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27 abr 2026

COMO IDEALIZAR O SEU PROGRAMA DE LIMPEZA E DESINFECÇÃO (PLD)

Escolha de produtos procedimentos e treinamento definem sucesso ou fracasso Programa de Limpeza e Desinfecção

COMO IDEALIZAR O SEU PROGRAMA DE LIMPEZA E DESINFECÇÃO (PLD)

Apesar de vivermos na era mais técnica e tecnológica da produção animal, seguidamente ainda nos deparamos com conceitos antigos permeando as escolhas de técnicos e produtores.

Muitos consideram que o Programa de Limpeza e Desinfecção é exclusivamente baseado na escolha de um “bom” desinfetante (de preferência “fazendo a rotação” de produtos de tempos em tempos…), outros consideram que a limpeza como tal é impossível pelos curtos períodos de intervalo entre lotes, baixa disponibilidade de mão de obra, falta de equipamentos e um sem-número de outras explicações.

Todas válidas no seu ponto de vista, mas fundamentalmente inconsistentes quando consideramos os valores investidos no negócio e o aumento do risco econômico envolvido quando não aplicamos na prática, um Programa de Limpeza e Desinfecção adequado.

COMO IDEALIZAR O SEU PROGRAMA DE LIMPEZA E DESINFECÇÃO (PLD)

COMO IDEALIZAR O SEU PROGRAMA DE LIMPEZA E DESINFECÇÃO (PLD)

O Programa de Limpeza e Desinfecção é composto por todas as medidas práticas adotadas de limpeza e desinfecção na saída de cada lote, mas também nas medidas de higiene adotadas durante a produção, com intuito de reduzir os desafios sanitários ao longo do tempo. E, portanto, deve resultar em menos desafios e refletir diretamente em uma melhor qualidade de produto final.

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Ele deve ser seguido não somente quando temos já instalado um desafio sanitário, mas primordialmente na prevenção, antes que a pressão de infecção seja tão grande a ponto de haver a manifestação clínica de uma doença causada por um microrganismo prevalente no ambiente de produção.

E, necessariamente, o Programa deve prever a limpeza antes da desinfecção.

Ambientes excessivamente sujos, ou com presença de matéria orgânica e biofilmes, não possibilitam a ação necessária e efetiva dos desinfetantes, ainda que alguns deles possam ter ação em presença de matéria orgânica. Isso porque os desinfetantes agem por contato direto com os microrganismos, o que não é possível quando estes estão protegidos por matéria orgânica e biofilmes.

COMO IDEALIZAR O SEU PROGRAMA DE LIMPEZA E DESINFECÇÃO (PLD)

COMO IDEALIZAR O SEU PROGRAMA DE LIMPEZA E DESINFECÇÃO (PLD)

No ambiente de produção, como em qualquer outro ambiente, os microrganismos também buscam sobreviver e perpetuar-se. E isso se dá principalmente por um processo de formação de biofilmes, que potencialmente contém bactérias, fungos, algas, vírus e protozoários, associados como uma colônia, buscando a sobrevivência comum.

Os biofilmes se formam a partir da capacidade que alguns microrganismos possuem de produzir a Substância Polimérica Extracelular (EPS) que é uma matriz viscosa composta principalmente por polissacarídeos, proteínas, ácidos nucleicos e lipídeos, que funciona como suporte estrutural e de proteção para todos os seus componentes, mantendo as condições básicas para a sua sobrevivência no ambiente.

COMO IDEALIZAR O SEU PROGRAMA DE LIMPEZA E DESINFECÇÃO (PLD)

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Já se comprovou inclusive que dentro do biofilme, há maiores chances de que as bactérias que estejam nas camadas mais profundas, e, portanto, sem tanto acesso aos nutrientes fundamentais, sofram mais estresse e tenham aumentada a sua capacidade de resistência ao longo do tempo.

E é por isso que, a crença de que é possível controlar a contaminação apenas mantendo o ambiente seco, tem gerado muitos problemas, como suscitar a capacidade de produção de biofilmes em bactérias antes conhecidas como não produtoras de biofilmes: caso de algumas Salmonelas prevalentes hoje no nosso sistema de produção.

Nosso desafio é ainda maior quando sabemos que 90 a 95% dos microrganismos nos ambientes de produção se encontram protegidos em biofilmes.

