Segundo o Relatório Bianual sobre Mercados Globais de Alimentos (Food Outlook), a queda marca um afastamento da tendência de crescimento estável registrada nas últimas duas décadas.

O surto de PSA (Peste Suína Africana) na China fará com que a produção mundial de proteína animal caia em 2019, segundo levantamento da FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura). Segundo a entidade, a produção mundial de carne está prevista em cerca de 335 milhões de toneladas (peso de carcaça) em 2019, o que representa 1,0% a menos que em 2018.
Segundo o Relatório Bianual sobre Mercados Globais de Alimentos (Food Outlook), a queda marca um afastamento da tendência de crescimento estável registrada nas últimas duas décadas.
O documento aponta ainda uma queda mais acentuada do que o previsto em maio. “Principalmente, devido a um impacto mais profundo do que o esperado da Peste Suína Africana na China e sua disseminação para vários países do Leste Asiático”, aponta.

A previsão é de que a produção de carne da China caia 8%, compensando os aumentos esperados na produção em vários países produtores como Estados Unidos, Brasil, União Européia e Argentina. O declínio geral na produção de carne da China, segundo o Relatório, reflete uma contração da produção de carne de porco em pelo menos 20%, parcialmente compensada pela maior produção de outras carnes.
Nos Estados Unidos, um aumento no peso da carcaça vem sustentando o crescimento, enquanto no Brasil a demanda externa está incentivando uma maior produção.
Na União Européia, a produção total de carne também deve se expandir, embora mais lenta do que o previsto anteriormente, devido a um provável declínio na produção de carne bovina. A expectativa é de ganhos de produção para todas as outras categorias de carne na região, especialmente a produção de carne de porco, refletindo a forte demanda da China.
A produção de carne da Argentina também deve aumentar, principalmente com o aumento do abate preventivo.
O comércio mundial de carne e derivados está previsto em 36,0 milhões de toneladas em 2019, o que representa um aumento de 6,7% em relação a 2018. Esse crescimento vem impulsionado, principalmente, pelo aumento das importações da China devido ao aperto doméstico causado por perdas de produção relacionadas à PSA.

As importações globais de carne da China devem aumentar em 35% (cerca de 2 milhões de toneladas), com o aumento das compras em todas as categorias de carne. Por outro lado, espera-se que vários países importem menos carne, incluindo os Estados Unidos e Angola.
Do lado das exportações, grande parte da expansão prevista na demanda global deve ser atendida pelo Brasil, União Européia, Estados Unidos, Argentina, Tailândia e Canadá. No entanto, disponibilidade limitada para exportação, pode prejudicar os embarques de carne do Paraguai, Bielorrússia e Uruguai.
Os preços internacionais da carne, medidos pelo Índice de Preços da Carne da FAO, continuaram registrando aumentos moderados mês a mês desde o início de 2019. Particularmente, os preços da carne de porco congelada registram o aumento mais acentuado devido ao crescimento da demanda de importação pela China.

Os preços de aves, ovinos e bovinos foram fortalecidos, também apoiados pela maior demanda asiática.
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