GLICINATOS: O QUE SÃO E QUAIS SEUS BENEFÍCIOS PARA AS AVES?
Os minerais utilizados na nutrição avícola podem ser classificados de acordo com sua composição e origem de formação inicial.
É comum, ao analisarmos as fórmulas de ração, dentro dos premixes encontramos minerais inorgânicos, como os sulfatos. Contudo, com o avanço tecnológico na nutrição avícola, novas fontes de minerais, como os minerais orgânicos, vêm surgindo e se destacando.
Em comparação com os minerais inorgânicos, os orgânicos possuem particularidades importantes. Eles necessariamente precisam estar combinados com uma molécula orgânica para facilitar a absorção. Sendo mais comum esses estarem complexados com carboidratos, proteínas complexas ou, ainda, apenas com seus componentes, os aminoácidos.
Quando um mineral está complexado com um aminoácido, ele é denominado de quelato de aminoácido, isso se dá, pois, nessa junção, existe obrigatoriamente uma ligação entre um íon metálico, e um dos vinte aminoácidos existentes. Nessa junção, o aminoácido atua como quelante, onde, formando ligações coordenadas e com alto grau de estabilidade com o metal (Han et al., 2019).

Sabendo que um quelato de aminoácido é uma fonte orgânica de minerais, os glicinatos, que consistem no complexo entre a glicina e um mineral, são, consequentemente, classificados como orgânicos.
Esses compostos orgânicos são indicados para a nutrição animal, especialmente na avicultura, devido as suas características. Ao complexarmos um íon metálico com uma molécula orgânica, como a glicina, eleva-se a solubilidade do metal (mineral) e melhora a sua digestão, absorção, biodisponibilidade e uso dessa fonte pelas aves.
Além dessas características, essa ligação entre os dois, faz com que os minerais estejam mais protegidos contra as interações entre moléculas ao longo do trato gastrintestinal das aves, fazendo com que a sua integridade seja mantida, até o momento em que ele é absorvido no intestino das aves (Wang et al., 2017).
Os glicinatos se tornam benéficos devida a sua complexidade com a glicina, aminoácido essencial, que compõe inúmeras proteínas e desempenha funções importantes e necessárias ao organismo.
Quando ele se complexa através de quelatos com alguns minerais, esse aminoácido apresenta alguns benefícios importantes, como melhora na absorção e tolerância digestiva dos minerais, elevando a eficácia da suplementação e contribuindo com os benefícios próprios do aminoácido, dentre eles melhoria no bem estar e suporte ao sistema nervoso das aves (Wang et al., 2017).

Existem alguns íons metálicos que a glicina é capaz de se complexar para formar um glicinato, são eles:
- Ferro (Fe),
- Zinco (Zn),
- Cobre (Cu), e
- Manganês (Mn)
Esses já são fontes bem estabelecidas da união entre os aminoácidos e os minerais, devido a estabilidade e a solubilidade, existente entre eles, quando comparadas as formas não quelatadas desses minerais.
Além disso, quando se utiliza os glicinatos se é capaz de prevenir a deficiência do Fe, Cu, Zn e Mn, ou até mesmo corrigir o desbalanço nutricional dessas fontes na nutrição avícola.
Os glicinatos ainda possuem outras características que justificam a sua utilização na nutrição das aves, pois, são mais estáveis em grande variação de pH e de temperatura, o que faz com que ele apresente uma melhor eficácia mantendo suas propriedades, durante as etapas que de produção, armazenamento, transporte e manuseio até chegar ao comedouro das aves (Liu et al., 2017).
Ao utilizar glicinatos na nutrição avícola, proporcionamos uma atividade mais sustentável, uma vez que por ser uma molécula orgânica e complexada, seu uso pelos animais é superior o que reduz a liberação de resíduos no meio ambiente, diminuindo a acidificação da água e do solo e a contaminação dos mesmos (Liu et al., 2017).