A limpeza deve ser composta pelas etapas:

Na limpeza úmida tradicional, é necessário pré-lavar as superfícies com água pura de boa qualidade antes de aplicar o produto detergente, calculando no mínimo 1 litro de solução detergente por metro² de área e esperando o tempo de ação recomendado para o produto, enxaguando posteriormente com água pura de boa qualidade, em abundância.

E é justamente neste processo que encontramos as maiores falhas nos Programas de Limpeza e Desinfecção. Ao não fazer a limpeza úmida adequadamente, pelo motivo que for, cultivamos os biofilmes no ambiente de produção, perpetuando os desafios.

COMO IDEALIZAR O SEU PROGRAMA DE LIMPEZA E DESINFECÇÃO (PLD)

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A dificuldade é compreensível, já que nem sempre são escolhidos produtos adequados. Sabão em pó, ou produtos de uso industrial, excessivamente ácidos ou alcalinos, complicam a operacionalização do processo, pelas dificuldades na aplicação e no enxágue, o que potencialmente deixa resíduos nas superfícies, inclusive capazes de neutralizar os desinfetantes por incompatibilidade química.

O detergente ideal é aquele que tem uma aplicação fácil e segura, preparando o ambiente de produção para a desinfecção posterior. Fórmulas específicas para uso nestes ambientes, inclusive de produtos desenvolvidos com moléculas químicas compatíveis com as moléculas utilizadas na composição dos desinfetantes, que não requerem enxágue, são perfeitos para situações restritivas, quando tempo, mão de obra, equipamentos ou a dificuldade com fontes de água, impossibilitam a limpeza úmida tradicional.

Uma vez que o ambiente esteja limpo e seco, a aplicação adequada dos desinfetantes deve cumprir o seu papel: eliminar os microrganismos sobreviventes no ambiente, agora totalmente expostos sem a proteção do biofilme.

Necessariamente isso terá que ser feito em até 12 horas após a limpeza úmida. A demora excessiva em realizar esta primeira desinfecção, favorece a reorganização destes microrganismos em novos biofilmes, reduzindo a eficácia do processo.

A primeira desinfecção deve sempre ser realizada com volume de calda suficiente, calculando no mínimo 300 a 500 ml de solução desinfetante por metro², possibilitando o contato do produto com todas as superfícies da instalação, e consequentemente favorecendo o contato físico com todos os microrganismos restantes.

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Este contato é o que garante a eficácia do processo de desinfecção, não sendo necessário “rotar” produtos. Se o produto desinfetante for comprovadamente eficaz contra os microrganismos prevalentes, na dose recomendada e comprovada através de estudos científicos, durante o tempo de contato necessário, a ação físico-química garantirá a sua morte.

Todas as demais desinfecções ambientais, definidas de acordo com a necessidade técnica e feitas posteriormente, serão complementares à esta primeira desinfecção, não sendo suficientes para substituí-la.

Ainda que, em teoria, seja possível o desenvolvimento de resistência através de outras formas de mutação genética, para qualquer resistência neste nível, é necessário, antes de mais nada, a sobrevivência do microrganismo após o contato com o desinfetante.

Produtos modernos, formulados com a inclusão de potencializadores químicos, não permitem a sobrevivência dos microrganismos pela própria ação físico-química contundente que ataca múltiplas estruturas celulares de forma simultânea, tornando impossível a manutenção da integridade celular a tempo de permitir a continuidade da vida e o desenvolvimento de mecanismos mais sofisticados de resistência contra os ativos utilizados na fórmula desinfetante.

Sim, produtos desinfetantes não são todos iguais.

As tabelas de eficácia desinfetante antigas, que ainda se encontram em literatura, falham ao não considerar a evolução contante na formulação química, que permite trabalhar o sinergismo entre moléculas e o aumento de eficácia de uma fórmula através da estabilização e preservação dos ativos desinfetantes até que eles finalmente atinjam o seu alvo, mesmo em águas duras, em qualquer faixa de pH, temperatura ou ainda, com presença de matéria orgânica residual.

É necessário considerar que o medo manifesto pelos produtores, do uso de um processo de limpeza e desinfecção úmidos, é justificado quando grande parte destes produtos ainda é corrosivo para metais ou causa a degradação de plásticos e materiais constituintes de estruturas de galpões e equipamentos.

O produto de limpeza e/ou desinfecção ideal deve:

Portanto, a escolha dos produtos a serem utilizados, tanto quanto a definição clara de procedimentos a serem adotados e o treinamento da equipe operacional, podem representar a diferença entre o sucesso ou o fracasso do Programa de Limpeza e Desinfecção e como tal, do Programa de Biosseguridade.

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