06 maio 2026

Síndromes respiratórias não são uma doença só: por que a avicultura precisa antecipar riscos?

No Phibro Master Science 2026, especialistas defenderam uma abordagem integrada entre ambiência, água, biosseguridade, diagnóstico, vacinação, gestão sanitária e imunidade para reduzir perdas respiratórias antes que elas se convertam em condenações e desempenho irregular.

Síndrome respiratória não é uma doença única. É o resultado de um sistema em desequilíbrio, no qual agentes infecciosos, ambiência, densidade, qualidade da água, estresse, falhas de processo, imunidade e biosseguridade podem atuar de forma combinada. Essa leitura orientou as discussões do segundo dia do Phibro Master Science 2026 (PMS 2026), especialmente nas apresentações de Luiz Felipe Caron, professor da Universidade Federal do Paraná; Isabella Santos, Gerente Executiva de Saúde Animal da MBRF; e José Dias, Gerente Global de Serviços Técnicos da Phibro.

O eixo técnico colocou em evidência uma mudança importante de abordagem: deixar de tratar problemas respiratórios apenas como eventos isolados e passar a gerenciá-los como riscos sistêmicos. Na prática, isso significa integrar diagnóstico, ambiência, hidratação, vacinação, biosseguridade, dados e pessoas para evitar que o problema seja percebido apenas quando já se transformou em mortalidade, condenação ou perda de desempenho.

Síndrome respiratória é o retrato de um sistema em desequilíbrio

Luiz Felipe Caron iniciou sua abordagem diferenciando doença de síndrome. Segundo ele, a síndrome respiratória reúne manifestações variadas, com causas múltiplas, algumas conhecidas e outras menos definidas. Entre os agentes que podem participar desse cenário estão bronquite infecciosa, laringotraqueíte, micoplasmas, coriza, pneumovírus e outros patógenos. Mas, para o professor, a leitura não pode parar nos agentes.

Luiz Felipe Caron, professor da Universidade Federal do Paraná

Caron explicou que padrões associados a patógenos e padrões associados a danos podem atuar simultaneamente. Isso significa que vírus e bactérias podem se combinar com frio, calor, densidade, baixa qualidade do ar, estresse térmico, manejo inadequado, falhas de biosseguridade e desafios de água. O resultado é uma ave com barreiras comprometidas e maior dificuldade de responder aos desafios.

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A bronquite infecciosa foi citada como exemplo importante para compreender essa dinâmica. Segundo Caron, quando o sistema respiratório já está fragilizado por fatores ambientais ou por outros agentes, o impacto de um vírus pode ser amplificado. Por isso, o gerenciamento das síndromes respiratórias exige identificar gatilhos e agir sobre aquilo que está sob controle da equipe.

Síndrome respiratória não é uma doença só

O problema nasce da combinação entre agente, hospedeiro e ambiente. Por isso, a resposta não deve depender apenas de identificar um patógeno, mas de entender o conjunto de fatores que abriu espaço para a manifestação respiratória.

 

Água, muco e ambiência também são defesa respiratória

Um dos pontos mais práticos da palestra de Caron no PMS 2026 foi a relação entre hidratação e defesa respiratória. Segundo ele, o muco da traqueia é uma barreira essencial e depende fortemente de água. Aves que bebem menos, recebem água quente ou estão submetidas a condições ambientais desfavoráveis podem ter a qualidade das barreiras respiratórias comprometida.

O professor ressaltou que o muco traqueal é parte da biosseguridade interna da ave. Nesse sentido, biosseguridade não deve ser entendida apenas como controle de fluxo, limpeza, desinfecção ou barreiras físicas. Ela também envolve a capacidade do animal de manter mucosa, cílios, muco e resposta imune em condições adequadas para impedir a entrada e a multiplicação de agentes.

A ambiência foi apresentada como uma das frentes mais importantes para reduzir riscos. Para Caron, qualidade do ar, temperatura, umidade, ventilação e acesso à água de boa qualidade são medidas capazes de preservar fisiologia, reduzir estresse e fortalecer barreiras antes que a vacina ou qualquer outro produto entre como parte complementar do programa.

Água também é defesa respiratória

Segundo Luiz Felipe Caron, a hidratação influencia a qualidade do muco traqueal, uma das primeiras barreiras contra agentes respiratórios. Água quente, baixa ingestão ou falhas ambientais podem comprometer essa defesa antes mesmo da instalação de um quadro clínico evidente.

 

Gestão sanitária é antecipar risco, não apagar incêndio

Isabella Santos trouxe para o PMS 2026 a visão de gestão sanitária aplicada à rotina de grandes operações. Segundo ela, sanidade precisa ser tratada como sistema de controle de risco, e não como custo produtivo adicional. A especialista destacou que, embora a sanidade represente uma parcela pequena do custo total do frango, quando falha pode gerar impacto significativo em desempenho, condenações e competitividade.

