COBB - envolvente

22 ago 2017

Brasil: Lucro trimestral da JBS despenca 79,8%

A JBS teve um lucro líquido trimestral de US$97,16 milhões, o que representa uma queda de 79,8% em relação ao mesmo período do ano passado.

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A empresa brasileira JBS informou, através de um comunicado, o balanço de resultados do segundo trimestre de 2017. O levantamento aponta lucro líquido trimestral de US$97,16 milhões (R$309,8 milhões) no segundo trimestre do ano, o que representa uma queda de 79,8% em relação ao mesmo período do ano passado, quando a empresa apresentou um lucro de US$479,7 milhões (R$1,53 bilhões). No primeiro trimestre do ano, o lucro líquido foi de US$132,4 milhões (R$422,3 milhões).

No segundo trimestre de 2017, o lucro líquido trimestral da JBS foi de US$97,16 milhões, indicando uma queda de 79,8%, diante do lucro de US$479,7 milhões no mesmo período do ano anterior.

As despesas financeiras da empresa foram de US$689.742.613 (R$2,2 bilhões) entre abril e junho, o menor valor em cinco trimestres. Isto se deveu, segundo a empresa, a gastos provenientes do primeiro semestre, resultado da variação cambial, de ajuste em operações com derivados e pagamento de juros.

Por outro lado, o lucro descontados os cálculos de impostos, juros, amortização e depreciação, alcançaram US$1,16 bilhões (R$3,7 bilhões), acima da estimativa de consenso de US$1,07 (R$3,4 bilhões), mostrando os resultados operacionais positivos da JBS nos Estados Unidos, Austrália e Canadá.

Os lucro líquido da empresa caiu 4,6% em relação ao mesmo período do ano anterior. Foram US$13,04 bilhões (R$41,6 bilhões) entre maio e junho deste ano, frente aos US$13,67 bilhões (R$43,6 bilhões) registrados no mesmo período do ano passado. A queda nas receitas é atribuída à redução de ganhos da Seara e da JBS Mercosul em 6,1% e 14,2%, respectivamente. A valorização do real frente ao dólar no período, que passou de R$3,51 para R$3,21, também contribuiu para a queda de receitas.

Dea cordo com a empresa, o lucro líquido da Seara caiu 6,1% no segundo trimestre em relação ao mesmo período do ano passado, de US$1,44 bilhões (R$4,6 bilhões) para US$1,35 bilhões (R$4,3 bilhões). As receitas da JBS Mercosul caíram de 14,2% no período, passando de US$2,26 bilhões (R$7,2 bilhões) para US$1,91 bilhões (R$6,1 bilhões) em 12 meses.

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Neste segundo trimestre, aproximadamente 73% das vendas totais da JBS se contabilizaram nos mercados domésticos onde opera a empresa, enquanto que só 27% correspondeu a exportações, destaca o comunicado da empresa.

A empresa não conseguiu reduzir sua dívida. No segundo trimestre do ano, saltou de 5,4%, de US$14,99 bilhões (R$47,8 bilhões) ao final do primeiro trimestre do ano para US$15,77 bilhões (R$50,3 bilhões) ao final do segundo trimestre. Da dívida total, segundo a empresa, 93% estão vinculados ao dólar. O caixa da empresa, ao final do período, estava em US$3,54 bilhões (R$11,3 bilhões), um aumento de 5,4% em relação ao caixa do primeiro trimestre, que fechou em 3,35 bilhões (R$10,7 bilhões). A dívida subiu, segundo a empresa, em função da depreciação do real e a compra da Plumrose, empresa norte-americana, que totalizaram US$878 milhões (R$2,8 bilhões).

A JBS não conseguiu reduzir sua dívida, que saltou de 5,4%, de US$14,99 bilhões ao final do primeiro trimestre do ano, para US$15,77 bilhões ao final do segundo trimestre de 2017.

De acordo com a empresa, a dívida a curto prazo subiu de US$5,58 bilhões (R$17,8 bilhões) para US$5,71 bilhões (R$18,2 bilhões), ou seja, 2,1%. Os compromissos a longo prazo subiram para 6,8%, de US$3,35 bilhões (R$10,7 bilhões) para US$3,54 bilhões (R$11,3 bilhões).

Em julho, a JBS finalizou com seus principais credores, instituições financeiras locais e estrangeiras, um acordo que garante o congelamento do pagamento das dívidas por um prazo de 12 meses. Segundo a empresa, esses “acordos de preservação de linhas de crédito” somam US$6,43 bilhões (R$20,5 bilhões), equivalentes a 93% do total da dívida contraída pela JBS Brasil no país e no exterior.

A JBS cita ainda que o plano de alienação anunciado pela empresa deve gerar uma receita em caixa de US$1,8 (R$6 bilhões). Segundo Wesley Batista, essas iniciativas são importantes para que a JBS continue crescendo de forma sustentável e gerando valor a seus acionistas.

A JBS também destaca o anúncio do plano de alienação, que deve gerar receitas de US$1,8 milhões (R$6 bilhões), segundo a empresa. Os ativos incluem a participação de 19,4% na Vigor, Moy Park e Five Rivers. O desempenho do trimestre também repercutiu no setor como um todo depois do desastre da Operação Carne Fraca deflagrada pela Policía Federal em 17 de março, que influenciou nos preços internos e também no volume exportado, com o fechamento de alguns mercados externos.

Depois da venda da Alpargatas, da Vigor e da unidade JBS Mercosul, o Grupo J & F venderá em breve a Eldorado, empresa de celulose. Com a retirada da empresa chilena Arauco, três companhias asiáticas mostraram interesse pelo ativo e fizeram propostas acima dos US$ 4,23 bilhões (R$13,5 bilhões) ofertados pela Arauco. Entre os concorrentes estão a estatal China Paper Corporation e as indonésias Asia Pulp & Paper Group (APP) e April.

A empresa forestal Arauco, ligada ao grupo Angelini, abandonou definitivamente o interesse em comprar a produtora de celulose Eldorado no Brasil após dois meses de negociações, sem conseguir um acordo com seus acionistas liderados pela J&F Investimentos, relacionados com os irmãos Batista. Por isso, a empresa chilena desenvolverá projetos locais. El Mercurio -13/08/2017.

Os fracos resultados da JBS foram marcados por uma série de acontecimentos, por um lado, durante o primeiro trimestre, a economia brasileira cresceu somente 1% comparado ao mesmo período do ano anterior. No entanto, o que mais prejudicou a empresa brasileira foi o escândalo de corrupção Carne Fraca  no qual estiveram diretamente envolvidos seus proprietários.

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