O erro estratégico da avicultura: por que olhar só o mercado interno está destruindo margem
O erro estratégico da avicultura: por que olhar só o mercado interno está destruindo margem
Em um cenário de alta volatilidade, a maior falha da avicultura não está na produção, mas na leitura de mercado. Decisões baseadas em indicadores locais, sem considerar o contexto global, têm impactado diretamente custo, competitividade e previsibilidade. Esse foi o alerta trazido por Arene Trevisan, Diretor de Suprimentos da Seara JBS, durante o Simpósio Brasil Sul de Avicultura (SBSA).
A entrevista foi realizada no estúdio agriPlay, o espaço oficial de entrevistas com palestrantes e líderes do setor, conduzida por Priscila Beck, Diretora de Comunicação da agriNews Brasil.
O ponto central da análise é claro: o Brasil deixou de ser um mercado isolado e passou a operar como player global. Isso muda completamente a lógica de precificação e tomada de decisão.
“O Brasil não trabalha em função de preço brasileiro, trabalha em função de preço internacional. O preço internacional é piso mínimo.”, explica.
Na prática, isso significa que uma grande safra nacional não garante matéria-prima barata. Eventos externos — como clima na Ucrânia ou decisões nos Estados Unidos — impactam diretamente o custo do milho e, consequentemente, da produção avícola.
Outro ponto crítico está na logística. O modelo brasileiro ainda depende fortemente de rodovias, o que reduz eficiência, aumenta custo e limita competitividade.
“Rodovia não é adequada para longa distância. Toda a infraestrutura criada no Brasil foi feita para escoamento para exportação e não para abastecimento doméstico.”
Esse cenário se agrava com fatores como aumento do diesel, redução de motoristas e limitações estruturais, criando um gargalo que impacta diretamente o custo final da produção. Além disso, a dinâmica do mercado mudou com a expansão do etanol de milho. Embora traga benefícios ao produtor, ele aumenta a competição por matéria-prima e altera a lógica de comercialização.
Diante desse contexto, a gestão de risco se torna decisiva. Mais do que ferramentas financeiras, trata-se de entender o limite de exposição do negócio.
“Risco em excesso, ele engole a empresa.”, alerta Arene Trevisan.
Por fim, Trevisan reforça que o maior erro do setor está no excesso de foco no curto prazo.
“As pessoas precisam enxergar mais o longo prazo.”, destaca Arene Trevisan.
O recado é estratégico: a avicultura já domina a produção. Agora, precisa dominar o mercado. Porque, em um ambiente globalizado, quem não lê o mundo, perde margem no local.
O erro estratégico da avicultura: por que olhar só o mercado interno está destruindo margem
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