
O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) reduziu em 37,5% a previsão de importação de carne de frango pela China em 2018, passando de 480 mil para 300 mil toneladas. A previsão está diretamente relacionada às ocorrências da Operação Trapaça, que bloqueou as exportações de diversas plantas da BRF no último mês de março.
O Brasil é o maior fornecedor de carne de frango para a China, sendo responsável por 85% das importações do país asiático em 2017, ou seja, 382.053 mil toneladas. Os outros grandes parceiros comerciais da China em 2017 foram Argentina (12%), Chile (3%) e Polônia (3%), cuja capacidade de produção é limitada para preencher a lacuna deixada pelo Brasil.

Em 27 de fevereiro a China retirou tarifas antidumping até então praticadas sobre o frango e produtos avícolas importados dos Estados Unidos. Entretanto, o país asiático continua a proibir os produtos avícolas norte-americanos desde 2015, em decorrência de casos de Influenza Aviária Altamente Patógena (IAAP) que afetaram o país.
As medidas antidumping são adotadas pela China desde 2010 e provocaram uma brusca queda nos investimentos do país asiático em importação de produtos avícolas, passando de US$800 milhões para US$ 131 milhões ao ano.
Produção e Consumo
Segundo o relatório, a produção chinesa de carne de frango deverá crescer 1% (700.000 toneladas) em 2018, passando para 11,7 milhões de toneladas. O movimento, segundo o USDA, se deve à retomada do aumento da demanda interna pelo produto.
O Departamento aponta uma previsão de crescimento de 1% no consumo de carne de frango na China em 2018, passando para 11,56 milhões de toneladas. A previsão é baseada, principalmente, no crescimento populacional da China, aliado à recuperação da confiança do consumidor sobre a segurança oferecida pelo alimento.
Em 2017, a China foi palco de mais de 700 infecções por Influenza Aviária em humanos, com uma taxa de mortalidade de cerca de 40%. Os casos estiveram distribuídos por toda a extensão geográfica do país, sendo que a sexta onda de surto de IA (H7N9) causou uma queda notável no consumo de carne de frango naquele país, segundo o relatório do USDA.

A retomada da confiança se dá após a adoção, ainda em 2017, de novos programas de vacinação (H7), que chegaram a ser expandidos para todo o país. O Ministério da Agricultura chinês estima que mais de 80% dos lotes de aves comerciais do país foram vacinados contra o H7N9. Até o momento, a China registrou apenas três ocorrências da doença em humanos durante a sexta onda de IA.
Consumo per capita
No geral, o consumo per capita de 8 kg carne de frango na China ainda é considerado muito baixo. Principalmente se comparado aos 28 kg per capita consumidos em Taiwan.
A expectativa de aumento no consumo é depositada sobre os consumidores institucionais, principalmente cozinhas industriais e escolas. Além disso, em agosto de 2017, a divisão da McDonald’s Corporation na China foi comprada pela chinesa CITIC, que anunciou um agressivo plano de expansão no país, o que provavelmente impulsionará o consumo de carne de frango.
Preços
Segundo o relatório do USDA, o preço da carne de frango deverá permanecer estável na China em 2018, apesar de um ligeiro aumento nos custos de alimentação. Os produtores de milho chineses reduziram sua área plantada de milho para este ano devido aos grandes estoques do ano passado.
O governo chinês também implementou uma política para expandir o uso de milho em processos industriais, incluindo o etanol, o que elevará os preços do grão. Combinado com os plantios reduzidos, essa demanda maior aumentará a pressão sobre o preço do milho.
Além disso, a desde 1º de janeiro de 2018, o governo central da China decretou um imposto sobre Proteção Ambiental, que será cobrado sobre todas as operações pecuárias em larga escala. Operações em larga escala são definidas como: mais de 50 cabeças de gado, 500 cabeças de suínos ou 5.000 cabeças de aves (frango / pato).
Isso aumentará ainda mais o custo de criação de muitos produtores chineses. Cada governo provincial está autorizado a estabelecer sua própria taxa de imposto, mas propriedades com medidas de controle ambiental compatíveis receberão uma taxa reduzida ou isenta.
Com informações do USDA
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