04 jan 2019

Vacina recombinante contra Laringotraqueíte passa a valer em todo o país

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Desde o dia 11 de dezembro passado está liberada a utilização da vacina recombinante contra a Laringotraqueíte Infecciosa (LTI) em todo o território brasileiro. A informação consta do Memorando Circular nº 72/2018, do DSA (Departamento de Saúde Animal), ligado ao Mapa (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento).

O Memorando traz um parecer favorável à liberação da utilização de vacina no plantel avícola nacional a critério do programa sanitário de cada empresa ou produtor. Desde 20 de julho de 2011, quando o DSA emitiu a Nota Técnica no 77, a utilização da vacina recombinante para LTI é permitida apenas no bolsão de Bastos (SP), granjas do núcleo das Terras Altas da Mantiqueira (MG) e, posteriormente, em Guatapará (SP).

As regiões em questão foram foco de surtos da Laringotraqueíte Infecciosa. Segundo a professora Dra Masaio Mizuno Ishizuka, que é coordenadora do COESA (Comitê Estadual de Sanidade Avícola) de São Paulo, o Memorando é fruto de incontáveis solicitações dos avicultores de quase todos os estados.

“Estão ocorrendo casos de surto de LTI em diferentes estados e sem notificação ao Serviço Veterinário Oficial”, alerta Masaio. “A não notificação por parte do produtor ou seu Responsável Técnico, qualquer que seja a tentativa de controle que esteja praticando sem amparo do SVO,  está disseminando o vírus da LTI para outras granjas próximas, ou distantes, representando grave comprometimento  à sanidade avícola do país”, completa.

Tipos de Vacina

 

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Hoje existem três tipos de vacinas disponíveis contra a Laringotraqueíte Infecciosa: vacinas de vírus vivo modificado em embriões de galinha (CEO) e de cultivo em tecido (TCO), as recombinantes e as inativadas.

Segundo literatura específica, as vacinas vivas modificadas podem induzir as aves ao estado de portadoras da doença e, por isso, é recomendada para regiões endêmicas. As vacinas atenuadas (TCO e CEO) também são capazes de transmitir o vírus às aves, que por sua vez não podem ter contato com aves suscetíveis.

As vacinas recombinantes são desenvolvidas a partir da inserção de genes da Laringotraquíte Infecciosa em um vetor viral. Elas são capazes de induzir significativa proteção, sem os efeitos adversos das vacinas vivas, porém, não têm capacidade de reduzir a replicação viral na traqueia da ave.

O Memorando da DSA destaca que a utilização de vacinas vivas contra LTI é proibida no Brasil. O uso pode ser autorizado pelo Departamento somente para a TCO, “dependendo da situação epidemiológica do caso em questão e do atendimento a requisitos e procedimentos para autorização e controle do uso destas vacinas”.

Segundo a professora Masaio é possível aventar a hipótese de entrada da TCO sem autorização do Mapa. Ela explica que, nesse tipo de vacina, o vírus se replica no organismo da ave vacinada, é eliminado para o meio ambiente e infecta aves não vacinadas.

“Esta infecção poderá resultar em doença, desde que a ave infectada seja submetida a condições de estresse”, explica Masaio. “Portanto, aves de granjas próximas daquelas de vacinação indevida podem estar expostas ao risco de infecção”, completa.

Entre os problemas provocados pela Laringotraqueíte Infecciosa estão elevada mortalidade nas fases de recria e produção, desuniformidade de peso na recria e queda de produção de ovos na fase de produção.

A doença foi reconhecida em todos os continentes, sendo a Groelândia o único país livre. Na América do Sul, a doença foi descrita em todos os países, afetando em muitos deles, frangos de corte e aves de vida longa.

Vacinas Recombinantes

 

As indústrias farmacêuticas que têm vacinas recombinantes contra LTI registradas no Mapa são a Ceva e a Merck.  A partir da publicação do Memorando do DSA, essas empresas poderão disponibilizar suas vacinas, desde que atendam os critérios estabelecidos pelo MAPA.

A Merck possui vacina em vetor HVT (Hespes vírus de peru), preservada em Nitrogênio líquido e aplicada em incubatórios (pintos de 1 dia de idade). Já a Ceva possui dois tipos de vacinas recombinantes: uma vacina preparada em vetor HVT e uma em vetor Pox/varíola aviária, liofilizada e aplicada na Granja (na fase de cria ou recria).

“Cada indústria farmacêutica tem o gen  devidamente selecionado quanto à eficácia e são, portanto, confiáveis não somente para fins de prevenção, como também na fase inicial do programa de controle”, salienta Masaio, que é Professora Titular Emérita da Faculdade de Medicina Veterinaria e Zootecnia da USP.

Planejar Vacinação

 

A professora Masaio Mizuno Ishizuka salienta a importância de planejar a vacinação. Um dos pontos levantados por ela é a não recomendação do uso de vacinas recombinantes contra duas doenças diferentes, que sejam preparadas com mesmo vetor.

“É possível vacinar uma mesma ave contra LTI no incubatório (Vetor HVT) e na granja (vetor Pox) por se tratarem de vetores diferentes de potencialização da imunidade”, salienta Masaio. “Por isso é importante que os COESA’s avaliem a possibilidade de se delinear um esquema de vacinação para o programa de prevenção”, completa.

Ela também destaca a importância de cuidados com a utilização de vacina viva atenuada (TCO) durante a  fase de controle de foco ou de surto. A especialista explica que esse tipo  de vacina “apresenta capacidade de reversão de patogenicidade (capacidade que um microorganismo apresenta em causar doença) e virulência imponderavelmente diferente do vírus selvagem (TIZARD, I.R. Veterinary Immunology. 9th Ed.)”.

Acesse a  íntegra do Memorando clicando no link amarelo “baixar o pdf” logo abaixo do título dessa matéria.

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