Laringotraqueíte sem erro: por que diagnóstico incompleto ainda custa desempenho e sanidade na avicultura
Laringotraqueíte sem erro: por que diagnóstico incompleto ainda custa desempenho e sanidade na avicultura
Na avicultura, doenças respiratórias continuam entre os principais fatores de perda produtiva. O problema não está apenas na presença do agente, mas na falha em diagnosticar corretamente. Confundir enfermidades com sinais semelhantes compromete decisões, aumenta custos e reduz previsibilidade dos lotes.
Durante o Simpósio Brasil Sul de Avicultura (SBSA), no estúdio agriPlay, o espaço oficial de entrevistas com palestrantes e líderes do setor, a Diretora da agriNews Brasil, Priscila Beck com Dra. Renata Assis Casagrande, coordenadora do Laboratório de Patologia Animal da UDESC, trazendo um ponto crítico: o diagnóstico da laringotraqueíte ainda é subestimado na prática de campo .
O primeiro desafio está na clínica. A doença não apresenta sinais exclusivos, o que aumenta o risco de erro diagnóstico.
“A laringotraqueíte, ela não tem um sinal clínico que seja característico da doença. Ela é bastante semelhante a outras doenças respiratórias” .
Na prática, isso leva a decisões baseadas em impressão, não em evidência. E esse é um dos maiores gargalos sanitários da produção.
O segundo ponto crítico é o processo diagnóstico incompleto. Muitos profissionais ainda tentam fechar diagnóstico com uma única ferramenta, o que compromete a assertividade.
“Então nenhum deles eu posso utilizar de forma isolada, todos têm que complementar” .
A chamada tríade diagnóstica — clínica, necropsia/histopatologia e PCR — é o que garante precisão. Ignorar qualquer etapa abre margem para erro técnico e perdas produtivas.
Outro erro frequente está na execução da necropsia. A especialista alerta que encontrar uma lesão esperada não encerra a avaliação.
“Uma vez eu encontrado a lesão que eu estou esperando… eu paro de avaliar os outros órgãos. Não! Continua coletando tudo”.
Esse comportamento limita o entendimento real do quadro sanitário e pode mascarar coinfecções ou diagnósticos diferenciais importantes.
Além disso, a laringotraqueíte traz um desafio adicional: não há tratamento direto.
O controle depende de biosseguridade, manejo e vacinação estratégica. E, nesse ponto, sistemas produtivos com múltiplas idades (como em poedeiras) aumentam o risco e a complexidade sanitária. Na prática, o impacto vai além da doença em si. Um diagnóstico mal conduzido gera decisões equivocadas, uso inadequado de insumos e perda de eficiência ao longo do ciclo.
O recado final é claro: diagnóstico não é etapa operacional. É decisão estratégica. Quem estrutura bem esse processo reduz risco, protege desempenho e aumenta previsibilidade. Quem simplifica, paga o custo na margem — muitas vezes sem perceber a origem do problema.
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