O Brasil já é protagonista na agricultura mundial. Lidera as exportações de soja, bate recordes logísticos e alimenta parte considerável da população global. Mas, na visão do consultor internacional Pedro Dejneka, ainda falta ao país um ingrediente essencial: maturidade comercial para deixar de vender na hora errada e começar a lucrar com estratégia.
Em entrevista concedida ao estúdio oficial do 25º Simpósio Brasil Sul de Avicultura, promovido pelo Nucleovet em parceria com a AgriNews Brasil, Dejneka foi direto:
“O Brasil faz tudo isso atirando no próprio pé. Imagina se parasse de errar”.
Baseado em Chicago, centro das decisões globais sobre commodities, Pedro analisa com profundidade o novo “tarifaço” anunciado pelos Estados Unidos, os impactos da tensão comercial com a China e o comportamento dos grandes compradores internacionais. Ao lado de Luís Henrique Kessler, trader da Coperalfa, o especialista apontou que, apesar do atrito entre China e EUA, não há espaço imediato para o Brasil crescer ainda mais nas exportações de soja — simplesmente porque já exporta quase tudo o que é possível.
“O ganho adicional para o Brasil será muito pequeno no curto prazo. A China já compra entre 75 e 80 milhões de toneladas de soja brasileira por ano. Não dá para esperar que absorvam muito mais que isso sem uma expansão na própria demanda”, explicou.
O verdadeiro gargalo, segundo Dejneka, está dentro de casa: falta armazenagem, planejamento financeiro e visão estratégica de venda.
“O produtor brasileiro é o melhor do mundo da porteira pra dentro, mas ainda erra feio da porteira pra fora. Vende quando precisa, não quando pode.”
Para ele, contratos futuros, opções de venda e gestão de risco são ferramentas que deveriam fazer parte da rotina de qualquer produtor ou empresa. “Produzir bem e vender mal é desperdiçar valor”, resumiu.
A entrevista ainda aborda o papel da indústria da soja no fornecimento de farelo para ração, o risco de instabilidade de preços e a necessidade urgente de políticas públicas voltadas à armazenagem e crédito rural estável.
📺 Assista à entrevista completa com Pedro Dejneka no YouTube:
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