O incubatório permite ver 100% da matéria-prima
Quando uma condenação aparece no abatedouro, a causa nem sempre está nos últimos dias de vida da ave. Parte importante do resultado começa muito antes: na reprodutora, na qualidade do ovo, no fluxo do incubatório, na vacinação, no nascimento e na condição do pintinho que chega ao campo. Essa foi a mensagem central da palestra de Felipe Kroetz, da Inova Hatch, durante o segundo dia do Phibro Master Science 2026 (PMS 2026), em Itá, Santa Catarina.
A programação do dia foi aberta por André Volpe, Gerente de Produto & Serviços Técnicos de Vacinas SAR da Phibro, e conectou incubatório, síndromes respiratórias, gestão sanitária e soluções voltadas à imunidade. No bloco conduzido por Kroetz, o incubatório foi apresentado como uma etapa crítica para enxergar riscos antes que eles se transformem em perda produtiva ou condenação no abate.
O incubatório permite ver 100% da matéria-prima
Felipe Kroetz destacou que o incubatório é um ponto privilegiado de observação porque permite avaliar 100% da matéria-prima que entra no sistema. Segundo ele, quando o profissional tem pouco tempo para ir a campo, o incubatório deve ser uma prioridade, pois ali é possível acompanhar a qualidade dos ovos, o processo de incubação, o nascimento, a vacinação e sinais que podem antecipar o desempenho dos próximos 40 ou 42 dias.

Felipe Kroetz, da Inova Hatch, durante o segundo dia do Phibro Master Science 2026 (PMS 2026)
O especialista relacionou a qualidade do pintinho a fatores como sanidade da reprodutora, contaminação de ovos, biosseguridade, fluxo correto entre áreas limpas e sujas, ventilação, pressão de ar, temperatura, umidade, viragem, CO2 e treinamento da equipe. Para Kroetz, falhas nesses pontos não ficam restritas ao incubatório. Elas podem se refletir em mortalidade de primeira semana, refugagem, desuniformidade, pior desenvolvimento intestinal, desempenho inferior no campo e maior risco de condenações no abatedouro.
|
Onde a perda começa O abatedouro pode revelar o problema, mas o ponto de origem pode estar na reprodutora, no ovo, no incubatório, na vacinação, no nascimento ou no alojamento. Por isso, a avaliação do pintinho precisa ser conectada ao resultado de campo e ao histórico de condenações. |
Vacinação é processo, não apenas produto
Um dos pontos mais fortes da palestra foi a discussão sobre vacinação. Kroetz reforçou que a eficiência vacinal depende de uma cadeia de cuidados que começa antes da aplicação. Segundo ele, é preciso garantir conservação adequada das vacinas, temperatura correta, sala limpa, preparo dos utensílios, qualidade da água, funcionamento de destiladores ou osmose reversa, controle de pH, calibração de equipamentos, tempo de descongelamento, checagem de agulhas e validação do processo.
Ao falar de vacinação in ovo, o especialista chamou atenção para a diferença entre idade cronológica e idade fisiológica do embrião. Segundo ele, o momento correto não deve ser definido apenas pelo número de dias e horas de incubação, mas pelo desenvolvimento real do embrião, considerando temperatura e ritmo de incubação. A vacinação in ovo deve ocorrer quando o embrião já picou a câmara de ar e está em um período fisiológico adequado para receber a vacina.

Felipe Kroetz, da Inova Hatch, durante o segundo dia do Phibro Master Science 2026 (PMS 2026)
Kroetz também alertou para a necessidade de checar se a vacina está sendo aplicada no lugar certo e se os equipamentos estão funcionando adequadamente. Agulhas entupidas, agulhas tortas, falhas em mangueiras ou problemas de desinfecção podem comprometer a vacinação, mesmo quando a vacina em si é de qualidade.
|
O que checar antes de culpar a vacina Conservação, temperatura, tempo de descongelamento, água, pH, preparo da sala, calibração de equipamentos, funcionamento de agulhas, cobertura vacinal, limpeza do ambiente, qualidade do ovo e treinamento da equipe devem ser avaliados antes de atribuir o problema ao produto. |
Na vacinação spray, pintinho colorido não é sinônimo automático de proteção
Na vacinação spray, Kroetz questionou a interpretação visual simplificada do processo. Segundo ele, a presença de corante na penugem não basta para assegurar que a vacinação foi adequada. É necessário verificar se a vacina atingiu os pontos relevantes para a imunização, como língua, base ocular e narinas, e se houve estímulo para que os pintinhos consumissem a vacina por bicagem.
O especialista também destacou a importância da luz. Quando os pintinhos ficam em caixas com baixa luminosidade, especialmente nas posições inferiores dos carrinhos, tendem a dormir e interagir menos com a vacina. Com menor estímulo visual, o comportamento de bicagem diminui, reduzindo a chance de consumo adequado da vacina distribuída sobre a penugem.
Essa leitura reforça que o processo precisa ser avaliado em diferentes pontos da operação, e não apenas na primeira caixa ou na superfície visível. A checagem deve considerar distribuição do spray, volume aplicado, cobertura real, comportamento dos pintinhos, tempo de exposição e condições ambientais.
|
Idade cronológica não basta na vacinação em ovo O embrião pode estar mais adiantado ou mais atrasado conforme as condições de incubação. Por isso, o momento correto da vacinação em ovo deve considerar a idade fisiológica, e não apenas o calendário. |
Qualidade do pintinho precisa ser traduzida em dados
Outro ponto enfatizado por Kroetz foi a necessidade de transformar observações em indicadores. Segundo ele, saber que houve mortalidade na primeira semana não é suficiente. O incubatório precisa entender em que dia essa mortalidade ocorreu: primeiro, segundo, terceiro, quarto, quinto, sexto ou sétimo dia. Essa curva ajuda a diferenciar problemas de seleção, desidratação, alojamento, qualidade do pintinho ou desafios de campo.

