Bem-estar animal tropical: Brasil propõe modelo próprio de certificação
Bem-estar animal tropical: Brasil propõe modelo próprio de certificação
A proposta de desenvolver protocolos de bem-estar animal que valorizem a realidade produtiva e climática do Brasil está ganhando força dentro e fora da indústria. A constatação é de José Rodolfo Ciocca, diretor executivo da certificadora Produtor do Bem, que participou de entrevista exclusiva no agriNews Play, estúdio oficial do 25º Simpósio Brasil Sul de Avicultura, ação promovida em parceria entre o Nucleovet e a agriNews Brasil.
Durante o bate-papo, Ciocca e a consultora de bem-estar animal da BRF, Josiane Busata, defenderam uma abordagem mais científica e sistêmica para os desafios que envolvem ambiência, densidade, genética, manejo e qualidade da comunicação com o consumidor final.
“Os protocolos internacionais são, em sua maioria, formulados para sistemas de países temperados. Isso cria dificuldades reais de aplicação nas nossas condições de clima e estrutura. Precisamos valorizar a expertise local e reconhecer avanços dentro da nossa realidade produtiva”, afirmou Ciocca.
Segundo ele, a Produtor do Bem é a primeira certificadora subglobal com sistema multinível, que permite reconhecer tanto os produtores que estão iniciando a transição quanto aqueles que já operam com níveis elevados de bem-estar. “Essa abordagem dá transparência ao consumidor e oferece à indústria uma ferramenta útil para mercados B2B”, destacou.
A BRF, uma das líderes globais em proteína animal, atua há dez anos com o programa “Feito na BRF”, estruturado com base em certificações, legislações e protocolos de clientes, mas adaptado ao contexto brasileiro. “Bem-estar é uma ciência. É muito mais do que cumprir exigências para exportar. É compreender os cinco domínios dos animais e garantir que eles possam expressar comportamentos naturais sem frustração constante”, explicou Josiane Busata.
Bem-estar animal tropical: Brasil propõe modelo próprio de certificação
Ela destacou que, ao cuidar adequadamente de fatores como cama, água e ambiência, o desempenho vem como consequência. “A produtividade aumenta quando o animal está em equilíbrio físico e comportamental. E o consumidor, cada vez mais, quer saber de onde vem o produto que consome”, disse.
Questionado sobre a agregação de valor trazida pela certificação, Ciocca afirmou que os efeitos não são apenas de imagem, mas operacionais. “A partir do momento em que se busca a certificação, começa-se a monitorar melhor, organizar melhor, e o sistema evolui. A certificadora precisa ser rígida, sim, mas também parceira do produtor na construção de soluções com a academia e com a indústria.”
Ciocca também chamou atenção para o papel estratégico do Brasil no cenário internacional. “As maiores empresas do mundo estão olhando para nós. O Benchmarking BBFAW já mostra a América Latina, puxada pelo Brasil, em posição mais positiva do que a América do Norte no quesito bem-estar. Precisamos parar de importar modelos prontos e assumir nossa vocação para liderar com base em evidências científicas.”
Segundo ele, o mercado europeu, apesar de suas exigências, enfrenta desafios que o Brasil já superou. “Visitei grandes frigoríficos aqui que oferecem níveis de bem-estar muito superiores aos encontrados em países críticos ao nosso sistema. E, ao mesmo tempo, vejo países como a Tailândia se posicionando com inteligência estratégica para atender esse mercado. Precisamos ocupar esse espaço com protagonismo.”
Bem-estar animal tropical: Brasil propõe modelo próprio de certificação
A palestra de Ciocca durante o Simpósio Brasil Sul contou com forte participação da plateia. Um dos principais temas debatidos foi a dificuldade de se comunicar com clareza com o consumidor, que valoriza o bem-estar de forma conceitual, mas nem sempre reconhece os atributos certificados. “Selos com siglas ou termos em outras línguas não comunicam nada. Precisamos dizer o que exatamente está sendo garantido ali”, alertou.
Para Josiane, o setor já entendeu que bem-estar animal não é mais uma escolha, mas uma premissa. “Antes, falava-se de bem-estar como um diferencial. Hoje, é o básico bem feito. E, como eu sempre digo, o básico bem feito é perfeito.”
A entrevista faz parte da série especial Conexão Nucleovet, uma realização conjunta da AgriNews Brasil com o Nucleovet, direto da Poultry Fair 2025.
Assine agora a melhor revista técnica sobre avicultura
AUTORES

Importância da doença de Marek e Leucose Linfóide na avicultura familiar e caipira – Parte II

O impacto das síndromes respiratórias na qualidade do frango
Jovanir Inês Müller Fernandes
Programação dos painéis de resfriamento evaporativo

Com R$ 80 milhões de investimento em P&D, Agroceres Multimix lança agCare e mostra a engrenagem por trás das especialidades para aves

HPDDG: ingrediente que nasceu na “energia” e está conquistando espaço na avicultura

Mão de obra, o pesadelo atual dos incubatórios!
Adriano Bailos
Novos compostos e sinergismo podem contribuir para o controle de Salmonella Heidelberg e S. Minnesota
M.V. M.Sc. Dino Garcez – Consultor Técnico/DGbioss
Pontos de controle importantes para a qualidade de pintinhos correlacionados à temperatura
Renata Steffen
Cobb-Vantress completa 10 anos de compartimentação de plantéis avícolas com validação de seis países da América Latina
Cobb
Revestimentos de resíduo de açaí na conservação de ovos

NestSound™: A inovadora tecnologia de monitoramento de som da Petersime para melhorar o bem-estar dos pintinhos

Crina® Poultry Plus, uma ferramenta para a saúde avícola com efeitos no desempenho produtivo e na saúde intestinal.

Modulação Precoce e Integrada da Saúde Intestinal de Aves: Soluções Biochem
Equipe Técnica Biochem
Persistência das fêmeas no pós-pico: Manejo da fertilidade e da produção
Equipe Técnica Aviagen
Condenações em abatedouros: Artrite, pododermatite e ascite em frangos de corte
Brunna Garcia
Sucessão e Biosseguridade: O “Novo Normal” da Postura foi Pauta no LPN Congress 2025