Para se ter uma ideia do que isso representa, enquanto você lia o lead dessa matéria, 3.880 ovos foram produzidos em Santa Maria de Jetibá. Ou seja, no município, são produzidos 129,36 ovos por segundo.
O município de Santa Maria de Jetibá, na Região Serrana do Espírito Santo, assumiu o posto de maior produtor de ovos do Brasil em 2017. Segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), de 2016 para 2017, a cidade capixaba ampliou a produção de ovos em 35,78%, passando das 250,4 milhões para 340 milhões de dúzias de ovos.
Para se ter uma ideia do que isso representa, enquanto você lia o lead dessa matéria, 3.880 ovos foram produzidos em Santa Maria de Jetibá. Ou seja, no município, são produzidos 129,36 ovos por segundo.
Segundo a PPM (Pesquisa de Pecuária Municipal), o município paulista de Bastos, que em 2016 era o maior produtor brasileiro de ovos, passou para a segunda colocação em 2017, com um aumento de 14,17% na produção. Bastos, que em 2016 produziu 250,5 milhões de dúzias de ovos, passou a produzir 286 milhões de dúzias em 2017.
O terceiro lugar em 2017 ficou para a cidade mato grossense de Primavera do Leste, que saiu de 76,9 milhões de dúzias para 81,2 milhões de dúzias produzidas (+5,59%).
E mais do que assumir a liderança na produção de ovos, Santa Maria de Jetibá também é o município que mais fatura com a venda do produto. Segundo a AVES (Associação dos Avicultores do Estado do Espírito Santo), os números são da ordem de R$ 931,3 milhões.
Ou seja, enquanto você lia os 5 primeiros parágrafos dessa matéria, as poedeiras do município capixaba movimentaram R$2.070,00. Para o diretor executivo da AVES, Nélio Hand, o resultado mostra não só a pujança de um setor organizado, mas a luta diária de todos os envolvidos no grande complexo do agronegócio.
Nélio Hand, diretor executivo da AVES (Associação dos Avicultores do Estado do Espírito Santo)
“São dados de orgulho para o setor e toda a sociedade capixaba”, ressalta Hands. Eles refletem a coragem e a persistência de uma cadeia que luta, em muitos momentos, contra situações negativas”, completa.
Nélio comenta que os dados comprovam o crescimento da postura capixaba que, entre 2006 e 2017, aumentou 174%, índice muito acima da média nacional e dos principais estados produtores.
A avicultura desempenha um importante papel socioeconômico no Estado. Através de investimentos em manejo e nutrição das aves, além do emprego de mecanismos de genética e tecnologia, o ovo capixaba é cada vez mais presente e benquisto na mesa do brasileiro.
O Espírito Santo possui atualmente 162 granjas de postura comercial e 18 de codornas.
Início com 500 pintinhos
Há 50 anos, as granjas de Santa Maria de Jetibá, hoje em boa parte mecanizadas e com tecnologia de ponta, davam lugar a pequenas produções, no quintal dos primeiros avicultores. O produtor Everdan Berger conta que o próprio pai, Erasmo Berger, deu início ao setor, em 1964.
Na época, recém-formado técnico no Rio de Janeiro e muito interessado no assunto, Erasmo voltou à terra natal com 500 pintinhos. “Ele teve mente aberta e bastante disposição“, garante o filho.
O pai de Erasmo, Florêncio Berger, que era comerciante, vendia os ovos. O esterco produzido nas granjas, ideal como adubo orgânico para horticultura, colaborou para o município se tornar o verdadeiro “celeiro do Estado“, sendo atualmente o maior responsável por abastecer a Ceasa de Vitória com produtos hortifrutigranjeiros.
Em média, Santa Maria de Jetibá produziu 12,4 milhões de ovos por dia em 2017, atendendo o mercado do estado e de todo o Brasil.
Setor convive com desafios
O diretor executivo da AVES, Nélio Hand, comemora o avanço na produção estadual, mas também avalia que é preciso atenção frente aos desafios, entre os quais estão a burocracia, a logística precária, o excesso de legislações e a falta de capacidade de muitas instituições regulamentadoras em acompanhar a dinâmica do setor, o que é muito negativo e pode acabar levando a um estacionamento na produção.
O executivo afirma ainda que esse potencial poderia ser maximizado se em várias vertentes houvesse maior participação e entendimento do poder público sobre a importância dessa atividade.
“Temos recebido sim atenção nos últimos tempos, mas se for verificada sob o ponto de vista de outras unidades da federação, essa atenção está muito aquém do que se vê em outros estados”, pondera Hands. “Precisamos da atenção de nossas autoridades, proporcionalmente a esse crescimento, pra que possamos ter um crescimento sustentável e continuar gerando emprego e renda a muitos”, argumenta.
Com informações da Assessoria de Comunicação AVES
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