Frango moderno não perdoa atraso: o erro invisível que ainda derruba desempenho no campo
Frango moderno não perdoa atraso: o erro invisível que ainda derruba desempenho no campo
Na avicultura atual, produtividade não depende apenas de genética, nutrição ou sanidade. O maior risco está no descompasso entre o potencial da ave e a forma como ela é manejada. Esse desalinhamento custa desempenho, eleva custo de produção e compromete previsibilidade.
Durante o Simpósio Brasil Sul de Avicultura (SBSA), no estúdio agriPlay, o espaço oficial de entrevistas com palestrantes e líderes do setor, a Diretora da agriNews Brasil Priscila Beck conduziu um debate com Lucas Schneider, da Cobb-Vantress, e Rodrigo Tedesco, da Aviagen, trazendo uma leitura direta sobre os gargalos atuais da produção .
O ponto central é claro: a ave evoluiu mais rápido do que o modelo mental do setor.
“A ave mudou muito… ele sim requer mudanças de mindset… é muito mais uma questão hoje… de romper os paradigmas que nós criamos lá atrás”, afirma Lucas Schneider .
Na prática, isso se traduz em erros estratégicos no campo. Não são falhas complexas. São decisões atrasadas, manejo reativo e falta de leitura integrada do sistema. O resultado aparece em menor ganho de peso, pior conversão alimentar e aumento de custo por lote.
Rodrigo Tedesco aponta um fator crítico: a velocidade da produção moderna.
“A velocidade de crescimento estando maior faz com que a gente atinja os objetivos… mais cedo… o que eu perdi de potencial… é perda, não vai retornar mais ao processo” .
Esse cenário exige mudança operacional. A tomada de decisão precisa sair do modelo reativo e migrar para antecipação. Cada hora perdida impacta diretamente o resultado final.
“Se você chegar depois, é prejuízo na certa… nós precisamos chegar antes”, reforça Lucas Schneider .
Outro ponto crítico está no erro de diagnóstico. Muitas vezes o setor busca solução em genética ou nutrição, quando o gargalo está no manejo básico.
“Boa nutrição com mau manejo não é igual a bom resultado”, destaca Rodrigo Tedesco .
Além disso, há um problema estrutural: a falta de visão sistêmica. Ambiência, por exemplo, ainda é tratada de forma simplificada. Temperatura isolada não resolve. Qualidade de ar, umidade, ventilação e manejo de cama precisam ser analisados de forma integrada.
No final, o desafio não é técnico. É operacional e cultural. A avicultura exige hoje precisão, velocidade e capacidade de adaptação. Quem continua operando no automático perde margem. Quem antecipa, ajusta e executa com consistência, captura resultado.
A provocação é direta: não é mais sobre saber fazer. É sobre fazer no momento certo.
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