Para o diretor da ABPA, “não dá mais para a indústria pagar R$ 60 por saca de milho, mas o produtor também não pode receber apenas R$ 14. A agroindústria precisa ser competitiva, mas o produtor tem de ser estimulado a produzir”.
A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) está à frente de um grupo de trabalho que pretende garantir abastecimento de milho à indústria da carne. A informação foi veiculada hoje (14/12) pelo jornal Folha de São Paulo, que conversou com o diretor de relações institucionais da entidade, Ariel Antonio Mendes.
A experiência vivida pelo setor em 2016, quando a saca de milho chegou a ser vendida por até R$ 60, é o motor do referido grupo que discute a compra antecipada do cereal, logística e negociações tarifárias com os estados. As discussões são realizadas, segundo mendes com a Abramilho, Aprosoja, Sociedade Rural Brasileira e Ministério da Agricultura, com o objetivo de montar mecanismos de compras.
Em 2016, exportações e seca reduziram a oferta de milho e os preços dispararam, elevando drasticamente os custos de produção. O setor só foi salvo, conforme informado pela FSP, porque parte do milho que seria exportado acabou ficando no mercado interno devido aos elevados preços.
Ariel Antonio Mendes declarou à FSP, que a situação do mercado interno hoje é diferente. O Brasil passou a ser um grande produtor de milho, mas o mundo também descobriu a capacidade de oferta do país e a qualidade do produto brasileiro.
“Por isso, é preciso mudar a cultura nas agroindústrias brasileiras. As decisões [de compra] não podem ficar só nas mãos do financeiro“, declarou Mendes.
Para o diretor da ABPA, “não dá mais para a indústria pagar R$ 60 por saca de milho, mas o produtor também não pode receber apenas R$ 14. A agroindústria precisa ser competitiva, mas o produtor tem de ser estimulado a produzir”.
A perspectiva é de que o abastecimento interno se torne cada vez mais difícil se as empresas não programarem as compras devido ao câmbio volátil e às facilidades de saída do milho de Mato Grosso pelos portos do Norte. Segundo Mendes, nos Estados de Santa Catarina, Rio Grande do Sul e São Paulo as dificuldades na compra do cereal são ainda maiores, chegando a um déficit de 7,5 milhões de toneladas por ano.
A viabilização da logística para transportar esse produto internamente, tanto por ferrovias como por rodovias, é outro ponto que vem sendo tratado pelo grupo. Segundo o diretor da ABPA, a movimentação do milho pelo país exige ainda discussões tarifárias e o grupo já negocia reduções tarifárias com os Estados.
“Afinal, é melhor ele ter uma taxa menor de imposto do que não ter nada quando o produto é exportado”, ponderou Mendes.
A entidade quer rediscutir ainda a prioridade de produção em alguns Estados dependentes da matéria-prima, como é o caso do Rio Grande do Sul.O grupo pondera que, além da grande demanda no Estado, o produtor também teria boas condições de venda do milho em Santa Catarina.
Para 2018, Ariel descarta a possibilidade de problemas de abastecimento de milho, considerando que os estoques de passagem estão em cerca de 19 milhões de toneladas. A preocupação do grupo de trabalho é garantir uma situação bem equacionada de abastecimento a médio prazo, no entanto, segundo Mendes, o produtor de milho necessita ter preço para ser estimulado.
Informações retiradas do Jornal Folha de São Paulo
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