Felipe Kroetz, da Inova Hatch, durante o segundo dia do Phibro Master Science 2026 (PMS 2026)
O rendimento de pintinho também foi apontado como indicador importante. Kroetz explicou que rendimentos muito altos podem indicar pintinhos com menor capacidade de buscar alimento e água após o alojamento, impactando o desenvolvimento das vilosidades intestinais e o arranque inicial. Também é necessário classificar corretamente refugos, pintinhos de segunda categoria, problemas de umbigo, pernas, penugem e outros sinais que ajudem a localizar a origem da falha.
Para o especialista, treinamento contínuo é indispensável, especialmente em ambientes com rotatividade de pessoas. O processo não pode depender apenas da experiência prévia de operadores. Cada equipe precisa ser treinada para a realidade do incubatório, dos equipamentos e dos objetivos sanitários da empresa.
Precisão e previsibilidade no programa vacinal
A abordagem do incubatório se conecta diretamente à discussão sobre programas vacinais e previsibilidade produtiva. No roteiro de comunicação do evento, a Phibro posicionou MB-1 como uma frente voltada a dar ao incubatório mais precisão, mais previsibilidade e proteção mais cedo contra Gumboro. Essa mensagem dialoga com a palestra de Kroetz porque reforça que a eficiência da vacinação depende tanto da tecnologia quanto da execução correta do processo.
A discussão conduzida no PMS 2026 sugere que o ganho técnico não está apenas em escolher uma ferramenta, mas em garantir que a ferramenta encontre um processo capaz de entregar seu potencial. No incubatório, isso significa alinhar produto, momento de aplicação, qualidade da matéria-prima, equipamento, equipe e validação de resultado.
|
Pintinho ruim ou processo mal lido? Antes de concluir que o problema é apenas a qualidade do pintinho, é preciso avaliar origem dos ovos, incubação, seleção, hidratação, rendimento, vacinação, transporte, alojamento e curva diária de mortalidade da primeira semana. |
O elo entre incubatório e abatedouro
Ao encerrar sua abordagem, Kroetz defendeu uma visão integrada entre incubatório, campo e abatedouro. Para ele, o incubatório não deve ser visto apenas como uma etapa intermediária, mas como um elo crítico da cadeia avícola. A qualidade do pintinho desde a origem pode mitigar riscos de condenação, melhorar uniformidade e contribuir para maior previsibilidade de desempenho.
A mensagem para técnicos e gestores é objetiva: quando a perda aparece no abatedouro, parte da resposta pode estar no início da cadeia. Investigar o incubatório com método, dados e visão sanitária é uma forma de antecipar riscos, reduzir variabilidade e evitar que falhas de processo sejam percebidas apenas quando já viraram prejuízo.
Leia também: por que síndromes respiratórias exigem gestão integrada de ambiência, imunidade, diagnóstico e biosseguridade.
Assine agora a melhor revista técnica sobre avicultura
AUTORES

Importância da doença de Marek e Leucose Linfóide na avicultura familiar e caipira – Parte II

O impacto das síndromes respiratórias na qualidade do frango
Jovanir Inês Müller Fernandes
Programação dos painéis de resfriamento evaporativo

Com R$ 80 milhões de investimento em P&D, Agroceres Multimix lança agCare e mostra a engrenagem por trás das especialidades para aves

HPDDG: ingrediente que nasceu na “energia” e está conquistando espaço na avicultura

Mão de obra, o pesadelo atual dos incubatórios!
Adriano Bailos
Novos compostos e sinergismo podem contribuir para o controle de Salmonella Heidelberg e S. Minnesota
M.V. M.Sc. Dino Garcez – Consultor Técnico/DGbioss
Pontos de controle importantes para a qualidade de pintinhos correlacionados à temperatura
Renata Steffen
Cobb-Vantress completa 10 anos de compartimentação de plantéis avícolas com validação de seis países da América Latina
Cobb
Revestimentos de resíduo de açaí na conservação de ovos

NestSound™: A inovadora tecnologia de monitoramento de som da Petersime para melhorar o bem-estar dos pintinhos

Crina® Poultry Plus, uma ferramenta para a saúde avícola com efeitos no desempenho produtivo e na saúde intestinal.

Modulação Precoce e Integrada da Saúde Intestinal de Aves: Soluções Biochem
Equipe Técnica Biochem
Persistência das fêmeas no pós-pico: Manejo da fertilidade e da produção
Equipe Técnica Aviagen
Condenações em abatedouros: Artrite, pododermatite e ascite em frangos de corte
Brunna Garcia
Sucessão e Biosseguridade: O “Novo Normal” da Postura foi Pauta no LPN Congress 2025