Para as aves os benefícios de se utilizar glicinatos na nutrição são vários. Quando a glicina está complexada com o Cu, Mn, Zn e Fe proporciona a melhoria na produtividade e na qualidade dos produtos avícola.
O glicinato de cobre ao ser usado, é capaz de reduzir a excreção fecal do cobre pelas aves, potencializando o seu uso nutricional, direcionando os benefícios para a produção de carne e ovos.
Estudos mostram que ao usar uma fonte mineral orgânica de cobre, em especial os glicinatos, ocorre a melhora de indicies zootécnicos na avicultura, devido a sua particularidade no processo digestivo e metabólico.
Além disso, os glicinatos de cobre melhoram a saúde intestinal, uma vez que tem efeito bacteriostático e bactericida em patógenos como E. coli e Salmonella, ajudando a controlar a microbiota intestinal, reduzindo o risco de doenças entéricas nas aves
A qualidade no empenamento das aves também é melhorada
Outro benefício de usar essa forma orgânica é que com a presença desse mineral orgânico no organismo das aves, as enzimas ligadas a resposta imune como a superóxido dismutase (SOD), possui uma melhor resposta (Jarosz et al., 2018).
Estudos com glicinatos de manganês demonstram que o uso dessa fonte mineral na avicultura pode promover melhorias significativas na formação óssea das aves.
Também foram observados efeitos positivos na qualidade da casca dos ovos, como maior espessura e poros menores, fatores que contribuem para a preservação da qualidade interna dos ovos e para o desempenho reprodutivo das aves.
Nos frangos de corte, os benefícios incluem melhora na capacidade absortiva intestinal e maior rendimento de carcaça (Araujo et al., 2009).

Assim como os glicitanos supracitados, o de zinco também possui uma maior biodisponibilidade, quando comparado as fontes inorgânicas desse mineral como os sulfatos.
Ao avaliar essa fonte para frangos de corte Zhu et al. (2022), observaram uma melhora no ganho de peso diário das aves e melhor conversão alimentar, além de relatar aumento nos nives de proteína total e albumina no soro, o que revela que os glicinatos de zinco interferem de maneira positiva no metabolismo proteico das aves.
A avaliação do glicinato de zinco na dieta de gansos demonstrou efeitos benéficos em diversos parâmetros, como qualidade óssea, integridade intestinal, capacidade antioxidante e resposta imunológica.
Entre os resultados observados, destacam-se o aumento no comprimento e na densidade óssea da tíbia, a redução da permeabilidade intestinal e a maior expressão das proteínas de junção estreita. Houve também um aumento nas populações de Lactobacillus e Bifidobacterium, acompanhado por uma redução nos níveis de citocinas inflamatórias no soro, tíbia e ceco.
A melhoria da capacidade antioxidante foi atribuída ao aumento das enzimas catalase (CAT) e glutationa peroxidase (GSH-PX), o que contribuiu para a redução na produção de espécies reativas de oxigênio (ROS) e de malonaldeído (MDA) (Zulfiqar et al., 2025).
Quando o glicinato de ferro é utilizado na alimentação de frangos de corte, em comparação a fontes inorgânicas, possui uma maior capacidade de elevar o conteúdo desse mineral no sangue, fígado e ossos das aves.
Além disso, ele contribui para elevar a resistência óssea desses animais, o que sugere uma melhoria na qualidade e na sustentação do esqueleto de frangos de corte (Winiarska-Mieczan et al., 2023).
Já a utilização da mesma fonte de ferro para galos de cinquenta dias demonstrou uma potencialização na resposta imune dessas aves quando comparado a minerais inorgânicos. Isso se justifica, pois, o glicinato de ferro estimulou mecanismos de defesa celular, assim como a produção de células citotóxicas o que resulta em promoção da resposta natural do organismo ao desenvolvimento de inflamação (Jarosz et al., 2016).
Ao avaliar os efeitos benéficos dos glicinatos na nutrição avícola, eles se destacam como uma alternativa superior às fontes minerais inorgânicas tradicionais, como os sulfatos.

Os glicinatos, formados pela complexação de íons metálicos com a glicina, oferecem uma série de vantagens, como maior estabilidade, solubilidade e biodisponibilidade no trato gastrointestinal das aves. Esses benefícios resultam em melhor aproveitamento dos nutrientes, menor excreção fecal de minerais e, consequentemente, menor impacto ambiental.
Além da eficiência nutricional, os glicinatos apresentam efeitos positivos sobre:
- Saúde intestinal,
- Imunidade,
- Metabolismo proteico,
- Qualidade óssea e
- Qualidade reprodutiva das aves.
Minerais como ferro, zinco, cobre e manganês, quando administrados na forma de glicinatos, proporcionam melhorias significativas nos índices zootécnicos, no rendimento de carcaça, na qualidade dos ovos e na resposta imunológica dos animais.
Portanto, a inclusão estratégica de glicinatos nas formulações de rações representa uma abordagem nutricional mais eficiente, segura e sustentável, com impactos positivos diretos sobre o desempenho produtivo e o bem-estar das aves, consolidando seu papel como ferramenta valiosa na modernização da avicultura.
Referencias sob consulta dos autores
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