Brasil tem 25 mil vagas abertas na avicultura e suinocultura, mas não consegue preencher por falta de mão de obra qualificada. Isis Nogueira Sardella, gerente da ABPA, aponta causas da escassez e defende retenção de talentos e inovação tecnológica como caminhos para o futuro do setor
O setor de proteína animal no Brasil enfrenta um paradoxo: mesmo sendo um dos maiores empregadores do país, com mais de 4 milhões de postos diretos e indiretos, ainda acumula 25 mil vagas em aberto. A dificuldade de preencher essas posições foi um dos principais pontos abordados por Isis Nogueira Sardella, gerente de marketing e promoção comercial da ABPA (Associação Brasileira de Proteína Animal), durante a palestra de encerramento do XXII Congresso APA de Produção e Comercialização de Ovos, realizada em Ribeirão Preto.
O tema da apresentação foi “Panorama da mão de obra no Brasil e o caminho para a inovação”. Isis apresentou dados preocupantes e reforçou que o problema vai além do agronegócio.
“Hoje, o Brasil tem o maior índice de rotatividade de funcionários do mundo”, salientou. “Em 2023, 6,5 milhões de pessoas pediram demissão voluntária — e 30% delas eram jovens buscando empreender ou mudar de carreira”, completou.
Segundo a palestrante, as causas da escassez de mão de obra passam por diferentes fatores:
“A gente precisa sair da zona de conforto e olhar para o colaborador com mais atenção”, alertou. “Às vezes, um simples ‘obrigado’ ou um refeitório mais acolhedor já fazem diferença”, defendeu Isis.
Ela também destacou que parte das empresas tem buscado alternativas, como contratação de imigrantes — especialmente venezuelanos — e, principalmente, investimento em inovação tecnológica para reduzir a dependência da mão de obra humana.
Entre as soluções tecnológicas citadas por Isis estão:
“Não dá para dizer que a partir de amanhã sua empresa vai inovar. É preciso criar uma cultura de inovação, formar equipes engajadas e incentivar esse movimento internamente”, enfatizou.
A ABPA, segundo Isis, está lançando um programa voltado à inovação e automação, com apoio a startups, capacitação e mapeamento dos gargalos nas empresas associadas. Além disso, ela destacou iniciativas públicas, como o programa Qualifica SP, que oferece cursos gratuitos para formação profissional em áreas com escassez de mão de obra.
“Estamos vivendo um momento em que inovar não é mais uma escolha. É uma necessidade para garantir competitividade e sustentabilidade ao setor”, concluiu.
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