
Tedros Adhanom Ghebreyesus, QU Dongyu e Roberto Azevedo, diretores-gerais da OMS, FAO e OMC.
Minimizar possíveis impactos no suprimento de alimentos, ou conseqüências não intencionais no comércio e segurança alimentar globais, durante a crise da COVID-19. Esse é o apelo de uma declaração assinada conjuntamente por Tedros Adhanom Ghebreyesus, QU Dongyu e Roberto Azevedo, respectivamente diretores-gerais da OMS (Organização Mundial da Saúde), FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura) e OMC (Organização Mundial do Comércio).
Tedros Adhanom Ghebreyesus, QU Dongyu e Roberto Azevedo, diretores-gerais da OMS, FAO e OMC.
A declaração foi publicada na última terça-feira (31/3), no site da FAO. O documento destaca que milhões de pessoas, em todo o mundo, dependem do comércio internacional para sua segurança alimentar e meios de subsistência.
As autoridades salientam que os países devem estar atentos para minimizar possíveis impactos no suprimento de alimentos, ou conseqüências não intencionais no comércio e segurança alimentar globais, ao adotarem medidas com o objetivo de interromper a pandemia de COVID-19.
“Ao agir para proteger a saúde e o bem-estar de seus cidadãos, os países devem garantir que quaisquer medidas relacionadas ao comércio não perturbem a cadeia de suprimento de alimentos”, salienta a declaração.
As autoridades salientam que interrupções, dificultando a circulação de trabalhadores da indústria agrícola, de alimentos, ou prolongando os atrasos de cargas de alimentos na fronteiras, resultam na deterioração de produtos perecíveis e no aumento do desperdício.
“As restrições ao comércio de alimentos também podem estar ligadas a preocupações injustificadas sobre segurança alimentar”, salienta o documento. A perturbação da cadeia de suprimento de alimentos, segundo as autoridades, teria conseqüências mais graves para as populações mais vulneráveis e inseguras.

A declaração destaca também que a incerteza sobre a disponibilidade de alimentos pode desencadear uma onda de restrições à exportação, provocando escassez no mercado global. Isso poderia alterar o equilíbrio entre oferta e demanda de alimentos, resultando em picos de preços e aumento da volatilidade dos preços.
“Aprendemos com crises anteriores que essas medidas são particularmente prejudiciais para países de baixa renda e com déficit alimentar, além dos esforços de organizações humanitárias para obter alimentos para aqueles que precisam desesperadamente”, destaca o documento.
As autoridades salientam ainda que em momentos como o atual “mais, e não menos cooperação internacional, se torna vital”.
“Em meio aos bloqueios da COVID-19, todos os esforços devem ser feitos para garantir que o comércio flua o mais livremente possível, especialmente para evitar a escassez de alimentos”, alertam as autoridades.
A proteção dos produtores e trabalhadores de alimentos no nível de processamento e varejo também é ressaltada na declaração, para minimizar a propagação da doença nesse setor e manter as cadeias de suprimento de alimentos.
Outro ponto destacado na declaração é a disponibilidade de informações sobre medidas comerciais relacionadas a alimentos. Níveis de produção, consumo e estoques de alimentos, bem como preços devem estar disponíveis para todos, em tempo real.
“Isso reduz a incerteza e permite que produtores, consumidores e comerciantes tomem decisões informadas“, salientam as autoridades. “Acima de tudo, ajuda a conter a ‘compra por pânico’ e a acumulação de alimentos e outros itens essenciais”, completa.
A declaração é encerrada destacando que o momento é de mostrar solidariedade, agir com responsabilidade e aderir ao objetivo comum de aumentar a segurança alimentar, a nutrição e melhorar o bem-estar geral das pessoas em todo o mundo.
“Devemos garantir que nossa resposta ao COVID-19 não crie intencionalmente escassez injustificada de itens essenciais e exacerbe a fome e a desnutrição”, conclui.
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