“Essas substituições podem ser uma boa notícia para a saúde e para o meio ambiente”, explica Hanna. “Quando comparada com a carne de frango, a carne bovina tem um impacto três a dez vezes maior sobre o uso da terra, a água e as emissões de gases de efeito estufa”, acrescenta.
Substituir o bife por carne de frango pode ser mais sustentável
“Substituir carne ou bacon por frango pode ser um passo positivo” no que diz respeito à saúde e ao meio […]
“Substituir carne ou bacon por frango pode ser um passo positivo” no que diz respeito à saúde e ao meio ambiente. É o que afirma em artigo publicado na BBC, Hanna Ritchie, que é membro da Oxford Martin e trabalha como pesquisadora no OurWorldinData.org.
Levantamentos da FAO (Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura) apontam que a carne de frango e os ovos são os produtos pecuários que apresentam a menor intensidade de emissão de CO2. Segundo a ferramenta GLEAM (Global Livestock Environmental Assessment Model), desenvolvida pela FAO, a produção de 1 kg de carne de frango ou 1 kg de ovos gera a emissão de 35 kg e 31 kg de CO2, respectivamente.
Enquanto isso, as outras proteínas animais apresentam os seguintes resultados médios:
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carne de búfalo – 404 kg CO2 -
carne bovina – 295 kg CO2 -
carne de pequenos ruminantes – 201 kg CO2 -
leite de pequenos ruminantes – 148 kg CO2
Hanna Ritchie aborda a evolução do consumo de carnes no mundo e um novo comportamento de parte da população que busca reduzir o consumo de proteína animal. Segundo Hanna, as motivações para essa parcela da população vão de hábitos mais saudáveis, a reduzir o impacto no meio ambiente, passando pelo cuidado com o bem-estar dos animais.
A pesquisadora aponta que um terço dos britânicos afirma ter parado de comer carne, ou reduzido sua ingestão, enquanto dois terços dos americanos dizem que estão comendo menos carne. Porém, o consumo de carne no mundo só vem aumentando, de maneira rápida, nos últimos 50 anos, sendo a produção hoje quase cinco vezes maior do que no início dos anos 1960.
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1950 – de 70 milhões de toneladas; -
2017 – 330 milhões.
O crescimento populacional é um dos fatores apontados por Hanna, que influenciaram a elevação do consumo de proteína animal. Segundo ela, no início da década de 1960, havia cerca de 3 bilhões de habitantes no mundo, ante os atuais 7,6 bilhões.
Porém, apenas o crescimento populacional não justifica a quintuplicação do consumo, segundo Hanna. Ela acrescenta que o aumento da renda – a média global mais do que triplicou em meio século – é um fator preponderante, já que quanto mais rico o País, maior é o volume de carne consumida.
Onde se come mais carne?
A pesquisadora apresenta dados de 2013, que apontam que os Estados Unidos e a Austrália lideravam o ranking global de consumo anual de carne. Juntamente com a Nova Zelândia e a Argentina, os dois países ultrapassaram a marca de mais de 100 kg por pessoa, o equivalente a cerca de 50 frangos ou metade de um boi.
“Altos níveis de consumo de carne podem ser vistos em todo o Ocidente, e, na maioria dos países da Europa Ocidental, o consumo é de 80 a 90 kg por pessoa”, aponta Hanna.
Por outro lado, nos países mais pobres do mundo, come-se pouca carne, segundo a pesquisadora. “O etíope médio, por exemplo, consome apenas 7 kg, os ruandeses, 8 kg, e os nigerianos, 9 kg. Trata-se de um patamar dez vezes menor que o da média europeia“, explica.

Esses números representam a quantidade de carne per capita disponível para consumo, mas não levam em consideração o alimento desperdiçado. Na realidade, as pessoas comem um pouco menos de carne do que isso.
Países de renda média impulsionam a demanda
Segundo Hanna Ritchie, o crescente grupo de países de renda média, como a China e o Brasil, que registraram um crescimento econômico significativo nas últimas décadas, são grandes responsáveis pela rapidez com que vem crescendo o consumo de carne no mundo.
“Enquanto no Quênia, o consumo de carne mudou pouco desde 1960, por outro lado, o chinês médio passou de 5 kg por ano nos anos 1960 para 20 kg nos anos 1980 e, nas últimas décadas, para mais de 60 kg”, explica. “O mesmo aconteceu no Brasil, onde o consumo deste alimento quase dobrou desde 1990 – superando quase todos os países ocidentais no mesmo período”, completa.

No entanto, na Índia, segundo a pesquisadora, enquanto a renda média triplicou desde 1990, o consumo de carne não seguiu o mesmo caminho. Ela aponta que, os 4 kg de carne consumidas por pessoa ao ano, provavelmente seja decorrente de fatores culturais, incluindo não comer certos animais por motivos religiosos.
O consumo de carne está caindo no Ocidente?
Segundo Hanna, apesar de muitas pessoas declararem que vêm reduzindo o consumo de carne, o movimento no ocidente não é de queda. Ela apresenta dados recentes do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos), que indicam que o consumo de carne per capita aumentou nos últimos anos.
Segundo ela, apesar de o consumo de carne parecer menos popular, nos Estados Unidos, em 2018, o consumo esteve próximo de seu pico em décadas. “É um quadro semelhante ao da União Europeia“, explica.
A pesquisadora explica que, enquanto o consumo ocidental de carne é estável, ou ligeiramente crescente, os tipos de carne consumidos estão mudando. Ou seja, menos carne vermelha – carne bovina e suína – e mais aves.
Ela aponta que 50% da carne consumida nos Estados Unidos é a carne de frango, que nos anos 1970 representavam apenas 25% do consumo de proteína animal.
“Essas substituições podem ser uma boa notícia para a saúde e para o meio ambiente”, explica Hanna. “Quantidades moderadas de carne vermelha e laticínios podem melhorar a saúde das pessoas, especialmente em países de baixa renda, onde as dietas podem não ser tão variadas”, completa.
“Mas em muitas nações, o consumo de carne vai muito além dos benefícios nutricionais básicos. Na verdade, pode ser um risco para a saúde. Estudos associam o consumo excessivo de carne vermelha e processada ao aumento do risco de doenças cardíacas, derrame e certos tipos de câncer“, destaca Hanna.
“Um futuro em que o consumo de carne é sustentável e equilibrado entre os países exigiria grandes mudanças. Isso significaria não apenas uma mudança nos tipos de carne que comemos mas também na quantidade de carne que comemos. Essencialmente, a carne teria que se tornar cada vez mais um luxo“, conclui.
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Informações extraídas do site BBC Brasil