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13 jun 2018

Merck informa: como controlar a coccidiose satisfazendo os clientes?

Em 2014-2015, a indústria de frangos de corte dos EUA viu comunicados de imprensa de alguns de seus principais clientes varejistas, anunciando que serviriam apenas frango criado sem antibióticos. Como essa tendência influi no controle da coccidiose?

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Os comunicados apresentaram posições diferentes. A Cadeia de Restaurantes A (maior cadeia de restaurantes de frango dos EUA, de acordo com suas vendas) declarou, em fevereiro de 2014, que para 2019 seu produto “nunca mais conteria antibióticos” (NAE – No Antibiotics Ever – sigla em inglês), enquanto a Cadeia de Restaurantes B (um dos maiores varejistas de fast food do mundo), em seguida, anunciou que para 2017 serviria apenas aves criadas sem antibióticos de importância médica (RWMIA – Raised Without Medically Important Antibiotics – sigla em inglês). Já a Cadeia de Restaurantes C,  que produz sanduíches em todo o mundo, anunciou, no início de outubro de 2015, que serviria apenas aves criadas sem antibióticos de importância médica (RWMIA), porém, mudou rapidamente de posição em 20 de outubro de 2015, dizendo apenas comercializar aves sem nenhum tipo de antibiótico (NAE) para março de 2016.

Como essa tendência influi no controle da coccidiose? A designação RWMIA permite o uso de ionóforos. Embora sejam, tecnicamente, antibióticos baseados na definição estrita de “antibióticos”, os ionóforos não são uma classe compartilhada com nenhum antibiótico utilizado em humanos.

Os lotes RWMIA também podem usar anticoccidiais químicos e vacinas contra a coccidiose, porém não podem usar antibióticos que sejam de classe compartilhada com humanos, como bacitracina, virginiamicina, enramicina, tetraciclinas, penicilinas, gentamicina, cefalosporina, sulfas etc. A designação NAE não permite o uso de ionóforos. Os tribunais dos EUA determinaram que as empresas não podem trazer o rótulo “criado sem antibióticos”, utilizando ionóforos, porque isso induziria o consumidor a erro.

O rótulo NAE anda permite o uso de anticoccidiais químicos e vacinas para a coccidiose, porém, não ionóforos, e, claro, nenhum dos antibióticos de classe compartilhada com humanos.

 

CRESCENDO NO DESAFIO

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A maioria dos produtores de frangos de corte norte-americanos se somaram ao desafio do cliente varejista, mudando toda, ou parte, de sua produção para acomodar os rótulos RWMIA ou NAE.

As estratégias de RWMIA incluem programas químico-ionóforo, ou programas de ionóforos diretos que estão sendo utilizados pela indústria, porém, também se deu lugar a novas estratégias “híbridas”, que utilizam tanto uma vacina contra a coccidiose, como um ionóforo. As estratégias NAE incluem todos os programas anticoccidiais químicos, programas de vacinação contra a coccidiose e, inclusive, estratégias híbridas vacinas-anticoccidiais químicos. Foram usadas vacinas contra coccidiose em 40% de todos os frangos de corte dos EUA produzidos no ano 2017, quer seja em programas híbridos ou apenas com programas de vacinação.

 

PROGRAMAS HÍBRIDOS

Um programa híbrido usa uma vacuna de coccidiose como uma semente sensível aos anticoccidiais, não como uma ‘vacinação’. Os frangos de corte de um dia recebem oocistos vivos e sensíveis na incubadora (a vacina contra a coccidiose). Esses oocistos podem completar ao menos dois ciclos de vida no lote, excretando oocistos sensíveis no lote até aproximadamente os 14 dias de idade.

Depois disso, um ionóforo (RWMIA) ou um químico (NAE) é incluído na alimentação para completar o ciclo de crescimento das aves de produção com um programa anticoccidial regular.

O objetivo é criar uma alta sensibilidade aos oocistos nos galpões para competir com a cepa de campo, menos sensível, e para permitir também que os anticoccidiais funcionem melhor. Os integradores que usam esse programa, experimentam uma mudança de 50 a 100g de melhora no índice de conversão e vêm chamando isso de “programa de desempenho”.

