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02 jun 2026

incubaFÓRUM 2026 mostra como a incubação está redefinindo o futuro da avicultura

Primeiro dia do incubaFÓRUM 2026 destacou temas como novas tecnologias em sexagem e análise qualitativa sobreposta às quantitativas, na avaliação de ovos

incubaFÓRUM 2026 mostra como a incubação está redefinindo o futuro da avicultura | Por redação agriNews

A 5ª edição do incubaFÓRUM foi realizada na cidade de Maringá, no Paraná, reunindo mais de 300 inscritos de diversas regiões do Brasil e de países como Chile, Peru, Paraguai, México e Uruguai. O primeiro dia do fórum iniciou com temas “canivetes suíços” da incubação: novas tecnologias de sexagem in ovo; fomento na origem, de olho na qualidade do sêmen; programação fetal para definição do fenótipo do frango; manejo correto de reprodutores para ovos de qualidade; e, por último, o olhar científico sobre a sanidade como impacto decisivo na incubação.

“A sexagem in ovo surge como uma solução para um dos principais desafios da produção de ovos comerciais: a identificação precoce do sexo dos embriões ainda durante a incubação. Além de reduzir a dependência de mão de obra e aumentar a eficiência operacional dos incubatórios, a tecnologia permite melhor aproveitamento da capacidade instalada, reduz custos associados à incubação de machos sem valor econômico para a cadeia de postura e atende a uma demanda crescente por práticas alinhadas ao bem-estar animal”, explicou Gabriela Menin, especialista em estratégia, tecnologia e inovação aplicada à produção animal. Atualmente, lidera as iniciativas para a América Latina da Innovate Animal Ag

 

incubaFÓRUM 2026

Gabriela Menin (Foto: agriNews Brasil)

Mais do que debater a incubação em si, o encontro trouxe especialistas para discutir os fatores que estão transformando essa área em uma das mais estratégicas da cadeia avícola moderna.

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A esfera temática do incubaFÓRUM evidenciou que a incubação deixou de ser apenas uma etapa operacional para se tornar uma ferramenta capaz de influenciar produtividade, qualidade de pintinho, bem-estar animal, eficiência operacional, sustentabilidade e até características que acompanham o frango até o produto final.

A incubação começa antes da incubadora

“Ovo de qualidade precisa ser observado desde a temperatura nas incubadoras, manejo e transporte desses ovos, de seus locais de origem”, afirma Felipe Kroetz Neto, especialista em incubação de ovos com mais de 20 anos de experiência no setor avícola e fundador da Inova Hatch.

Em sua palestra no incubaFÓRUM 2026, Kroetz reforçou que o desenvolvimento embrionário começa ainda dentro da galinha. Nas primeiras 5 a 6 horas após a oviposição, as células começam a se multiplicar, atingindo até 80 mil células antes mesmo de o ovo ser posto.

“Não penso na questão da incubação. Penso na questão do frango. Nosso produto final é aquele frango lá na plataforma de abate, é o ganho de carne que eu vou ter, é a conversão alimentar. Então, todos os detalhes que vamos ter durante esse processo são importantes”, destacou.

incubaFÓRUM Brasil

Felipe Kroetz (Foto: agriNews Brasil)

Para ele, tempo de coleta, resfriamento, armazenamento e transporte são críticos: “Se eu não controlar a temperatura, vou acelerar o desenvolvimento, vou passar desses estágios e vou ter pré-incubação ou mortalidade celular antes de chegar ao incubatório”. Kroetz concluiu: “Pensem que a gente está transportando vidas. Tudo isso vai fazer a diferença para o sucesso na incubação. É manejo de vidas!”.

O tema trazido por Kroetz está diretamente ligado ao tema abordado pelo especialista em reprodução de aves da Cobb-Vantress, Gabriel Novaes, que elevou essa discussão ao abordar o tema “O impacto da qualidade do sêmen na taxa de eclosão”. Novaes explicou que o processo de fertilidade nem sempre representa eclosão.

