O aproveitamento dos resíduos da avicultura para a produção de biometano pode representar uma nova oportunidade para ampliar a geração de energia renovável no Espírito Santo. O tema foi apresentado pelo diretor executivo da AVES e da ASES, Nélio Hand, durante o Vitória Energy 2026, principal evento capixaba voltado à transição energética e ao desenvolvimento sustentável.
Ao apresentar um panorama da produção animal no Estado, Hand destacou que a avicultura capixaba gera, em média, cerca de 75 mil toneladas de esterco de aves por mês. Atualmente, esse material já possui importante destinação econômica e ambiental, sendo amplamente utilizado como adubo orgânico na agricultura, cafeicultura, fruticultura, horticultura e reflorestamento, além de ser comercializado para outros estados brasileiros.
Segundo o dirigente, esse aproveitamento consolidado demonstra a relevância dos resíduos da avicultura para diferentes cadeias produtivas, mas também ajuda a explicar os desafios para a expansão de projetos voltados à produção de biometano.
“Os resíduos produzidos pelas cadeias de aves e suínos já são muito bem aproveitados pelos produtores. O grande desafio é transformar esse potencial em projetos economicamente viáveis para produção de biometano”, destacou Nélio Hand.
Entre os fatores apontados estão os investimentos necessários para implantação das estruturas de produção e a própria concorrência com outros usos já consolidados para o esterco de aves.
“Nosso Estado tem uma característica de destinar a produção do esterco para a agricultura, onde existe uma remuneração razoável. Questões estruturais, como espaço para instalação de biodigestores, por exemplo, também são limitantes”, afirmou.
Experiências internacionais mostram que resíduos da produção animal podem contribuir para a geração de energia e para o fortalecimento da economia circular. Na Espanha, por exemplo, resíduos da avicultura e da suinocultura são utilizados para a produção de biometano, fertilizantes e dióxido de carbono biogênico.
Para a AVES, iniciativas como essas demonstram que o Espírito Santo reúne condições favoráveis para desenvolver projetos semelhantes no médio prazo, especialmente diante da relevância da avicultura para a economia estadual.
“O setor acompanha essa evolução com interesse. Hoje, os resíduos já possuem aproveitamento consolidado, mas acreditamos que, com o amadurecimento do mercado, redução dos custos, novos investimentos e estruturas apropriadas à realidade local, o biometano poderá se tornar mais uma alternativa de geração de renda para os produtores e contribuir para o desenvolvimento sustentável do Espírito Santo”, ressaltou Nélio Hand.
A entidade destaca que acompanhar as discussões sobre o futuro energético do Estado é fundamental para ampliar as oportunidades para os produtores e fortalecer a sustentabilidade da cadeia avícola capixaba.
Fonte: Aves – com adaptações da redação aviNews.
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