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25 mar 2018

Codornas: especialista aponta onde os produtores estão errando

Em palestra durante o XVI Congresso de Ovos da APA, especialista destaca que poucas pessoas se dedicam a conhecer o manejo da codorna profundamente

No último dia do XVI Congresso de Ovos, promovido pela Associação Paulista de Avicultura (APA), o médico veterinário Paulo Rene da Silva Jr., falou sobre manejo estratégico de codornas para a maior produtividade e menor mortalidade.

Paulo Rene, que é consultor e há mais de dez anos trabalha com codornas, destacou diversos aspectos sobre ambiência, biosseguridade, transporte, sistemas de debicagem e frisou: “nunca alojar lotes de múltiplas idades”.

Em sua palestra, o especialista destacou que poucas pessoas se dedicam a conhecer o manejo da codorna profundamente. Também apontou que produtores se queixam de mortalidade, porém não possuem dados zootécnicos que permitam uma avaliação adequada das condições de produção.

Uma das fases mais preocupantes segundo Paulo Rene é a de cria e recria, quando podem ocorrer problemas no transporte, ambiência no pinteiro, manejo sanitário, alimentação, entre outras coisas. Entre os pontos destacados por Paulo está a avaliação de uniformidade das aves quando chegam ao pinteiro, desaconselhando a colocação de aves com pesos diferentes numa mesma gaiola.

“O peso ideal para a codorna chegar à granja é 7g”, destacou. “Se elas chegarem separadas, as colocarmos em lugar mais quentinho, com bebedouros com copinho de pressão, conseguimos tomar iniciativas para reduzir a mortalidade”, completou Paulo.

A questão de um lote com múltiplas idades também foi destacada pelo consultor. Segundo Paulo Rene, essa prática pode funcionar bem no 1º lote, porém a mortalidade aumenta a cada lote. “Tem que fazer o vazio sanitário”, destacou.

O aviNews Brasil conversou com o especialista sobre o assunto:

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aviNews – Num artigo, você afirma que as codornas ainda não estão adaptadas a condição de produção, ou não totalmente adaptadas. O que você quis dizer com isso e o que implica essa condição?

Paulo Rene da Silva Jr – Quando digo que a codorna não está totalmente adaptada a condição de produção, não sei se exatamente com estas palavras, é no sentido de que os produtores querem que as codornas se adequem à sua realidade, o que não acontece, pois a codorna é um animal mais sensível, diferente de outros animais e até mesmo outras aves. Elas exigem que produtores e técnicos saibam o que elas demandam em relação a manejo, ambiência e nutrição. As codornas têm muito potencial produtivo, porém, temos que fornecer o que elas precisam.

AN – Qual é o tamanho da coturnicultura no Brasil hoje? E quais os principais desafios para essa atividade no nosso país?Estima-se que em 2018 o plantel seja de aproximadamente 20 milhões de codornas.

PRSJ – Com a crise, o setor encolheu em 2015 e 2016, voltando a crescer em 2017. O crescimento da coturnicultura se deve, em grande parte, à produção de conservas e semi-conservas de ovos de codornas.

Diante disso, o setor precisa resolver alguns impasses existentes. O mais importante seria um regulamento técnico que determinasse as regras para se produzir as conservas e semi-conservas de ovos de codorna, gerando uma identidade para o produto. Desta forma, as pessoas saberiam o sabor, textura e padrão de qualidade do produto, quando registrado no órgão fiscalizador, independente da região em que estiver no Brasil.

Esta padronização e identidade do produto seriam de grande valia na abertura de novos mercados, disponibilizando ovos de codorna em conserva nos locais que hoje são pouco explorados, como supermercados, padarias, merenda escolar, feiras etc.

Sem o regulamento técnico, existem muitos entraves para as indústrias de ovos de codorna em conserva ou semi-conserva desenvolverem novos produtos para buscar novos mercados.

AN – Em termos de manejo, qual o principal fator de interferência na produtividade dessas aves?

PRSJ – Acredito que os dois principais problemas de manejo das granjas sejam densidade nas gaiolas de produção e galpões com múltiplas idades. A combinação desses dois erros de manejo causa muitos prejuízos aos produtores.

AN – Quais os primeiros cuidados deve ter quem pretende iniciar nessa atividade?

PRSJ – Os produtores precisam se profissionalizar, têm que enxergar a codorna como um negócio, investir em melhorias desde a recria até o processamento dos ovos, em marketing, desenvolvimento de novos produtos e buscar mercados ainda inexplorados. A coturnicultura tem mercado potencial para continuar seu crescimento, é preciso popularizar o consumo de ovos de codorna.

 

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