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13 ago 2018

Exportador brasileiro dá espaço à concorrência nos países árabes

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As exportações aos árabes somaram US$ 6,05 bilhões entre janeiro e julho, queda de 15,38% sobre o mesmo período de 2016, apesar do aumento de 6,08% no volume embarcado para 22,48 milhões de toneladas, informa a Câmara de Comércio Árabe-Brasileira.

Segundo a entidade, as receitas foram menores porque exportadores de açúcar e frango, que são 60% da pauta, resolveram priorizar o mercado nacional. Além disso, há a queda dos preços internacionais, barreiras ao frango, maior competição com o bovino australiano e a greve dos caminhoneiros, embora a demanda por alimentos no bloco siga firme.

Boa parte da redução é creditada à super-safra mundial de açúcar, que compõe 27% das vendas aos árabes. No acumulado o Brasil vendeu US$ 1,66 bilhão do produto, queda de 35,63%.

Desde o ano passado, a superprodução na Índia vem derrubando a commodity em 30% em média, sem deixar perspectiva de recuperação pelo menos até o ciclo 2019/20. Num esforço de equilibrar receitas, as usinas brasileiras vêm dirigindo uma parte maior da moagem para o etanol de demanda doméstica.

O resultado foi a redução dos embarques de açúcar e, na mesma proporção, da participação do Brasil no suprimento aos árabes.

A lacuna foi ocupada por Índia e Tailândia, países que não têm acesso a um grande mercado de etanol como o Brasil, mas têm açúcar em escala e a vantagem de estarem mais próximos da Arábia Saudita, dos Emirados Árabes e do Egito, todos mercados de grande demanda.

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Além disso, o Brasil vem enfrentando problemas com o frango, o segundo produto da pauta. No período, as receitas tiveram queda de 23,92% e somaram US$ 1,20 bilhão.

Embora o frango não registre quedas bruscas no preço, desde o ano passado a Arábia Saudita, o maior mercado exterior para a ave brasileira, vem questionando o método de abate no Brasil, que não seguiria as regras do Islã por incluir insensibilização elétrica.

Os sauditas vetaram o frango fora de padrão, posição seguida por outros países árabes, enquanto o lobby brasileiro tenta mudar a seu favor a norma técnica de abate da Gulf Standard Organization, espécie de Inmetro da Península Arábica.

Grandes exportadores, entanto, já se adequaram às exigências e aceitaram até sacrificar margens, pois o abate sem insensibilização tem perdas maiores. Mas os frigoríficos menores saíram do mercado e o espaço foi ocupado por turcos e americanos, que vêm conseguindo vender frango com preço não muito distante da competitiva ave brasileira.

Os grãos também tiveram crescimento. A soja rendeu US$ 212,19 milhões, alta de 37,48%. O milho, US$ 183,53 milhões, 42,90% mais. A entidade credita a elevação aos esforços da Arábia Saudita e dos Emirados Árabes em estimular a produção interna ainda incipiente de proteínas.

“O Brasil deve prestar atenção à essa situação. Temos tradição de fornecer aos árabes, o quarto destino das exportações brasileiras, frango de valor agregado e nossos esforços devem continuar nesse sentido”, defende o presidente da Câmara Árabe, Rubens Hannun.

Os minérios voltaram a ganhar importância. As vendas somaram US$ 851,65 milhões, 14% do total e alta de 34,72% na comparação, reflexo da recuperação dos preços dessas commodities.

A carne bovina rendeu US$ 513,86 milhões no acumulado, alta de 1,39%, avanço pequeno considerando que os volumes subiram 15,84%. A maior disponibilidade da carne australiana nos últimos meses forçou o preço para baixo.

Sobre a Câmara de Comércio Árabe-Brasileira

 

A Câmara de Comércio Árabe-Brasileira representa 22 países árabes, foi fundada em 1952 e tem como missão aproximar comercialmente o Brasil dos países árabes, incrementando intercâmbios culturais e turísticos entre árabes e brasileiros. A entidade oferece diversos serviços de apoio ao comércio bilateral, como certificação de documentos, informações sobre mercados, traduções, eventos e workshops. Disponibiliza, também, o Espaço do Conhecimento Comercial, um centro de referência para pesquisas das relações entre o Brasil e os países árabes.

Assessoria de Imprensa

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