HPDDG: ingrediente que nasceu na “energia” e está conquistando espaço na avicultura

A indústria de etanol de milho é hoje um dos segmentos mais dinâmicos da agroindústria brasileira, impulsionada pela expansão do milho, pela demanda por biocombustíveis sustentáveis e pelo avanço da produção animal. Além do etanol, amplia ainda a oferta de ingredientes de alto valor nutricional, fortalecendo as estratégias técnicas e econômicas na nutrição animal.

Nesse cenário, o HPDDG (Grão seco de biorrefinaria com alta proteína) se posiciona como ingrediente estratégico para a avicultura de corte. Diferentemente do DDGS (grãos secos de biorrefinaria com solúveis), ele é produzido pela separação da fibra do milho antes da fermentação, sem adição de solúveis, concentra os nutrientes do grão em um único produto, com alto teor de proteína, energia e perfil consistente de aminoácidos digestíveis.

Em sistemas intensivos, que exigem máxima produtividade com controle rigoroso de custos, o HPDDG se consolida como ferramenta eficiente de formulação, unindo densidade nutricional, viabilidade econômica e sustentabilidade.

HPDDG como ingrediente estratégico na formulação de rações

Em comparação ao farelo de soja 45% e ao DDGS, o HPDDG apresenta perfil nutricional que o consolida como ingrediente proteico energético (Tabela 1), refletindo maior densidade nutricional por unidade de inclusão. O maior teor de extrato etéreo amplia sua contribuição energética na dieta.

Quanto aos aminoácidos, o HPDDG apresenta níveis expressivos de metionina + cistina, treonina e valina, associados a elevado coeficiente de digestibilidade. Entretanto, em inclusões mais altas, o balanço entre leucina, valina e isoleucina deve ser avaliado conforme cada estratégia de formulação adotada.

Tabela 1. Comparação nutricional entre ingredientes (Tabelas Brasileiras 2024)

Tabela 1. Comparação nutricional entre ingredientes (Tabelas Brasileiras 2024)

 

Utilização prática para avicultura de corte

Com o objetivo de determinar com segurança o melhor nível de inclusão do HPDDG para frangos de corte, foi conduzido um estudo no aviário experimental da UFPR – Setor Palotina, utilizando 2.940 frangos de corte machos. O delineamento foi inteiramente casualizado, com cinco tratamentos e 14 repetições por tratamento, totalizando 42 aves por unidade experimental.

Os tratamentos consistiram em diferentes níveis de inclusão de HPDDG nas dietas ao longo das fases inicial, crescimento e final (Tabela 2). As dietas foram formuladas à base de milho e farelo de soja e atenderam às exigências nutricionais das aves em cada fase, mantendo adequado balanço entre energia, proteína e aminoácidos digestíveis.

Tabela 2. Níveis de inclusão de HPDDG nas dietas %

Tabela 2. Níveis de inclusão de HPDDG nas dietas %

Tabela 2. Níveis de inclusão de HPDDG nas dietas %

Desempenho produtivo

O aumento dos níveis de inclusão de HPDDG não influenciou (P>0,05) o desempenho produtivo de 1 a 42 dias, demonstrando manutenção da eficiência produtiva até níveis mais elevados (Tabela 3).

Tabela 3. Desempenho produtivo de 1 a 42 dias. NS = Não significativo (P>0,05)

 

Saúde Intestinal

A morfometria da mucosa intestinal em duodeno, jejuno e íleo não apresentou diferenças (P>0,05) entre os tratamentos, indicando que o uso do HPDDG não compromete a integridade do epitélio intestinal nem a capacidade de absorção de nutrientes.

Observou-se aumento do peso relativo da moela aos 14 dias de idade nos tratamentos com HPDDG, efeito possivelmente associado ao maior teor de fibra detergente ácida (FDA) do ingrediente. Esse estímulo mecânico pode ter favorecido a atividade da moela e contribuído para eficiência do processo digestivo. 

O desenvolvimento e a função da moela são aprimorados pelo tipo e quantidade de fibra insolúvel na ração assim como pelo tamanho das partículas dos ingredientes com reflexos sobre a produtividade, a fisiologia e a saúde intestinal das aves. Uma moela totalmente funcional ou bem desenvolvida melhora a digestibilidade dos nutrientes através do aumento da função do trato gastrointestinal e do maior tempo de trânsito digestivo, expondo os ingredientes às condições ácidas e à proteólise, assim como ao efeito sanitizante do ambiente ácido sobre os patógenos.

Peso relativo da carcaça e cortes comerciais

O peso relativo de carcaça e cortes comerciais foi avaliado aos 43 dias de idade. A inclusão crescente de HPDDG não impactou (P>0,05) o peso relativo da carcaça e cortes nobres (Tabela 4) e, no maior nível, reduziu (P<0,05) a gordura abdominal, indicando melhora na eficiência de utilização de nutrientes e no padrão de deposição corporal.

Tabela 4. Peso relativo de carcaça e cortes comerciais aos 43 dias %. NS – Não significativo (P>0,05), * P<0,05

Conclusão e recomendação prática

O HPDDG consolida-se como ingrediente estratégico na nutrição de frangos de corte, plenamente compatível com sistemas intensivos de produção. A inclusão de níveis de até 9% na fase inicial, 12% na fase de crescimento e 15% na fase final é tecnicamente recomendada, sem comprometer desempenho e saúde intestinal. Resultados semelhantes foram obtidos na Universidade Federal de Viçosa (Dias, 2023).

A adoção do HPDDG amplia a flexibilidade de formulação, fortalece a eficiência produtiva e contribui para maior competitividade econômica nas integrações.

Referências sob consulta junto ao autor.

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