Segundo o chefe do Departamento de Economia Rural, Salatiel Turra, a soja corresponde a mais de 90% da área plantada de grãos no Estado do Paraná. Ele explica que qualquer redução de produção impacta diretamente na economia local e regional.
O Deral (Departamento Rural de Economia Rural) do estado do Paraná fechou janeiro projetando uma redução de 39% na produção de soja 2021/22 e 36% na de milho, comparado ao potencial anteriormente projetado. No estado, o maior impacto para a redução de produção e perda de renda é essencialmente o climático, com a estiagem forte iniciada em 2019, aliada ao calor intenso tanto no ambiente quanto no solo.
Segundo o chefe do Departamento de Economia Rural, Salatiel Turra, a soja corresponde a mais de 90% da área plantada de grãos no Estado do Paraná. Ele explica que qualquer redução de produção impacta diretamente na economia local e regional.

O secretário da Agricultura e do Abastecimento, Norberto Ortigara, afirma que as perdas já provocam impacto negativo no PIB (Produto Interno Bruto). O Deral informa que por se tratarem de commodities, esses produtos, incluindo também o feijão, dependem de várias conjunturas para estabelecer os preços, mas as perdas monetárias para os paranaenses devem ficar entre R$25 bilhões e R$ 30 bilhões.
“Embora não tenhamos fechado todos os dados e todo tipo de perda, esse impacto está entre 25 e 30 bilhões de reais, de coisas que não estão sendo produzidas”, afirmou Ortigara.
A Secretaria vem posicionando, desde o final de dezembro, que há um efeito negativo intenso na produção agrícola por conta da estiagem prolongada, escassez hídrica e altas temperaturas.
O Secretário destaca que o impacto no solo tem provocado elevadas perdas em culturas como
“É um quadro realista, é um quadro de perda, que provoca impacto, traz desconforto, traz desarticulação da cadeia de renda do agricultor, mas estamos trabalhando junto com o governo federal para minimamente socorrer, apoiar, incentivar os nossos agricultores nas suas necessidades para que continuem produzindo.”
SOJA
Os números do relatório mensal do Deral não diferem muito dos dados levantados em meados de janeiro e entregues à ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Tereza Cristina, quando da visita a Cascavel.
Até o momento, há perda de mais de 8 milhões de toneladas de soja, ou 39% do previsto inicialmente, que era de pouco mais de 21 milhões de toneladas. A produção estimada atualmente é de 12,8 milhões de toneladas.

Se o comparativo for feito com a produção de 19,8 milhões de toneladas conseguida na safra 2020/21, os sojicultores paranaenses devem ter redução de 35%. Com uma área estimada em 5,6 milhões de hectares, o rendimento deve cair de 3.543 quilos por hectare no ciclo anterior para 2.274 quilos por hectare na atual safra.
No campo, a colheita vem ganhando bom ritmo e atingiu 8% da área plantada.
“Historicamente, não é comum este nível de colheita em janeiro, porém, devido às condições favoráveis no campo, o produtor avança com o trabalho tendo em vista o planejamento de plantio para a segunda safra de milho”, disse o analista do Deral, Edmar Gervásio.
MILHO
O cenário climático adverso também provocou perdas irreversíveis para os produtores de milho da primeira safra.
Em relação ao potencial produtivo de 4,3 milhões de toneladas, que tinha sido previsto, a baixa já ultrapassa 1,6 milhão de toneladas (36% a menos). Com isso, o campo deve render, de acordo com os dados atuais, 2,7 milhões de toneladas. Isso representa redução de 13% em relação ao produzido na safra 2020/21.
“Em termos financeiros, a preços de hoje, o campo deixa de movimentar aproximadamente R$ 2,3 bilhões com esse cereal”, afirmou Gervásio.
Neste momento, a colheita do cereal chegou a 8% da área estimada de 437,5 mil hectares. Nas lavouras espalhadas pelo Estado, 38% da área estão em boas condições, o mesmo percentual é considerado em situação mediana e 24% estão em posição desfavorável.
A estiagem refletiu também na produtividade do milho. A previsão é que na atual safra sejam colhidos 6.232 quilos por hectare. No ciclo de 2020/21, foram 8.372 quilos por hectare. Como a colheita da soja avança de forma mais acelerada que o habitual, o plantio de milho segunda safra também está adiantado. Nesta semana foram plantados 5% da área total estimada em 2,6 milhões de hectares, com expectativa de se colher 15,2 milhões de toneladas.
Fonte: Assessoria de Imprensa
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