Isabella Santos, Gerente Executiva de Saúde Animal da MBRF

Na avaliação de Isabella, muitos problemas sanitários atuais não aparecem de forma simples, como uma doença clínica evidente. Eles podem surgir como desarranjo intestinal, desuniformidade, aumento de variabilidade entre produtores, baixa previsibilidade de desempenho, condenações subclínicas e perdas percebidas apenas no abatedouro. O desafio é que, quando a perda aparece dessa forma, parte do prejuízo já foi construída ao longo do ciclo.

A especialista reforçou que gestão sanitária não é trocar produto, medicar lotes ou reagir a surtos. Essas ações podem ser necessárias em situações específicas, mas não definem uma gestão eficiente. Para ela, o foco deve estar em antecipar riscos, reduzir variabilidade, criar previsibilidade sanitária, monitorar continuamente e adaptar estratégias conforme a realidade de cada unidade produtiva.

Gestão sanitária não é trocar produto

A gestão eficiente antecipa risco, reduz variabilidade, cria previsibilidade e usa dados para agir antes que o problema apareça como mortalidade, condenação, pior conversão ou perda silenciosa de desempenho.

 

Risco sanitário existe em toda granja

Isabella também resgatou a tríade epidemiológica formada por hospedeiro, agente e ambiente para explicar a ocorrência de doenças. Segundo ela, toda granja tem algum nível de risco sanitário. O objetivo da gestão não é fingir que o risco não existe, mas reconhecer sua presença, medir sua probabilidade e reduzir sua capacidade de gerar perdas.

Essa abordagem exige padrões epidemiológicos práticos, monitoramento sanitário contínuo, programas profiláticos bem planejados, biosseguridade baseada em risco, integração entre áreas e gestão de pessoas como fator sanitário. Para Isabella, o frango de corte conta ao técnico o que precisa ser observado; o desafio é transformar esses sinais em informação útil para decisão.

Imunidade e saúde respiratória precisam conversar

Encerrando o eixo técnico, José Dias, Gerente Global de Serviços Técnicos da Phibro, abordou a integração entre imunidade e saúde respiratória. A discussão partiu da ideia de que doenças imunossupressoras e respiratórias podem ser estudadas separadamente, mas no campo frequentemente ocorrem de forma simultânea e potencializam seus efeitos.

José Dias, Gerente Global de Serviços Técnicos da Phibro.

José Dias destacou que a imunidade deve ser compreendida como a capacidade do organismo de responder a patógenos e fatores estressores. No ambiente produtivo, essa resposta ocorre sob pressão de densidade, ambiente, manejo, agentes infecciosos e desafios sanitários próprios de cada integração. Por isso, programas vacinais precisam ser construídos a partir do desafio real de campo, do diagnóstico e da qualidade de execução.

A estratégia apresentada pela Phibro dialoga com duas frentes citadas na comunicação do evento: MB-1, associada à proteção contra Gumboro e à busca por maior previsibilidade no programa vacinal; e TABIC IBVAR206, conectada à discussão sobre bronquite infecciosa e variante 2. A mensagem é que a tecnologia vacinal ganha força quando está inserida em um programa que considera processo, momento de aplicação, imunidade, pressão de campo e objetivos produtivos.

Onde entram MB-1 e TABIC IBVAR206 na estratégia

MB-1 foi posicionada pela Phibro como ferramenta ligada à proteção contra Gumboro, com foco em precisão, previsibilidade e proteção mais cedo. TABIC IBVAR206 aparece conectada à conversa sobre bronquite infecciosa e variante 2. Em ambos os casos, a mensagem técnica é que programa vacinal precisa responder ao desafio certo, com execução correta.

 

Sair da reação é o maior desafio

A soma das apresentações reforçou que síndromes respiratórias exigem uma avicultura menos reativa. Quando o problema chega como condenação, aerossaculite, pior desempenho ou aumento de mortalidade, a perda já começou. O gerenciamento eficiente depende de enxergar sinais antes, conectar dados, qualificar diagnóstico, preservar barreiras fisiológicas e envolver pessoas no processo.

Para técnicos, gestores e equipes de campo, a mensagem do PMS 2026 é que sanidade respiratória não se sustenta em uma frente só. Ela depende de ambiência, água, biosseguridade, imunidade, vacinação, diagnóstico, gestão sanitária e disciplina operacional. Em um sistema cada vez mais pressionado por desempenho e previsibilidade, antecipar risco deixa de ser diferencial e passa a ser condição para manter competitividade.

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