Muitas perdas produtivas associadas ao micoplasma poderiam ser evitadas com estratégias diagnósticas mais criteriosas e decisões técnicas melhor fundamentadas.
O alerta foi dado pelo Dr. Javier Uriarte, Gerente Global de Serviços Técnicos – Avicultura da Eco Animal Health, em palestra realizada durante o II Seminário Hy-Line White América Latina. Segundo ele, Mycoplasma gallisepticum (MG) e Mycoplasma synoviae (MS) seguem afetando a produção de forma significativa, mas parte do problema está na forma como são monitorados, interpretados e combatidos.
“Se você tem cem pesos, o micoplasma rouba trinta. Aí vem outro desafio sanitário e leva mais vinte. No final, você perdeu metade da produtividade”, , comparou Uriarte, ao destacar como o patógeno atua de forma silenciosa e comprometedora.
Focando especialmente no MS, ele lembrou que se trata de um microrganismo com alta capacidade de adaptação, que muda sua estrutura superficial para escapar do sistema imune. “Quando o corpo produz anticorpos, o micoplasma já não é mais o mesmo. Por isso, não há correlação direta entre o título de anticorpos e a proteção. Ter anticorpos não quer dizer estar protegido.”
Para Uriarte, o controle eficaz exige precisão nas diferentes etapas do diagnóstico, desde a coleta das amostras até a análise dos resultados. “A maior parte dos erros está no processo, não no exame em si”, explicou.
Ele alertou para práticas comuns que podem comprometer os resultados, como coleta com hisopos de madeira e mistura de material de diferentes aves em uma única amostra. “O ideal seria usar hisopos de plástico. E, se forem coletadas amostras de cinco aves, que se processem separadamente as cinco amostras, e não tudo junto.”
Sobre a transmissão do patógeno, o especialista desmontou um equívoco recorrente ao mostrar que apenas entre 3% e 5% dos pintinhos oriundos de matrizes positivas nascem contaminados por transmissão vertical. A preocupação maior, segundo ele, deve estar na disseminação horizontal entre lotes, especialmente quando há aves infectadas assintomáticas.
Outro ponto importante da palestra foi a abordagem sobre vacinação. Uriarte destacou que existem diferentes tipos de vacinas e que sua utilização deve ser avaliada de forma criteriosa, considerando o histórico da granja, os riscos sanitários e o perfil do desafio.
Ele também enfatizou que a proteção conferida depende do tipo de vacina aplicada, da via de administração e da consistência do programa adotado. “Não existe uma única base para tomada de decisão. O que vale para uma situação pode não servir para outra. É necessário entender o contexto de cada granja e trabalhar com consistência”, reforçou.
Ao encerrar, Uriarte destacou a importância de se adotar uma abordagem estratégica para controle do micoplasma, com alinhamento entre equipe técnica, laboratório e planejamento sanitário contínuo. “Não se trata apenas de controlar um agente, mas de evitar que ele siga comprometendo a saúde das aves e a produtividade do sistema como um todo.”
O II Seminário Hy-Line White para América Latina ocorre pela primeira vez no Brasil, reunindo mais de 300 participantes do Brasil e América Latina, com foco técnico em genética, nutrição, manejo, sanidade e inteligência de mercado.
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