“Se esse quadro se confirmar poderá haver imprevisível impacto de ordem sanitária”, destaca a nota.
Em seu 4o dia, a paralisação dos caminhoneiros afeta o transporte, abastecimento de combustíveis, alimentos e os animais de produção podem começar a morrer em campo devido à falta de alimento.
Em nota, o SINDICARNE (Sindicato das Indústrias da Carne e Derivados no Estado de Santa Catarina) e a ACAV (Associação Catarinense de Avicultura) informam que o plantel permanente de 5 milhões de suínos e 118 milhões de aves alojadas no estado Catarinense entram, a partir de agora, em regime crítico de sobrevivência.
“Se esse quadro se confirmar poderá haver imprevisível impacto de ordem sanitária”, destaca a nota.
As entidades catarinenses destacam que os estabelecimentos rurais que atuam nas áreas de avicultura, suinocultura e bovinocultura leiteira deixaram de receber ração para nutrição animal, pintinhos e outros serviços e insumos. Os produtores, segundo a nota, estão obrigados a adotar a restrição alimentar em seus plantéis.
“Simultaneamente, a produção acabada não pode ser retirada”, informam.
A ABPA (Associação Brasileira de Proteína Animal) também divulgou nota à imprensa nessa quinta-feira (24/5) informando que ainda não houve a liberação das cargas vivas em vários pontos de parada do movimento de greve nas estradas. Essa liberação foi um dos compromissos assumidos pelas lideranças do movimento em reunião com representantes do governo federal.
“Recebemos relatos de produtores com caminhões transportando animais parados em bloqueios em todo o país”, informa a nota. “Há casos de animais com mais de 50 horas sem alimentação”, completa. A circulação de caminhões de ração também está travada.
Segundo a ABPA, a cadeia produtiva da avicultura e da suinocultura do país iniciou esta quinta-feira (24/5) com 120 plantas frigoríficas paradas – produtoras de carne de frango, perus, suínos e outros.
O Sindirações (Sindicato Nacional da Indústria de Alimentação Animal), que concentra 90% do mercado comercial de produtos destinados à alimentação animal, também manifestou preocupação com os efeitos da paralisação dos caminhoneiros para o setor.
“Embora a solução para o impasse instalado ultrapasse sua capacidade de intervenção, a indústria de alimentação animal continua buscando alternativas para minimizar os efeitos dessa paralisação, inclusive reivindicando urgente expediente do Executivo e do Legislativo no restabelecimento imediato do fluxo rodoviário”, informa a nota.
Iniciativas governamentais
Na noite da última quarta-feira (23/5), após reunião entre representantes da Abcam (Associação Brasileira de Caminhoneiros) e do Governo Federal, a Câmara dos Deputados aprovou o projeto que zera a cobrança de PIS/COFINS sobre o óleo diesel até o final do ano. A iniciativa ainda deve ser analisada pelo Senado, porém, os movimentos da Casa Legislativa não apontam para uma solução rápida desse caso.
Junto com o projeto os deputados federais também aprovaram outra iniciativa, aumentando a carga tributária sobre salários para aproximadamente metade dos setores até então beneficiados pela desoneração da folha de pagamento.
Também na noite de quarta-feira (23/5), o presidente da Petrobrás, Pedro Parente, anunciou a redução de 10% no preço do diesel que sai das refinarias. O congelamento deverá ser mantido por 15 dias “para que o governo converse com os caminhoneiros”.
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