moléculas pertencentes à mesma classe de ionóforos (monovalentes).
A necessidade da rotação dos ionóforos está embasada em 2 pontos principais e estes pontos são amplamente abordados em literatura de referência sobre o assunto:
1º PONTO
Logo após o lançamento da monensina, o primeiro ionóforo disponibilizado ao mercado avícola norte- americano em 1971, Weppelman et al. (1977), mostrara evidências de resistência cruzada dentro da mesma classe de ionóforo.
Após alguns anos de uso do ionóforo monovalente monensina, a resistência à narasina (também um ionóforo monovalente) nos EUA foi encontrada em Eimeria tenella antes mesmo que essa molécula fosse comercialmente lançada neste mercado.
2º PONTO
Explorar as fortalezas dos ionóforos em termos de eficácia anticoccidiana frente às principais espécies de Eimeria spp. que parasitam o intestino de frangos de corte.
Um ponto importantíssimo a ser considerado em programas anticoccidianos à base de ionóforos (sozinhos ou em associações com nicarbazina) é a eficácia do ionóforo para as diferentes espécies de Eimeria.
Dependendo da espécie de eimeria avaliada, os produtos se comportam de maneira diferente, tanto para desempenho zootécnico quanto para escores de lesão.
Especificamente neste estudo, os ionóforos mais eficazes foram:
FORTALEZAS DOS IONÓFOROS
De forma geral, considerando os estudos de eficácia (bateria e piso) conduzidos no desenvolvimento dos ionóforos com cepas de eimerias que não tinham sido muito expostas aos anticoccidianos, o que pode ser observado são as seguintes fortalezas dos ionóforos:
PESQUISAS DE CAMPO
Através do programa de monitoria com necropsias em frangos de corte (AVIS® – Assistência Veterinária e Integralidade Sanitária), a Phibro e alguns de seus clientes que utilizam a plataforma coletam, dentre outros, dados da ocorrência e escore de lesão das três principais coccidioses para frango de corte.
Mesmo selecionando outros períodos dentro da nossa base de dados (os dados começaram a ser compilados em 2019), a frequência de ocorrência e os escores médios são muito semelhantes, sendo Eimeria acervulina a mais prevalente e a que possui os escores médios de lesão mais altos.
Tabela 1. Frequência de lesões de coccidiose e escores médios de lesão de coccidiose em frangos de corte monitorados pelo sistema AVIS – Assistência Veterinária e Integralidade Sanitária – Phibro, no período de Outubro de 2020 à Março de 2021 (programa de verão).
Estudo conduzido pela Phibro no ano de 2017 (Estudo Interno BRT 134-127), com várias associações de nicarbazina e ionóforos disponíveis no mercado nacional nas doses de registro e com cepas de eimerias de campo do Brasil, mostrou que as associações de nicarbazina com ionóforos monovalentes já não estão fazendo um bom controle das lesões ocasionadas por Eimeria acervulina quando comparadas ao grupo controle (Figura 1).
Figura 1 – Escore de lesão de coccidiose*– Eimeria acervulina em frangos de corte aos 23 dias de idade (6 dias pós inoculação com desafio pesado de coccidiose). Estudo BRT 134-127.
*escores de lesão de coccidiose de acordo com Johnson, Reid, 1970. Médias com letras diferentes são estatisticamente significantes pelo Teste de Tukey (P<0,05). Tratamentos do estudo. Controle – Inoculado e não tratado; N+SEM-550 – Nicarbazina + Semduramicina na dose de 550 gramas/ ton de ração; N+SEM-600 – Nicarbazina + Semduramicina na dose de 600 gramas/ ton de ração; N+MONOV 1 625 – Nicarbazina + Ionóforo Monovalente 1 na dose de 625 gramas / ton de ração; N+GLICOS 500 – Nicarbazina + Ionóforo Monovalente Glicosídico na dose de 500 gramas / ton de ração; N+MONOV 2 625 – Nicarbazina + Ionóforo Monovalente 2 na dose de 625 gramas / ton de ração; N+MONOV 3 500 – Nicarbazina + Ionóforo Monovalente 3 na dose de 500 gramas / ton de ração;
Observem que as associações de nicarbazina com os ionóforos monovalentes 1 e 2 não diferiram do grupo controle (infectado e não tratado).
A associação de nicarbazina com semduramicina (ionóforo da classe monovalente glicosídico) na dose registrada de 600 gramas / tonelada foi a associação mais eficaz em reduzir os escores de lesão para Eimeria acervulina nesse estudo.
Esses dados sugerem que os ionóforos monovalentes, que deveriam ter alta eficácia para Eimeria acervulina, estão com sua eficácia reduzida muito provavelmente pelo uso intensivo, sem rotações apropriadas e sem descanso.
MELHORIA DO CONTROLE
Existe oportunidade técnica de melhorar o controle da coccidiose e, por consequência, o desempenho zootécnico dos plantéis de frango de corte, oportunidade de planejar a estratégia de uso dos anticoccidianos de modo a fazermos rotações de fato e isso, necessariamente, passa pelo conceito de rodízio de anticoccidianos ionóforos (quer seja em associações com nicarbazina, ou sozinhos), considerando sua classe e perfil de eficácia.
Estudo interno Phibro. Código BRT 134-127 (2017).
J. Johnson, W.M. Reid. Anticoccidial drugs: lesion scoring techniques in battery and floor-pen experiments with chickens. Exp Parasitol, 1970 28(1):30-6.
N.B. Logan, M.E. Mckenzie, D.P. Conway, L.R. Chappel, N.C. Hammet. Anticoccidial efficacy of semduramicin. 2. Evaluation against field isolates including comparisons with salinomycin, maduramicin and monensin in battery tests. Poultry Science Volume 72, 1993.
C. Orso, T.B. Stefanello, C.H. Franceschi, M.B. Mann, A.P.M. Varela, I.M.S. Castro, J. Frazzon, A.P.G. Frazzon, I. Andretta, A.M.L. Ribeiro. Changes in the ceca microbiota of broilers vaccinated for coccidiosis or supplemented with salinomycin. Poultry Science, Volume 100, Issue 4, 2021.
R.M. Weppelman, G. Olson, D.A. Smith, T. Tamas, A. Van Iderstine. Comparison of anticoccidial efficacy, resistance, and tolerance of narasin, monensin and lasalocid in chicken battery trials. Poultry Science, Volume 56, Issue 5, 1977.
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