“Muitas vezes a gente vê uma boa fertilidade e uma baixa eclosão, com muita quantidade de mortalidade inicial, e a gente se preocupa apenas com a questão de transporte de ovo, de armazenamento de ovo, de processo inicial de incubação, mas, na verdade, esse problema também pode vir da granja, da quantidade e da qualidade do sêmen”, afirmou Novaes.

O paradoxo da fertilidade enganosa

Novaes apresentou dados importantes que ilustram a superficialidade da análise meramente qualitativa de espermatozoides, que não representam eclosões. Em um estudo comparativo apresentado por Gabriel, um grupo com dosagem reduzida de espermatozoides (10 mil vezes menor que a dose ideal) atingiu 77% de fertilidade — mas nenhum nascimento ocorreu. “Nesse grupo, todos os embriões morreram nas primeiras 48 horas”, explicou.

incubaFÓRUM 2026

Gabriel Novaes (Foto: agriNews Brasil)

A razão? O ovo de ave precisa de aproximadamente 30 a 60 espermatozoides penetrando para ativar o desenvolvimento embrionário. Dessas dezenas, apenas um espermatozoide faz a fecundação, mas os excedentes produzem fatores genéticos essenciais para estimular o início do desenvolvimento, segundo explicações de Novaes.

“Nesse caso, ainda teve uma fertilidade de 77%, porém, desses 77%, não teve nenhum nascimento. Todos os embriões morreram nas primeiras 48 horas. Como eles tinham de 4 a 17 espermatozoides chegando ao embrião, não teve uma ativação, não teve uma produção suficiente de proteína e de fatores genéticos para ativar o início da clivagem”, detalhou Novaes.

Fatores que comprometem a qualidade do sêmen

O principal inimigo da qualidade do sêmen é o estresse oxidativo, que ocorre quando há desbalanceamento entre a produção de espécies reativas de oxigênio e a capacidade antioxidante no testículo. “A qualidade do sêmen não é o único fator determinante para a queda da performance incubatória. Não existe um fator isolado que seja responsável pela queda da performance. Geralmente, é um efeito multifatorial”, enfatizou Novaes.

Soluções práticas para granjas e incubatórios

Os estudos apresentados por Gabriel Novaes demonstram que a queda na performance incubatória relacionada à qualidade do sêmen não é um problema sem solução, mas um desafio que exige manejo integrado e preventivo nas granjas. As alternativas práticas apresentadas vão desde a suplementação de antioxidantes na ração, com o objetivo de proteger testículos e espermatozoides do estresse oxidativo, até o uso de produtos que estimulam a produção de andrógenos e testosterona, contribuindo para o aumento da libido dos galos. Essas estratégias mostram que é possível mitigar os efeitos negativos da idade e das condições do ambiente reprodutivo.

Em conjunto, esses protocolos formam ações que produtores e incubatórios podem implementar de forma imediata. Mais do que isso, reforçam o entendimento de que a fertilidade e a eclosão dependem de uma cadeia de fatores interligados, na qual o manejo adequado dos reprodutores na granja representa o primeiro e mais importante elo para garantir pintinhos de qualidade e máxima produtividade no incubatório.

Painéis discutem inovação tecnológica e protocolos na origem

Ao término das apresentações técnicas, especialistas participaram de painéis de debate voltados à discussão dos principais desafios da incubação moderna, respondendo às perguntas do público e aprofundando temas relacionados à produtividade, qualidade, biosseguridade e rastreabilidade ao longo de toda a cadeia incubatória, desde à programação fetal.

“A programação fetal na avicultura consiste em utilizar estímulos ambientais durante a fase fetal do embrião para induzir adaptações fisiológicas, morfológicas e comportamentais que podem acompanhar a ave ao longo da vida. No entanto, sua aplicação prática ainda exige muitos estudos, pois os resultados dependem de inúmeras variáveis e precisam ser avaliados sem comprometer indicadores essenciais como eclodibilidade, qualidade dos pintinhos, desempenho produtivo e qualidade da carne”, destacou a pesquisadora Isabel Cristina Boleli, que palestrou no fórum, defendendo a programação fetal na avicultura, como definidor de fenótipo do frango. 