Quando um ionóforo é utilizado dessa maneira, também ajuda a prevenir a disbacteriose ou a enterite necrótica, sem necessitar do uso de antibióticos importantes.

Esses programas não renovam a sensibilidade para os próximos lotes, porém, reduzem os oocistos tardios, assim como a quantidade de Eimeria spp. que há na granja.

Os integradores que utilizaram um programa anticcocidial apenas com químicos, tiveram diferentes resultados.

Os anticoccidiais químicos previnem a coccidiose, porém não têm um efeito antibiótico. Picos de atividade subclínica de Eimeria spp podem dar lugar a enterite necrótica, disbacteriose ou a uma má conversão alimentar. Isso adquire especial importância se o pico subclínico de coccidia ocorre ao mesmo tempo que ocorre uma mudança de ração.

Os anticcocidiais químicos devem ser monitorados e devem ter um rodízio para poder manter um baixo nível de coccidiose, particularmente em momentos críticos de estresse.

As empresas que usam esses programas tiveram grandes resultados no controle de seu desafio contra a coccidia. Quando necessário, os programas de vacinação podem ser aplicados para manter a população sensível.

Todos os programas químicos são compatíveis com a denominação dos EUA NAE.

Os integradores que usam programas de vacinação de coccidiose também podem ser denominados NAE. Alguns integradores usam a vacinação durante todo o ano.

Outros aumentam o programa híbrido com um ciclo ou dois de vacina – químico, ou um programa todo químico durante os meses do inverno com maior umidade.

O uso de ao menos 3 a 4 ciclos com vacina de coccidia (não programa híbrido) serve para manter uma população de Eimeria mais sensível na granja.

Além disso, dessas estratégias, os integradores dos  EUA trabalham para aumentar o tempo do vazio sanitários entre lotes, com o objetivo de 16 dias em média.

Cada uma das estratégias, usadas corretamente, podem servir para reduzir o nível da coccidiose na granja.

Estudando as lesões da coccidiose (segundo o determinado nas sessões post-mortem) e comparando-as com o índice de conversão alimentar, se nota o impacto de melhora com a estratégia no controle da coccidia, tanto em rentabilidade como rendimento.

 

Quando o custo de sete dias adicionais de vazio é calculado frente ao rendimento no índice de conversão alimentar com os atuais preços dos alimentos, o resultado é um rendimento de 50%, em grande parte devido à redução no desafio da coccidiose.

Cabe destacar que as lesões da coccidiose não são clínicas. As lesões estudadas na indústria são em média menos de +1 no sistema tradicional de medião, baseado em uma pontuação de 1 a 4.

Mas a E. máxima microscópica tem pontuações médias maiores que 0.6, que estão correlacionadas com 50-100 g a mais de ração por quilo de peso, comparado com as lesões de menos de 0.4. Pequenas reduções são a resposta a melhoras significativas no rendimento.

Alguns integradores estão utilizando o programa vacina-ionóforo para iniciar a redução no desafio da Eimeria spp, antes da implementação de um programa NAE.

Uma vez que o nível de desafio tenha reduzido, é mais fácil ser flexível, usando um programa híbrido com ionóforo, ou apenas a vacina para se ajustar às demandas de consumo de animais RWMIA ou NAE.

A redução geral do desafio Eimeria spp. também significa que a disbacteriose e a enterite necrótica diminuirão significativamente, inclusive seguindo um programa NAE.

 

CONCLUSÃO

Foram criadas novas estratégias de controle para reduzir o desafio da coccidiose nas granjas.

Comparando com o programa tradicional químico-ionóforo, ou um programa apenas com ionóforos, está-se ajudando aos integradores de produção de frangos de corte dos EUA a atender, com sucesso, as exigências de seus clientes, sendo rentáveis.

É mais fácil produzir carne de frango com o Sistema RWMIA, de forma rentável, permitindo o uso de ionóforos, porém, os produtores de NAE estão demostrando êxito significativo também.

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