
27 ago 2018
Especialistas destacam biosseguridade em workshop sobre Salmonella
Especialistas destacam a necessidade de medidas de biosseguridade e controle de campo para a Salmonella na avicultura durante Workshop realizado […]
Especialistas destacam a necessidade de medidas de biosseguridade e controle de campo para a Salmonella na avicultura durante Workshop realizado em Campinas (SP). Trata-se de um patógeno que mobiliza as atenções dos setores produtivos de proteína animal no mundo todo e, em 2016, foi gerador de 94.530 casos nos Estados Membros da União Europeia.
A Salmonella na Avicultura foi o tema do Workshop gratuito promovido pela a APA (Associação Paulista de Avicultura), CDA (Coordenadoria de Defesa Agropecuária) e FACTA (Fundação APINCO de Ciência e Tecnologia Avícolas). Realizado no IAC (Instituto Agronômico de Campinas – SP), o evento esgotou as 200 vagas disponíveis, semanas antes do encerramento do prazo de inscrições.
Durante o Workshop, o consenso entre os especialistas participantes foi de que a redução da Salmonella é necessária, porém, não deverá acontecer do dia para a noite. Segundo eles, a tarefa de reduzir a presença do patógeno na avicultura brasileira é de todos os atores envolvidos na atividade, sendo necessária a realização de sorologia e identificação da Salmonella.
Da esquerda para a direita: Cristiano Pereira, Edir Nepomuceno, Ângelo Berchieri, Luciano Lagatta, Paulo Martins e José Roberto Bottura
José Roberto Bottura, Diretor Técnico da APA, acompanhou o Workshop e acredita que a ocasião foi de grande utilidade para reciclar o que já se sabe sobre o controle da Salmonella e recordar os princípios fundamentais da biosseguridade.
O médico veterinário Paulo César Martins, da Biocamp, falou sobre o histórico da biosseguridade voltada para a Influenza Aviária, destacando que o problema brasileiro continua sendo as salmonelas. “Nossa principal arma para tratar a salmonela é a biosseguridade“, destacou Martins. “Precisamos monitorar cada etapa da produção”, asseverou.
O professor titular do Departamento de Patologia Veterinária da Unesp, Dr. Ângelo Berchieri Júnior, foi o responsável por abordar a epidemiologia básica da salmonelose. “Temos que trabalhar com pintos de um dia livres de Salmonella“, destacou Berchieri. “Se a bactéria já está presente no primeiro dia da produção, vai ser muito mais difícil resolver o problema“, completou.
Para Berchieri, os antibióticos não devem ser usados para tratar a Salmonella. “Eles não são a solução e vão, no máximo, esconder o patógeno”, destacou. O professor lembrou ainda que o alimento das aves também é uma importante porta de entrada da Salmonella e precisa ser monitorado.
Edir Nepomuceno, da Ghenvet, foi o responsável por recordar os princípios fundamentais da biosseguridade e alertou: “não tente fazer amizade com as salmonelas“. Ele destacou a necessidade de os produtores possuírem um plano de ação para o caso de resultado positivo para Salmonella e destacou três pontos para os quais os produtores devem estar atentos: o pintinho adquirido, a ração/alimento e o ambiente, com atenção especial para o controle de cascudinhos e roedores.
O gerente regional da Cobb-Vantress em Chapecó (SC), Cristiano Pereira (Cobb), falou sobre ferramentas de controle no campo. Segundo ele, o mais importante é a atitude das pessoas que vão trabalhar no controle do patógeno. “Os especialistas precisam saber executar o plano de prevenção”, salientou Pereira.

Professora Anderlise Borsoi
A médica veterinária, Anderlise Borsoi, professora da Universidade Tuiuti do Paraná, abordou o tema “Legislações ligadas ao controle das salmonelas“. Especialista em Produção, Higiene, Tecnologia e Inspeção de Produtos de Origem Animal, ela destacou que toda a legislação para Salmonella no Brasil é feita pensando na saúde pública.
“E com todas as legislações existentes atualmente, qualquer sorovar de Salmonella é importante“, salientou Anderlise. Segundo ela, só é possível exportar graças a todas as regras existentes, porém, as regras devem ser possíveis de serem cumpridas. “Então, é preciso ensinar também a cumprir (a legislação)”, salientou.

Mario Sergio Assayag
Segundo o médico veterinário Mário Sérgio Assayag, que é Gerente de Operação Avícola e Saúde Animal da JBS, em um abatedouro para exportação, as perdas de faturamento chegam a U$ 2,30 bilhões/mês ou U$8,53 bilhões/ano. “As estimativas de gastos em um possível recall de 10 contêineres é de U$670.000,00”, salientou Assayag.
Por fim, o médico veterinário da CDA (Coordenadoria de Defesa Agropecuária) do Estado de SP, Luciano Lagatta, destacou que nas vistorias realizadas para novos registros e renovações são encontradas falhas de biosseguridade como limpeza e desinfecção, presença de roedores e cascudinhos. “Essas falhas são apontadas e trabalhadas para a concessão dos registros“, salientou Lagatta. “Em São Paulo, temos atualmente 90% dos galpões de corte já registrados”, completou.
Curso FACTA “Impacto da Salmonela na Avicultura”
Nos próximos dias 23 e 24 de outubro, acontece em Campinas (SP) a quarta edição do curso FACTA “Impacto da Salmonela na Avicultura”. Durante o curso, todos os aspectos envolvendo a cadeia produtiva avícola em relação à contaminação por Salmonella serão abordados, com o objetivo de atualizar os médicos-veterinários e demais profissionais sobre a importância das salmoneloses em saúde pública.
O cruso aborda ainda medidas de biosseguridade e de boas práticas de produção para prevenção. A programação completa do curso pode ser acessada clicando aqui.
Com informações da Assessoria de Imprensa da APA