
Neste ano de 2018, a Tailândia assume o posto de maior fornecedor de carne de frango para a UE (União Europeia), segundo análise divulgada pelo USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos). O Brasil, que ocupava esse posto até o ano passado, de janeiro a julho de 2018 deixou de exportar 57 mil toneladas de carne de frango para o mercado europeu após o embargo a 20 plantas frigoríficas brasileiras, por questões relacionadas a Salmonella.
Segundo o Departamento norte-americano, após oito anos fechado à carne de frango tailandesas devido a surtos de Influenza Aviária, o mercado da UE foi reaberto aos produtos do país asiático em julho de 2012. Desde então, as exportações de cortes e frango salgado e congelado para o bloco europeu vêm aumentando de forma constante.
Em 2018, segundo relatório do USDA, o Brasil deverá enviar aproximadamente 200 mil toneladas de carne de frango para a UE, enquanto o volume enviado pela Tailândia à região deverá ser próxima de 300 mil toneladas. O posto de terceiro maior fornecedor de carne de frango para a União Europeia ficará para a Ucrânia, com pouco mais de 100 mil toneladas.
Para driblar as quotas tarifárias estabelecidas pelo DCFTA (Deep and Comprehensive Free Trade Agreement), assinado em 2014 entre a Ucrânia e a UE, o país da Europa Oriental se aproveita de uma brecha legal. Os cortes com osso enviados pela Ucrânia à UE não estão sujeitos a quotas de importação, nem a tarifas.
Sendo assim, a empresa MHP, maior processadora de carne de frango da Ucrânia, envia o peito de frango com osso para sua planta processadora na Eslováquia, onde o osso é removido. Então, o peito desossado passa a poder ser vendido como processado nos Países Baixos, onde a MHP também possui uma planta processadora, ou na própria Eslováquia, removendo a origem ucraniana da carne para o consumidor final.
Outro apontamento importante destacado no relatório do USDA refere-se ao fato dos vários casos de Influenza Aviária ocorridos na Ucrânia não impactarem nas exportações do país. Segundo o USDA, a UE “rapidamente” concedeu status de regionalização ao país da Europa oriental. Os Estados Unidos, que exportaram 92 mil toneladas de carne de frango em 2005 para a Romênia e Bulgária, também não são mais fornecedores da UE, que não aceita Tratamentos de Redução de Patógenos, utilizados pelos processadores de carne de frango daquele país.

Embargo à carne de frango brasileira
Em entrevista coletiva à imprensa, realizada no final do mês de agosto, o presidente da ABPA (Associação Brasileira de Proteína Animal), Francisco Turra, informou que, atualmente, 18 plantas frigoríficas estão embargadas, das quais duas pelo próprio Mapa (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento).
A entidade questiona os argumentos apresentados pela UE para o embargo à carne de frango brasileira e contratou estudos que irão subsidiar a abertura de um painel contra o Bloco na OMC (Organização Mundial do Comércio). Os estudos estão em fase de conclusão.
“Para Salmonella sp, se a metade do peito de frango tiver 1,2% de sal, não entra na Europa porque representa perigo de saúde pública”, explicou Ricardo Santin, vice-presidente a ABPA. “E na outra metade do peito de frango, se eu não colocar sal, vender e pagar o imposto, não há perigo de saúde pública”, completou, justificando que o critério é uma demonstração clara de que a medida é protecionista.
Segundo o relatório do USDA, além da queda nas importações de carne de frango pela UE e aumento nas exportações do produto, também é esperado o aumento do consumo interno. A desaceleração econômica na região torna a carne de frango mais atraente por ser mais barata. Na UE, as vendas de cortes de frango mais baratos aumentaram mais rapidamente do que as de partes mais caras, como peito ou aves inteiras.
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