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Possíveis causas, impactos na planta de abate e estratégia de controle de proventriculites em frangos de corte

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Possíveis causas, impactos na planta de abate e estratégia de controle de proventriculites em frangos de corte

A proventriculite é uma enfermidade importante na avicultura industrial, caracterizada pela inflamação do proventrículo, estômago glandular das aves, responsável pela secreção de enzimas digestivas e ácido clorídrico.

Temos observado a campo que essa condição dificultada significativamente a realização do jejum pré-abate ideal nos lotes de frangos afetados, impactando diretamente no aumento do percentual de condenas por contaminações internas e externas das carcaças, principalmente no momento da evisceração, em virtude do alto volume de ração retido no proventrículo e moela, que pode chegar até 15 vezes maior ao preconizado de 14 gramas, desperdiçando um volume considerável de ração na planta de abate.

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Outro importante fator a ser considerado é a perda de rendimento de moela, podendo variar entre 25% a 30% do rendimento, em virtude da atrofia muscular.

Além dos impactos na planta de abate, segundo os autores; D.Kuwenhoven e M.J.Pantin, 2005, a proventriculite impacta negativamente o ganho de peso, a conversão alimentar e a uniformidade dos lotes. O sistema digestório das aves possui duas estruturas gástricas:

  • Proventrículo: Estômago glandular responsável pela digestão química.
  • Moela: Estômago muscular responsável pela trituração física dos alimentos.

Além da digestão química e mecânica dos alimentos, esses órgãos têm fundamental importância na regulação da velocidade da digestão.

Quando ocorre a inflamação do proventrículo, há redução na eficiência digestiva favorecendo má absorção de nutrientes, predispondo a distúrbios entéricos e retenção excessiva de alimentos, M.J.Pantin, 2005.

Prováveis causas da proventriculite: As citações cientificas relacionam inúmeras causas ou fatores predisponentes como:

  • Vírus (CPNV, Adenovírus, Reovírus, Vírus de Gumboro, Circovírus avíário);
  • Clostridium perfringens;
  • Enterococcus spp.;
  • Micotoxinas;
  • Excesso de cobre e minerais;
  • Problemas de granulometria das rações;
  • Disbiose intestinal;
  • Imonussupressão;
  • Estresse ambiental;
  • Aminas biogênicas e
  • Síndrome da má absorção.

Sinais Clínicos: Na grande maioria dos casos, os sinais são subclínicos, dificultando a detecção precoce a campo. A maior evidência são as lesões macroscópicas identificadas na planta de abate.

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Lesões Macroscópicas: Aumento e dilatação do proventrículo com retenção de alimento e presença de muco; espessamento da parede; hemorragias puntiformes e difusas com ulcerações em casos mais graves; transição irregular entre proventrículo e moela, local também denominado: istmo proventricular gástrico, que possui importantes funções de regulação do controle da passagem do alimento, coordenação motora digestiva, separação funcional entre digestão química e mecânica, participação no refluxo fisiológico, além de contribuir na motilidade digestiva.

No caso de proventriculite o istmo apresenta-se flácido, dilatado, com perda de tonicidade e inflamado, perdendo totalmente sua função.

Essa condição proporciona refluxo, retenção de alimento, passagem rápida de ração e digestão deficiente.

Fotos 01. Proventriculite de grau avançado

Fotos 01. Proventriculite de grau avançado

Fotos 02. Proventrículos com diferentes graus podem passar desapercebidos no abate

Fotos 02. Proventrículos com diferentes graus podem passar desapercebidos no abate

Em 100% dos casos de proventriculites, além das lesões no proventrículo, observa-se perda do tônus muscular da moela com diminuição da massa muscular, impactando diretamente em perda de rendimento entre 25% a 30%.

Fotos 03. Comparativo de moela com e sem proventriculites.

Fotos 03. Comparativo de moela com e sem proventriculites.

Jejum pré-abate: O tempo de jejum-pré abate ideal e indicado para frangos de corte está entre 8 e 12 horas, considerando: tempo sem ração na granja, apanha das aves, carregamento, transporte e espera na planta de abate.

Nesse intervalo, busca-se melhor condição de bem estar das aves, equilibrar o esvaziamento do trato gastrointestinal para menor contaminação fecal, biliar e ração, externa e internamente das carcaças no momento da evisceração, além de menor perda de peso corporal, que impacta diretamente o rendimento final, Bilgili, 2002.

Em inúmeras avaliações nas plantas, assim como descrito na literatura, no momento do abate, com jejum ideal, espera-se encontrar o papo totalmente vazio, moela e proventrículo com 10 a 14 gramas de ração ou resíduos;D.N. Schettino, S.V. Cançado, N.C. Baião. Arq. Bras. Med. Vet. Zootec., v.58, n.5, p.918-924, 2006. E. Barbon, Manual de jejum pré-abate Cobb, 2024.