O segundo painel concentrou-se na evolução dos protocolos aplicados à origem dos ovos incubáveis, abordando desde o manejo das matrizes nas granjas até as condições de transporte, armazenamento e incubação. O debate destacou a necessidade de integrar conhecimento prático acumulado em campo a ferramentas analíticas avançadas, incluindo pesquisa aplicada, monitoramento de dados e recursos de Inteligência Artificial, como forma de elevar a previsibilidade dos resultados produtivos e sanitários.

Isabel Cristina Boleli (Foto: agriNews Brasil)

Incubação como elo estratégico da cadeia avícola

O primeiro dia do incubaFÓRUM 2026 evidenciou que a incubação deixou de ser uma etapa operacional restrita ao controle de parâmetros ambientais para assumir papel estratégico dentro da produção avícola. A eficiência incubatória é resultado de uma sucessão de decisões tomadas ao longo de toda a cadeia produtiva, desde a qualidade do sêmen e o manejo dos reprodutores até o desempenho zootécnico dos lotes comerciais.

Nesse contexto, indicadores como fertilidade, eclodibilidade, qualidade do pintinho de um dia, uniformidade dos lotes, conversão alimentar e rendimento de carcaça passam a ser compreendidos como variáveis interdependentes, diretamente influenciadas pela gestão integrada dos processos de reprodução e incubação.

Com a participação de mais de 300 profissionais e representantes de seis países, o incubaFÓRUM 2026 reforçou sua relevância como um dos principais fóruns técnicos dedicados à incubação avícola na América Latina. As discussões demonstraram que os avanços futuros da avicultura dependerão, em grande medida, da capacidade do setor de incorporar inovação, inteligência de dados e protocolos cada vez mais precisos na gestão da incubação.

A síntese que permeou as discussões foi a de que a incubação tem início muito antes da entrada dos ovos nas máquinas incubadoras. O desempenho final do processo é construído na granja, consolidado ao longo da logística e potencializado pela aplicação consistente de protocolos técnicos em todas as etapas da cadeia.

Recomendações para produtores e incubatórios

Entre os principais pontos destacados pelos especialistas está a importância de fortalecer os protocolos na origem. O manejo adequado dos reprodutores, o monitoramento contínuo da qualidade seminal, o controle rigoroso das condições sanitárias e o estabelecimento de padrões consistentes para coleta, armazenamento e transporte dos ovos incubáveis constituem fatores determinantes para o sucesso do processo.

“A sanidade na incubação começa muito antes de o ovo chegar ao incubatório. Ela tem origem na granja de matrizes, passa pelos programas vacinais, pela qualidade da casca, pelos procedimentos de coleta, armazenamento e transporte dos ovos, e depende de rigorosos protocolos de biosseguridade e rastreabilidade. Um único problema sanitário na origem pode comprometer a eclosão, aumentar a mortalidade embrionária e gerar impactos econômicos expressivos ao longo de toda a cadeia produtiva”, destacou Renata Steffen, médica-veterinária brasileira reconhecida por sua atuação na área de incubação, biosseguridade e qualidade de pintinhos na avicultura, atualmente atuante na MSD Saúde Animal.

Renata Steffen (foto: agriNews Brasil)

“Por isso, o incubatório deve atuar como um elo estratégico entre a granja e o frango de corte, monitorando continuamente a qualidade da matéria-prima, os processos de higienização e a rastreabilidade dos lotes para garantir pintinhos saudáveis e desempenho produtivo consistente”, concluiu.

Os debates do incubaFÓRUM 2026 reforçaram que ganhos em taxa de eclosão, qualidade dos pintinhos e desempenho dos lotes comerciais dependem de uma visão sistêmica da incubação, na qual cada etapa exerce influência direta sobre os resultados produtivos e econômicos da cadeia avícola.

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