O Indicador ESALQ/BM&FBovespa (Campinas, SP) de milho subiu expressivos 23,87% na parcial de outubro (até 23/10), fechando a R$ 78,82/saca de 60 kg, maior valor nominal da série do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada). Com isso, a atual relação de troca entre ovos e milho é a mais desfavorável de toda a série histórica do Cepea, iniciada em 2013.
Próximo do recorde real, de R$ 81,4/saca de 60 kg, registrado no dia 30 de novembro de 2007(valores diários deflacionados pelo IGP-DI de setembro/2020), o forte avanço das cotações do milho está atrelado à firme demanda por milho nas regiões produtoras. Os vendedores se mantém afastados das negociações, na expectativa de novas valorizações.
Frente ao farelo de soja, o poder de compra do produtor de ovosneste mês de outubro é o terceiro mais baixo da série. A dificuldade da indústria esmagadora em negociar lotes do grão tem limitado a disponibilidade do derivado e, consequentemente, elevado os preços, que também operam nas máximas nominais.
O baixo excedente interno, o cultivo tardio no Brasil e a valorização externa elevaram os preços da soja no mercado doméstico nos últimos dias. O pouco volume disponível no spotestá sendo disputado por indústrias locais, que oferecem preços acima dos da paridade de exportação, algo incomum de se observar.
Indústrias sinalizam não ter estoques longos, o que deixa avicultores e suinocultores em alerta quanto ao consumo de farelo de soja no primeiro bimestre de 2021, especialmente diante da possibilidade do atraso da colheita da safra 2020/21, devido ao atual semeio tardio.
Para os ovos comerciais, as temperaturas elevadas nas principais regiões produtoras vêm limitando a produção de ovos maiores, o que, por sua vez, eleva as cotações. Mesmo assim, o cenário de altos preços dos principais insumos consumidos na avicultura de postura, vem pressionando o poder de compra de avicultores.