O segundo dia do II Seminário Hy-Line White para América Latina foi encerrado, na programação da manhã, com um alerta enfático de Fernando Vargas, Diretor Técnico Global de Avicultura da MSD.
Sem sorologia contínua, dados de campo e plano vacinal bem executado, o controle de doenças respiratórias em poedeiras torna-se apenas uma reação tardia — e não uma estratégia real de prevenção.
“Sanidade não é só vacina. E vacinação não pode ser só uma aplicação”, afirmou Vargas. “A gente precisa entender quando a vacina funciona, e isso só é possível se você tem uma leitura contínua da resposta imunológica no lote. Senão, a gente vai simplesmente acelerando sem saber se o volante está funcionando”, completou.
Segundo o palestrante, o uso racional da sorologia deve ser encarado como parte do processo de vigilância sanitária. “Se algo acontecer com o lote, você tem um banco de soros armazenado. Volta nele e entende o que houve. Isso é ferramenta de gestão. Não dá pra ficar apenas estalando vacina sem saber se está funcionando.”
Vargas também alertou sobre a complexidade crescente dos desafios respiratórios na avicultura latino-americana. “Estamos lidando com diferentes genótipos, com variação de linhagens de vírus, e a realidade muda de uma região para outra. Não existe controle padronizado para isso. O programa vacinal precisa considerar o tipo de desafio, o histórico sanitário da granja e a qualidade da resposta imunológica.”
Ele destacou ainda que, mesmo com bons programas vacinais, falhas operacionais são frequentes. “Vacinas bem formuladas não resistem a má diluição, falha no reforço, intervalo incorreto entre doses. Muitas vezes o que chamam de ‘falha vacinal’ é, na verdade, falha de execução.”
O especialista apresentou ainda dados recentes sobre diferenças observadas em testes de monitoria sorológica, com variações relevantes entre lotes vacinados de maneira teoricamente igual.
“A variabilidade de títulos de anticorpos entre animais de um mesmo plantel indica falhas na homogeneidade da aplicação ou na resposta individual. Isso impacta diretamente na proteção de rebanho.”
Outro ponto levantado foi o erro de se vacinar sem definir objetivos claros. “O que você quer proteger? Qual o momento mais crítico do desafio? Isso precisa estar definido no protocolo. E o protocolo precisa ser seguido.”
Vargas concluiu sua fala reforçando o papel do time técnico na leitura dos dados de campo. “Sanidade é investimento. Mas não basta gastar — é preciso saber onde, quando e por que. Sem leitura técnica, sem monitoria e sem resposta às variáveis do campo, o controle vira aposta. E aposta, na avicultura moderna, custa caro.”
O II Seminário Hy-Line White para América Latina ocorre pela primeira vez no Brasil, reunindo mais de 300 participantes do Brasil e América Latina, com foco técnico em genética, nutrição, manejo, sanidade e inteligência de mercado.
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