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Desafios na nutrição de matrizes pesadas: como otimizar a produção?

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Desafios na nutrição de matrizes pesadas: como otimizar a produção?

Na avicultura moderna, a busca por melhores resultados torna-se cada vez mais desafiadora. Dentro desse cenário, as matrizes desempenham um papel econômico fundamental dentro da cadeia, pois cada ovo fértil e cada pinto adicional representam um diferencial competitivo em um mercado extremamente acirrado.

Para alcançar os índices de produção almejados, é essencial que as áreas de manejo, nutrição e sanidade trabalhem de forma integrada. Nesse contexto, a nutrição de matrizes tem se destacado como um dos principais fatores para a obtenção de excelentes resultados zootécnicos.

Focando especificamente na nutrição, diversas discussões têm surgido na literatura científica. Por exemplo, Assadi Soumeh et al. (2018) observaram redução no percentual de produção de ovos com o aumento da proteína na dieta. Por outro lado, Cerrate et al. (2019) e Oviedo-Rondón et al. (2021) verificaram que níveis mais baixos de proteína podem resultar em menor peso de ovos em diferentes idades de produção.

Desafios na nutrição de matrizes pesadas: como otimizar a produção?

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Outro tema relevante é a qualidade do empenamento em matrizes pesadas. Em estudo conduzido por Van Emous (2011), foi demonstrado que uma ave com apenas 50% da cobertura corporal empenada pode necessitar de 17% a mais de energia de mantença em comparação a uma ave totalmente empenada; já uma ave completamente sem penas pode demandar até 38% mais energia, impactando significativamente o desempenho produtivo. Além disso, há evidências de que um aporte nutricional adequado, principalmente de proteína, pode melhorar a cobertura de penas (Van Emous et al., 2015; Cerrate et al., 2019). De modo geral, os requerimentos nutricionais das aves em produção podem ser divididos em três frações principais:

  • Mantença: depende do tamanho metabólico da ave e das condições ambientais; aves fora da zona de conforto térmico têm seus requerimentos aumentados.
  • Crescimento: responsável pelo desenvolvimento até a fase adulta.
  • Produção: inclui os nutrientes destinados à formação dos ovos, diretamente relacionados à quantidade e ao peso dos ovos.

Essa partição da energia em cada fase pode ser observada no gráfico abaixo (Figura 1).

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Figura 1. Gráfico dos requerimentos de energia metabolizável calculados com base nas tabelas brasileiras para aves e suínos (2024).

Utilizando as Tabelas Brasileiras para Aves e Suínos (TBAS, 2024) como referência, nota-se que, na subida para o pico de postura, a galinha apresenta um aumento de mais de 100 kcal nos requerimentos energéticos, devido ao crescimento da produção de ovos. Isso pode ser visualizado nos gráficos comparativos de aves com 5% e 75% de produção de ovos (Figura 2).

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Figura 2. Diferença dos requerimentos de energia de galinhas com 5% de produção de ovos comparado com 75% de produção de ovos.

Os requerimentos de energia metabolizável variam conforme a linhagem, e o aporte de nutrientes deve respeitar esses parâmetros. No entanto, em todas elas, caso esse aumento de nutrientes não seja atendido, a ave pode perder escore corporal, comprometendo todo o ciclo produtivo da galinha. 

Para compreender a magnitude desse efeito, podemos realizar algumas simulações. Considerando que cada grama de gordura corporal possui aproximadamente 9 kcal, temos os seguintes exemplos:

Ou seja, as galinhas mais pesadas podem apresentar menor reserva energética, mesmo possuindo maior peso corporal e maior demanda de mantença, o que a torna mais vulnerável a deficiências nutricionais. Esse cenário ocorre quando se tenta conter o ganho de peso no terço final da recria, justamente a fase de maior deposição de gordura, por meio da restrição de ração.

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Desafios na nutrição de matrizes pesadas: como otimizar a produção?

Conforme mencionado anteriormente, a subida para o pico de postura é uma fase extremamente desafiadora. Quando associada a outros fatores, como restrição de espaço, limitação de água ou estresse térmico, os riscos aumentam consideravelmente. Além disso, em matrizes, o consumo de ração é naturalmente limitado, e qualquer desbalanceamento nutricional pode resultar em desuniformidade do lote.

Por exemplo, ao formular uma dieta mais densa em energia, a quantidade de ração oferecida tende a ser menor. Nessa situação, as galinhas maiores, mais vorazes, continuam ingerindo o mesmo volume, mas passam a consumir mais energia; já as galinhas menores ingerem menos energia, ampliando a desuniformidade do lote. Isso pode ser demonstrado na tabela abaixo, em que podemos ver que o consumo médio calculado é de 170g, e quando a dieta têm a energia aumentada em 10%, há necessidade de ajustar o consumo para 153g.

Tabela 1. Simulação de consumo em volume (g) e de energia (kcal) de dietas com 2850 e com 3135 kcal de galinhas grandes e pequenas.

As galinhas maiores, por serem mais vorazes, consomem mais; na simulação acima, o consumo é de 180g.  A galinha menor irá consumir o restante do volume de ração. Na dieta “padrão”, o consumo das aves pequenas seria de aproximadamente 160g, enquanto na dieta com 10% de aumento de energia, seria de apenas 127g. Com essa diferença de consumo entre galinhas maiores e menores, a diferença de energia consumida seria de 57 kcal/dia na dieta “padrão”, e, na dieta com aumento energético de 10%, essa diferença seria de 167 kcal/dia. Essa diferença maior provavelmente resultaria uma maior desuniformidade do lote. 

Tendo em vista esses cenários, é fundamental que produtores e granjeiros trabalhem em conjunto com nutricionistas e especialistas em avicultura, a fim de definir estratégias que atendam às necessidades específicas de cada linhagem e ambiente, garantindo a otimização dos resultados de produção e eclosão de ovos.

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