21 mar 2018

Controle da Laringotraqueíte exige programas específicos de vacinação

Jorge Luis Chacón, Gerente de Serviços Veterinários Avicultura da Ceva Saúde Animal, conversou com o aviNews Brasil sobre aspectos da enfermidade e fatores importantes a serem observados.

A Laringotraqueíte é um doença muito antiga, que ainda repercute no setor avícola. Muito da responsabilidade dessa persistência da doença é designada a programas de controle ineficientes. Segundo o Médico Veterinário Jorge Luis Chacón, que é Gerente de Serviços Veterinários Avicultura da Ceva Saúde Animal, as vacinas recombinantes que não contém vírus vivo são seguras e, implementadas a partir de um programa adequadamente desenhado, podem evitar os impactantes prejuízos da doença.

Chacón, que desenvolveu suas pesquisas de mestrado e doutorado em Laringotraqueíte, analisando os surtos de Bastos de 2013, foi um dos palestrantes do XVI Congresso de Ovos realizado pela Associação Paulista de Avicultura (APA).

Ele conversou com o aviNews Brasil sobre aspectos da enfermidade e fatores importantes a serem observados. Confira a entrevista a seguir.

aviNews – A Laringotaqueíte Infecciosa (LTI) é uma doença de difícil controle, com limitações de produtos imunológicos para erradicá-la das granjas e, mesmo, eliminar o vírus das aves infectadas. O senhor poderia comentar um pouco sobre essas dificuldades?

Jorge Luis Chacón – Cada agente infeccioso tem uma estratégia para se manter e persistir na natureza/granja. No caso da LTI, o vírus tem a capacidade de criar aves portadoras, ou seja, aves que se infectaram, ficaram doentes, se recuperaram e manterão o vírus de forma latente pelo resto da vida delas.

Quando estas aves passarem por estresse fisiológico, elas eliminarão o vírus para o ambiente, contagiando, desta forma, novos lotes de aves. É por este motivo que o controle e eliminação do agente em granjas de múltiplas idades fica muito difícil e até impossível.

Foi também demonstrada, experimentalmente e no campo, a capacidade de reversão da virulência das vacinas vivas de LTI. Ou seja, as vacinas vivas, principalmente as tipo CEO, num primeiro momento controlavam a mortalidade, mas no médio e longo prazo, o vírus vacinal pode infectar aves susceptíveis e, após várias passagens, elas viram patogênicas, causando a doença para a qual elas foram desenvolvidas e preparadas.

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AN – A Laringotraqueíte Infecciosa das aves promove perdas econômicas consideráveis para a avicultura a partir do momento em que provoca redução na produção de ovos, diminuição no desempenho dos frangos, alta morbidade e mortalidade. Em termos de ocorrência, como está a situação dessa doença no Brasil e no mundo? 

Jorge Luis Chacón – No Brasil, o monitoramento, vigilância, detecção e estabelecimento de medidas de controle são responsabilidade das autoridades oficiais. Desta forma, não podemos abordar com clareza sobre a situação da doença no país. No momento, apenas vacinas recombinantes podem ser usadas, de forma controlada e com várias restrições nas regiões de Bastos, Guatapará e Itanhandu.

A doença foi reconhecida em todos os continentes, apenas a Groenlândia é livre. Na América do Sul, a doença foi descrita em todos os países, afetando em muitos deles, frangos de corte e aves de vida longa.

AN – O Brasil viveu um surto da LTI em 2002, na sua maior região produtora de ovos, Bastos (SP). Mais de um milhão de aves morreram nesse episódio e estudos, como o desenvolvido pelo senhor em tese de pós-graduação, demonstram que a cepa de campo causadora daquele surto continua circulando na região, apesar do uso de vacinas vivas atenuadas. Que lição tirar dessa situação? 

Jorge Luis Chacón – Efetivamente, o vírus causador do surto foi detectado anos depois da vacinação compulsória em Bastos. Isto está de acordo com a literatura especializada, que mostra que é muito difícil eliminar um agente infeccioso de tipo viral em granjas de múltiplas idades. em regiões de alta densidade populacional. Embora hoje a doença esteja controlada em Bastos, estes dados nos demostram que não podemos descuidar das medidas de controle implementadas: vacinação e biosseguridade.

Experiências bem sucedidas em outros países mostraram que o controle da doença requer um trabalho eficaz e transparente, que envolva autoridades e indústria. É fato também que hoje temos mais ferramentas disponíveis que nas décadas passadas para implementar um programa de controle mais eficaz, que não apenas reduza as perdas na região afetada, mas também evite a propagação para regiões não contaminadas.

Naquela época, apenas se tinham disponíveis vacinas vivas. Hoje se sabe que, a médio prazo, elas trazem mais prejuízos que benefícios. A área científica sabe disso e, na atualidade, existe uma tendência mundial de proibir e não autorizar o uso deste tipo de vacinas.

AN – Qual o principal recado do Sr aos presentes em sua palestra durante o Congresso de Ovos da APA?

Jorge Luis Chacón – A LTI é um doença antiga, mas com repercussões atuais devido às deficiências dos programas de controle. Existe a tendência de usar as vacinas apenas quando a doença já levou a grandes prejuízos, sendo as vacinas ferramentas preventivas e não curativas.

O controle da doença continua sendo complicado, mas hoje temos disponíveis ferramentas de diagnóstico e imunoprofiláticas mais eficazes que no passado. As vacinas recombinantes LTI que não contém vírus vivo de LTI são totalmente seguras. E implementadas em um programa adequadamente desenhado, de acordo as realidades regionais e individuais, podem evitar os impactantes prejuízos da doença: elevada mortalidade nas fases de recria e produção; desuniformidade de peso na recria e queda de produção de ovos na fase de produção.

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