Quando o abate desacelera, o prejuízo já começou: o erro que derruba rendimento e qualidade de carcaça
Quando o abate desacelera, o prejuízo já começou: o erro que derruba rendimento e qualidade de carcaça
Na indústria avícola, ainda persiste a ideia de que velocidade demais compromete a qualidade do abate. Mas, na prática, o problema muitas vezes está no sentido oposto. Quando a planta reduz ritmo para tentar compensar falhas de matéria-prima ou gargalos do processo, o impacto aparece em custo, perda de rendimento e padrão de carcaça. Esse foi o ponto central da entrevista com Darwem de Araújo Rosa, médico-veterinário, consultor e proprietário da consultoria D+, durante o Simpósio Brasil Sul de Avicultura (SBSA).
A conversa foi realizada no estúdio agriPlay, “o espaço oficial de entrevistas com palestrantes e líderes do setor”, e conduzida por Priscila Beck, Diretora da agriNews Brasil.
Segundo Darwem, o setor ainda interpreta mal a relação entre velocidade e eficiência. Em plantas com SIF, a velocidade máxima já é autorizada e controlada. O prejuízo não está em acelerar além do permitido, mas em precisar desacelerar para lidar com um processo que perdeu estabilidade.
“O nosso grande problema é o contrário: é abater mais lento.”, afirma Darwem de Araújo Rosa.
Isso acontece porque os equipamentos foram projetados para operar dentro de uma faixa específica. Quando a linha roda abaixo do ideal, os danos de carcaça aumentam, assim como hematomas, fraturas, falhas de acabamento e perdas que não podem seguir adiante.
“Quanto mais lento, pior o resultado da qualidade de carcaça.”, destaca Darwem de Araújo Rosa.
Na prática, essa desaceleração costuma ser consequência de problemas que começam antes do abatedouro. Pelos levantamentos apresentados pelo consultor, o campo tem pesado cada vez mais nesse resultado, com recorrência de desafios sanitários como aerossaculite e artrite, além de decisões de gestão que alteram peso das aves sem avaliar se a estrutura industrial suporta esse novo cenário.
Outro ponto forte da análise foi a fragmentação da tomada de decisão dentro das agroindústrias. Áreas como agropecuária, nutrição e indústria ainda operam com metas isoladas, o que dificulta enxergar o impacto econômico total.
“A gente precisa na agroindústria quebrar os feudos. Porque só existe um feudo: o CNPJ.”, alerta Darwem de Araújo Rosa.
O recado final é direto: eficiência de abate não se resume à linha. Ela começa no campo, passa pela qualidade da matéria-prima e depende de gestão integrada. Quando cada área olha só a própria meta, a conta fecha num setor e estoura no outro. E, no fim, quem paga é a operação inteira.
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