Para conseguir essa condição é fundamental o estímulo ao consumo de agua, com aquecimento intermitente do galpão de maneira que faça as aves levantarem para beber água o maior número de vezes no intervalo sem ração, até o início da apanha.

Jejum pré-abate em lotes com proventriculites: Em virtude da inflamação do proventrículo, dilatação do istmo proventricular gástrico, o proventriculo perde eficiência de bombeamento de alimento para moela, reduz a secreção gástrica, proporciona digestão protéica deficiente, retenção exagerada de alimento e tempo de trânsito acelerado desorganizado.

A moela perde o tônus muscular e eficiência, ocorre impactação e redução na trituração, o órgão fica menor e menos ativo; Maiorka.A, 2008.

Em virtude de todos esses fatores o jejum pré-abate em lotes com proventriculites torna-se mais difícil, já que o tempo para limpeza do trato intestinal é mais lento e irregular, dependendo do grau do problema entre as aves do lote.

Nesses lotes, observa-se também uma tendência de aumento no percentual de aves com papo pendular, dificultando ainda mais o jejum e aumento das contaminações durante o processamento.

Condenas por contaminações em lotes com proventriculites: O percentual de condenas por contaminações, principalmente interna, aumenta significativamente em lotes com proventriculites, em virtude da retenção exagerada de ração no proventrículo e moela.

Em observações e mensurações em plantas de abate, lotes com 10% a 20% de proventriculites, temos encontrado volumes de ração muito acima do preconizado, variando entre 35 gramas até 210 gramas de ração no proventriculo e moela, mesmo com períodos mais prolongados de jejum, além de aumento de incidência de papo pendular.

Fotos 04: Contaminações comuns em lotes afetados.

Fotos 04: Contaminações comuns em lotes afetados.

Controle da proventriculites em frangos: Para o controle, é fundamental identificar a causa primária, já que a doença pode ter causas multifatoriais. Temos observado que na grande maioria dos casos de proventriculites o fator granulometria das rações é impactante.

Rações, fareladas ou peletizadas, com DGM abaixo de 900 micras, podem propiciar e desencadear altos percentuais de proventriculites, dependendo do manejo. A nossa recomendação é que nas diferentes fases de vida das aves, elas consumam partículas com o seguinte tamanho:

Manejo de comedouros: Além do controle da altura dos comedouros, outro fator importante e fundamental é o controle do volume de ração nos pratos.

O excesso de ração aumenta a seleção de partículas pelas aves, principalmente, ração peletizada. Nessa condição, os animais consomem preferencialmente partículas maiores, deixando finos acumulado no prato.

Esse acúmulo, além de reduzir a uniformidade e saúde gastrointestinal, segundo; J.Svihus e Gonzalo Mateo, o excesso de finos baixa a estimulação mecânica da moela e aumenta o trânsito intestinal.

Portanto regular a abertura ao mínimo possível dos pratos (02 /03) para evitar acúmulo de finos e estimular o acionamento dos comedouros pelo maior número de vezes ao dia é manejo importante e crucial, para atender aos frangos atuais com alta voracidade de consumo.

Um manejo que contribuí é colocar um número de aves ao redor do prato comando alimentador (Cercado) e deixar uma lâmpada no local. Desta forma, as aves serão estimuladas a procurar os comedouros com maior frequência.

Controle da granulometria da ração: De acordo com a literatura, granulometria muito fina está associada a menor desenvolvimento da moela, maior trânsito digestivo e maior sobrecarga do proventrículo, Nir et al, 1994.

Em contrapartida, segundo os autores; Mateos et al,2008, Svihus et al, 2009 e G.Hetland, 2013, granulometrias mais grossas melhoram a motilidade gástrica, proporcionam menor proliferação bacteriana no intestino, maior desenvolvimento da moela, reduzem a dilatação do proventrículo, melhoram a digestibilidade e contribuem positivamente na conversão alimentar.

Rações peletizadas: A utilização de rações peletizadas trouxe importantes avanços para a avicultura moderna, proporcionando melhor desempenho zootécnico e maior eficiência alimentar.

Entretanto, quando a ração apresenta granulometria excessivamente fina, especialmente associada à elevada produção de finos, diversos efeitos deletérios podem ocorrer, sendo o principal deles a redução no desenvolvimento da moela e aumento do tamanho do proventrículo; J.Svihus e Gonzalo Mateos, condição favorável ao desenvolvimento das proventriculites.

Referências bibliográficas sob consulta junto ao autor

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