
O descredenciamento, pela Arábia Saudita, de cinco frigoríficos brasileiros exportadores de carne de frango é reversível, segundo a Câmara de Comércio Árabe-Brasileira. O presidente da Câmara, Rubens Hannun, explicou à aviNews Brasil que os motivos alegados pelo país árabe para o descredenciamento foram técnicos.
“Desde a operação Carne Fraca, as inspeções técnicas aos frigoríficos brasileiros têm sido mais frequentes“, explicou Hannun. Segundo ele, no ano passado, o SFDA (Saudi Food & Drug Authority) ficou um mês no Brasil, entre setembro e outubro, visitando centenas de plantas frigoríficas bovinas e de aves. Ele acrescentou que antes dessa visita, o SFDA esteve outras duas vezes no Brasil.
O descredenciamento das cinco plantas frigoríficas comunicado no dia 21/1, foi resultado da missão sanitária mais recente, segundo a Câmara Árabe. No caso de aves, o Brasil possuía 58 plantas habilitadas, das quais apenas 30 de fato exportavam, sendo que o órgão sanitário saudita revogou a habilitação de 33 plantas, entre elas, 5 das que exportavam, restando, portanto, 25 plantas aptas a vender frango para a Arábia Saudita no momento.

Presidente da Câmara de Comércio Árabe-Brasileira, Rubens Hannun – foto AI
“São grandes plantas frigoríficas responsáveis por um volume considerável de exportação ao bloco árabe”, observa Hannun. “A situação, no entanto, é reversível, uma vez que as irregularidades apontadas pela autoridade sanitária saudita forem sanadas e uma nova missão sanitária do órgão for realizada”, completa.
Segundo o presidente da Câmara Árabe, nas próximas semanas, aproveitando uma visita já marcada anteriormente à Arábia Saudita, ele irá abordar a questão com autoridades do país árabe. “Também discutiremos o assunto na semana que vem com a ministra Tereza Cristina“, acrescentou.
Em nota divulgada em seu site na tarde de terça-feira (22/1), o Mapa (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento) informa que o grupo atualmente habilitado respondeu, no ano passado, por 63% do volume das exportações brasileiras de carne de frango (437 mil toneladas) para a Arábia Saudita. “O Ministério ainda está examinando o relatório e encaminhará aos estabelecimentos as recomendações apresentadas”, informa a nota.
O Mapa também divulgou a lista das 25 plantas habilitadas. Veja abaixo!

A ABPA (Associação Brasileira de Proteína Animal) também confirmou que as razões informadas para a não-autorização das demais plantas habilitadas decorrem de critérios técnicos. A entidade está em contato com o Governo Brasileiro para que, em tratativa com o Reino da Arábia Saudita, sejam solvidos os eventuais questionamentos e incluídas as demais plantas.
“Além disto, as plantas que hoje não estão habilitadas contarão com o apoio do Ministério para obter a autorização para exportar a este mercado”, destacou a ABPA em nota divulgada à imprensa.
Câmara Árabe foi recebida pelo governo eleito em dezembro
Em novembro do ano passado, a Câmara de Comércio Árabe-Brasileira divulgou uma nota informando que trabalharia junto com o governo eleito para valorizar o relacionamento com o mercado da região árabe. Representantes da Câmara foram recebidos pelo vice-presidente, General Mourão, em dezembro do ano passado.
Na ocasião, um estudo foi entregue a Mourão sobre o potencial ainda a explorar no comércio existente entre o Brasil e os Países Árabes. “Nosso objetivo na reunião foi delinear o perfil do comércio atual e como Câmara e Governo podem trabalhar juntos para ampliá-lo“, explicou Rubens Hannun.
De acordo com o estudo da Câmara Árabe, atualmente o Brasil exporta pouco mais de US$ 11,6 bilhões em açúcar, carne de frango, minérios, carne bovina e grãos, nessa ordem. Somente a carne de frango, segundo item mais exportado para a Arábia Saudita, foi responsável por uma receita de US$ 2,24 bilhões em 2018, ou seja, quase um quinto de toda receita obtida com as exportações.
“Com mais promoção comercial, mais viagens diplomáticas, uma visita do nosso presidente aos países árabes, mais acordos de não bitributação a exemplo do que o Brasil já tem com os Emirados Árabes, e outras ações de competitividade, entendemos que é possível levar as nossas atuais exportações para cerca de US$ 20 bilhões nos próximos quatro anos”, afirmou Hannun.
Especificamente sobre a questão da transferência da embaixada brasileira de Tela Aviv para Israel, Rubens Hannun comentou que expôs ao vice-presidente a preocupação da Câmara com o assunto, tema sensível aos árabes. “Temos colhido sinais de preocupação no mundo árabe a esse respeito“, salientou. “A transferência da embaixada no mínimo implicaria num cenário menos favorável à efetivação das oportunidades que acabamos de descrever“, completou.
Porém, em relação ao descredenciamento, essa semana, dos 5 frigoríficos exportadores de carne de frango à Arábia Saudita, Hannun foi categórico: “nada tem a ver com a possível mudança da embaixada, que ainda não foi efetivada“.
Questionado se outros países da Liga Àrabe devem adotar medidas semelhantes e quais, Hannun afirmou que não dá para ser categórico a esse respeito. “Vai depender do cenário existente em cada país em relação à segurança alimentar da população e a capacidade interna de produzir alimentos ou externa, já que muitos fundos soberanos árabes têm participações em empresas de alimentos de todo o mundo, uma das formas pelas quais esses países – carentes de solos aráveis – garantem o fornecimento de alimentos a sua população“, afirmou.
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