Uma das causas mais relevantes de perdas econômicas na produção avícola e consequente redução do bem estar animal está associada à ocorrência de Enterite Necrótica. Com a crescente preocupação com a resistência bacteriana aos antibióticos, a utilização dos mesmos como melhoradores de desempenho (AMD) vem diminuindo, enquanto o uso probióticos tem se mostrado cada vez mais eficaz para prevenção e controle da EN, conforme mostra estudo que acaba de ser publicado pela AMB Express. A publicação traz uma importante análise sobre o uso de probióticos para mitigar problemas de enterite necrótica subclínica e, ao avaliar os agentes etiológicos, as condições ambientais e a natureza subclínica da doença, o material conclui que os probióticos são ótimos para diminuir a inflamação intestinal causada pelo Clostridium perfringens.
Diferentes microrganismos — Bacillus, Lactobacillus, Bifidobacterium, Enterococcus e leveduras — foram investigados como potenciais probióticos e os benefícios foram a prevenção de enterites em frangos de corte e poedeiras comerciais.
Para que você conheça mais sobre a Enterite Necrótica e como funciona a atuação dos probióticos na sua prevenção, entrevistamos Teresa Ruocco Dari, Médica Veterinária e Analista de Inteligência de Mercado & Marketing da Biocamp.
O que é Enterite Necrótica
A enterite necrótica (EN) é uma doença que tem como agente etiológico o Clostridium perfringens, normalmente do tipo A, uma bactéria que reside comumente no intestino de aves adultas e pintos saudáveis e que pode ter o seu crescimento exacerbado, quando há queda da imunidade e/ou outros fatores predisponentes que causam desequilíbrio da microbiota intestinal e, como consequência, perdas econômicas significativas.
A seguir, Teresa conta quais são os impactos da Enterite Necrótica nas aves.
Em aves de ciclo curto, como os frangos de corte, as perdas podem ocorrer já a partir da 2ª semana, com redução da uniformidade, perda de peso e mortalidade — nem sempre nesta ordem.
Como o C. perfringens é um patógeno oportunista, vários fatores são considerados de risco para o surgimento de sinais clínicos e/ou subclínicos da EN. Podemos citar a coccidiose como forte predisponente para o aparecimento da doença, além de fatores relacionados ao manejo como: falhas no controle da ambiência, má qualidade da cama, alta densidade de criação, bem como fatores nutricionais e presença de insetos vetores (Cascudinho), etc.
Os surtos (clínicos e subclínicos) de Enterite Necrótica em frangos de corte geralmente ocorrem entre 2 e 6 semanas de idade e resultam em absorção prejudicada de nutrientes, redução do ganho de peso e aumento da conversão alimentar, com diminuição do desempenho zootécnico.
Reprodutoras pesadas são aves que recebem ração controlada durante toda sua vida, favorecendo o consumo de cama e, consequentemente, ingestão de oocistos de eimerias e esporos de Clostridium perfringens.
O estresse causado pela restrição alimentar, aliado a práticas de manejo que manipulam as aves (debicagem, seleções, vacinações, etc.) podem levar a um quadro de disbiose e o aparecimento da EN. Como consequência haverá perda da uniformidade e viabilidade, redução da quantidade de ovos férteis e do número de pintos por ave alojada.
Por serem aves de ciclo longo, as poedeiras comerciais podem ser acometidas mais de uma vez ao longo da vida. Entre os impactos estão redução da uniformidade, da viabilidade, da produção e do aproveitamento dos ovos. Em casos mais severos é possível observar aumento da mortalidade.
Vários são os mecanismos de ação dos probióticos e seus efeitos benéficos na proteção da mucosa intestinal.
As bactérias probióticas ajudam na digestão e absorção de nutrientes, produzindo enzimas como amilase, lipase e protease, reduzindo presença de alimentos não digeridos nas partes mais baixas do trato digestório. Além disso, melhoram a imunidade e mantém a microbiota intestinal em equilíbrio, evitando assim, o crescimento exagerado de bactérias oportunistas como o C. perfringens.
As bactérias probióticas são responsáveis pela síntese de SCFAs (Short Chain Fatty Acids), que inibem a proliferação de patógenos, além de serem utilizados como fonte de energia pelas próprias aves, favorecendo ganhos zootécnicos.
Logo após o nascimento, o intestino das aves possui colonização rudimentar, ou seja, com a presença de pouquíssimas espécies de bactérias. “Sendo assim, nossa recomendação é que a colonização intestinal aconteça de modo precoce, ainda no incubatório, através do uso de probióticos NAGF (que são compostos por microbiota completa) ou com probióticos de múltiplas cepas. O uso do probiótico deve acontecer durante toda a vida da ave, via água ou ração, para manter o equilíbrio da microbiota intestinal e, assim, evitar o aparecimento da EN”, orienta Teresa.
A veterinária explica que nos casos em que as aves ainda não apresentam mortalidade e lesões severas causadas pelo Clostridium perfringens, é recomendado o uso de probióticos via água e/ou ração. Neste caso eles devem conter em sua formulação bactérias do gênero Bacillus, associados (ou não) a bactérias láticas.
“Para frangos de corte, nos períodos de desafio, a administração dos probióticos via água de bebida é a maneira mais prática, rápida e segura para se instituir o tratamento”. Segundo Teresa, dependendo do histórico e severidade do problema, é recomendada utilização do produto entre 2 a 5 dias.
O resultado esperado é o reequilíbrio da microbiota intestinal por meio da redução da quantidade de Clostridium perfringens e aumento — em abundância — de bactérias benéficas ao hospedeiro. Haverá melhora da qualidade das fezes, do consumo de alimento e, consequentemente, do ganho de peso e conversão alimentar.
Para prevenir e reduzir problemas com Enterite Necrótica, os produtos de eleição são os probióticos que contêm em sua formulação bactérias do gênero Bacillus.
A linha Colostrum® Bio 21 é composta por 20 cepas de bactérias láticas mais uma potente cepa de Bacillus subtilis. O Colostrum® Bio21 Líquido é para uso via água de bebida, a qualquer momento. Já o Colostrum® Bio21 Mix é para uso exclusivo via ração. Por sua vez, o probiótico Colostrum® BS contém exclusivamente uma cepa de Bacillus subtilis e deve ser utilizado via ração.
Fale com um dos nossos técnicos para avaliar qual é o mais indicado para os desafios da sua produção e deixe suas aves — e seu negócio! — protegidos contra a EN.
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