Ricardo Santin defende regionalização e critica barreiras comerciais à carne de frango no debate da FAO
Ricardo Santin defende regionalização e critica barreiras comerciais à carne de frango no debate da FAO
Durante entrevista exclusiva à aviNews Brasil no evento internacional promovido pela FAO em Foz do Iguaçu, o presidente da ABPA (Associação Brasileira de Proteína Animal), Ricardo Santin, reforçou que a mensagem central do Brasil à comunidade internacional sobre Influenza Aviária é que não há risco de transmissão do vírus pela carne de frango congelada. Para ele, é hora de o comércio mundial abandonar medidas baseadas em um princípio de precaução criado há mais de 40 anos e que, segundo o dirigente, já não encontra respaldo científico.
“Não se transmite influenza aviária por carne congelada. Tá na hora de mudar o pensamento. Hoje sabemos que o vírus é eliminado no cozimento a 75 graus, em menos de um minuto. Mesmo assim, estamos fechando mercados inteiros, quando a doença já está presente em todos os continentes. O que sobra é inflação de alimentos e protecionismo disfarçado de precaução”, afirmou Santin.
O dirigente ressaltou que a ABPA, em conjunto com o Ministério da Agricultura e a própria FAO, busca criar um novo entendimento global. “Precisamos proteger os rebanhos com biosseguridade, sim, mas não podemos aceitar que regras ultrapassadas penalizem produtores e consumidores. Essa é a mensagem que trazemos ao fórum”, disse.
Regionalização em avanço
Santin destacou que a estratégia de regionalização, defendida pelo Brasil em negociações internacionais, começa a ganhar aceitação. Segundo ele, a União Europeia já anunciou a reabertura de seu mercado ao frango brasileiro com base nesse modelo. A China, por sua vez, deve enviar uma missão técnica ao Brasil ainda neste mês para avaliar as condições de biosseguridade e tomar uma decisão.
Há também avanços em outros mercados. As Filipinas já reconheceram a regionalização por município, e o México passou a adotar o modelo por estado, com possibilidade de aprofundamento.
“Estamos realizando um road show internacional para mostrar que é possível isolar focos de Influenza Aviária sem penalizar todo o país. No fim deste mês, vamos ao Peru e temos tratativas avançadas com a África do Sul e a própria China. O caminho está aberto”, explicou.
Biosseguridade como ativo coletivo
Questionado sobre os custos de biosseguridade, Santin foi categórico ao afirmar que não se trata de um gasto, mas de um investimento indispensável. “É como o caminhoneiro que precisa trocar seu caminhão. O produtor precisa proteger seu rebanho, que é o seu tesouro. Foi assim que conseguimos conter o único caso já registrado no Brasil, que não se espalhou porque temos protocolos robustos”, disse.
Ele lembrou que o Brasil responde por quase 40% do mercado global de carne de frango e que a responsabilidade sanitária é compartilhada por todos os elos da cadeia. “Não existe problema do vizinho. Se a doença entra na granja dele, fecha o país inteiro. Sanidade é um ativo coletivo. Todos precisam fazer a sua parte”, reforçou.
Fundos de compensação e segurança do produtor
Outro ponto destacado por Santin foi o trabalho em andamento para consolidar fundos de defesa sanitária que possam ressarcir produtores em caso de abate preventivo. A ABPA, em parceria com o Grupo Especial de Prevenção à Influenza Aviária (GEPIA), já apoia estados na criação desses mecanismos, e o Ministério da Agricultura prepara um projeto de lei para instituir um fundo nacional.
“Estamos falando de uma atividade que gera mais de 10 bilhões de dólares por ano em divisas e garante proteína acessível na mesa do brasileiro. É fundamental dar segurança ao produtor que cumpre seu papel sanitário”, pontuou.
Orientações práticas e mensagem final
Na entrevista, Santin também listou medidas simples que devem ser adotadas no dia a dia das granjas, como uso de roupas e calçados exclusivos, cercamento contra animais domésticos, desratização, manutenção de telamento, instalação de rodolúvios ou bombas costais para desinfecção de veículos, além da restrição de visitas desnecessárias. “Cada detalhe simples é decisivo para evitar que o vírus se espalhe”, alertou.
Encerrando sua participação, Santin reforçou a dimensão estratégica da avicultura brasileira.
“Temos uma responsabilidade muito séria com a segurança alimentar do Brasil e do mundo. Aves e ovos são os alimentos mais acessíveis ao consumidor brasileiro e também sustentam milhões de pessoas no mercado internacional. Se não cuidarmos da sanidade, quem perde não é só o Brasil, é quem precisa de comida no mundo inteiro”, concluiu.
A aviNews Brasil é o único veículo de comunicação a realizar a cobertura presencial do Fórum Internacional, trazendo informações sobe os discursos e debates diretamente de Foz do Iguaçu. A cobertura, viabilizada a partir do apoio da MSD Saúde Animal, pode ser acompanhada no site, redes sociais e no Canal agriNews Play Brasil no youtube.
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