Em entrevista concedida à TV Centro América, afiliada da TV Globo em Mato Grosso, o ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, confirmou a suspensão das importações de carne de frango brasileira pela China por um período de 60 dias, após a detecção do primeiro foco de influenza aviária de alta patogenicidade (H5N1) em uma granja de matrizes no município de Montenegro (RS).
“A partir de hoje, por 60 dias, a China não estará comprando carne de frango do Brasil”, afirmou Fávaro, em sua primeira manifestação pública detalhada sobre o caso.
O foco de Influenza Aviária foi confirmado na noite de quinta-feira (16/05), após a morte inicial de 35 aves em uma granja de produção de ovos para recria em aviários, o que torna o caso ainda mais sensível do ponto de vista sanitário. Segundo o ministro, a granja foi imediatamente isolada e higienizada, com estado de emergência zoossanitária decretado por 60 dias.
Fávaro ressaltou que o risco de contaminação está limitado ao contato com aves infectadas, sem qualquer impacto para o consumo humano.
“Não há risco no consumo. O vírus não é transmitido por alimentos. As pessoas podem continuar comprando, cozinhando e se alimentando à base de frango e ovos com tranquilidade.”
Embora a China tenha determinado a suspensão nacional das importações, outros países — como Japão, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos — já adotam protocolos atualizados, que restringem sanções apenas à região afetada. Com isso, as exportações brasileiras seguem normalmente para esses destinos, com exceção dos produtos oriundos do município de Montenegro.
A produção da granja infectada já foi rastreada e está sendo monitorada pelas autoridades sanitárias. A expectativa do governo federal é de que, com transparência e agilidade, o Brasil consiga retomar a normalidade sanitária e comercial em até 60 dias.
“Nos últimos dois anos, o Brasil trabalhou intensamente para repactuar os protocolos com seus parceiros. Muitos países hoje reconhecem a nossa capacidade de resposta. O sistema brasileiro é robusto e confiável”, destacou o ministro.
Apesar do impacto da suspensão chinesa, Fávaro lembrou que novos mercados foram abertos durante a missão recente à China, incluindo a liberação para exportação de pato, peru e miúdos de aves — o que pode ajudar a compensar parte das perdas.
O ministério ainda calcula os impactos financeiros da suspensão chinesa, mas garante que os produtos embarcados antes da confirmação do foco não serão afetados, e que não há risco de bloqueio de contêineres em trânsito.
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